sábado, 14 de maio de 2016

Húmus

Húmus é o termo português para uma pasta de grão-de-bico condimentada, característica da cozinha do Médio Oriente.

Cortam-se 3 cenouras — cerca de 250g — e uma beterraba crua, de dimensões regulares — com uns 175g — temperam-se com sal, um pouco de azeite e levam-se ao forno pré-aquecido, num tabuleiro, em dois montinhos separados, para não se misturarem, durante aproximadamente meia hora.

Enquanto os vegetais assam, prepara-se o húmus propriamente dito:

Num processador de comida, ou em recipiente onde caiba tudo e se possa utilizar a varinha mágica, juntam-se 750g de grão-de-bico cozido, bem lavado e escorrido, 6 dentes de alho, descascados, o sumo de 3 limões de tamanho médio (150ml aproximadamente), 130ml de água, 6 colheres, das de sopa, de tahini escuro (a S usou deste, que considera muito bom), 3 colheres, de chá, de sal e uma pitada de pimenta preta, e tritura-se até se obter uma massa cremosa.

Desse húmus, um terço pode servir-se como acabado de preparar ou com uma pitada de paprika e um chapisco extra de azeite por cima, outro terço tritura-se mais um pouco, junto com as cenouras assadas e meia colher, de chá, de cominhos, e o restante, triturado com a beterraba assada e duas colheres, de sopa, de azeite.

Comi-os com pão, queijo manchego e azeitonas, em jeito de lanche; a S costuma incluí-los na cobertura de umas pizas vegetarianas, sem queijo. Talvez um dia...

Descobri um blog dedicado ao tema que é porreiro.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Valle Pradinhos '2009

Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Tinta Amarela. Em traços gerais, o produtor de Vale de Pradinhos, Macedo de Cavaleiros, que tem presença na internet, refere ter sido feito com desengace total das uvas, fermentação a temperatura controlada e maceração pós-fermentativa, a que se seguiram 22 meses de estágio, em barricas usadas.

Cor rubi, escura, mas longe de opaca. A primeira impressão, ainda sem comida, foi de que cheirava a vinho.

Depois, a acompanhar um lombinho de porco que estava divinal, servido com cogumelos shiitake mega frescos, trouxe consigo uma profusão de frutos do bosque, vermelhos e pretos, todos eles escuros, bem maduros, junto com muitas especiarias, apimentados muito interessantes, realçados por um toque de vegetal seco, a fazer lembrar algo entre folha de chá e rama de tomateiro.

De peso apenas mediano mas concentração mais que satisfatória, escorrega maravilhosamente, penso que em grande parte graças à abordagem algo singular: ataque macio, quase delicado, seguido de um crescendo, elevado por excelente acidez, que culmina num fim de boca francamente bom, muito vivo, sempre sem se descompor — o jeito sóbrio vinca-lhe a aptidão gastronómica.

Em suma, sobejamente interessante, apesar de talvez um furo abaixo do de 2007.

8€.

16,5

domingo, 8 de maio de 2016



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Adega Cooperativa de Borba — Garrafeira '2003

Abati recentemente uma garrafa deste vinho da Adega de Borba. Alentejano de ano muito quente, feito em estilo maduro, pareceu-me melhor e mais vivo que este seu predecessor da colheita de 2001, que aberto em Abril de 2010, já sugeria ligeiro declínio.

Aconchegante sem ser pesado, mostrou boa estrutura e acidez, a trazer consigo todo o sol que a ideia da região sugere e ainda a agradecer tempo para se libertar, dado que após hora e meia de arejamento num decantador, ficou muito mais limpo e definido que logo depois de servido directamente da garrafa.

Assim que se libertou dos cheiros de vinho com idade que inicialmente o marcavam, revelou um leque interessante de aromas expressivos e bons, com excelente concentração de frutos pretos, maduros, em primeiro plano, e depois café, folha de tabaco, pele e tostados aromáticos de madeira, tudo bem ligado.

Se juntarmos a isto o seu sabor macio e surpreendentemente fresco, de persistência bem razoável, será fácil concluir que se trata de um muito bom tinto e avançar que tem tudo para durar mais alguns anos, não obstante me seja difícil apontar, neste caso, para um número em concreto.

Foi produzido a partir das castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, de vinhas velhas, tendo estagiado durante 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. O contra-rótulo refere um estágio final em cave, de 60 meses em garrafa, antes de lançado no mercado. Preciso de mais vinhos destes, feitos com calma.

13€.

17

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Filmes (70)




Um filme rico. Aqui, o nosso herói é Ben, um belga que não gosta de carteiros.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Titular — Touriga Nacional '2012

Comprei este numa passagem mais ou menos recente por Nelas, junto com o Alfrocheiro e o Encruzado do mesmo produtor, que também se revelaram porreiros. O novo Dão em tons clássicos! Ou o que for.

O desfile organoléptico: antes e acima de tudo o mais, amora preta com bergamota e lima. Também violetas e um dedo de especiaria quente, picante: pimenta e cravinho. Por fim, mas não menos importantes, alguns tostados e chocolate escuro, este em crescendo com o tempo de exposição.

Equilibrado na extracção, mas bastante longo e sápido, é um Touriga sóbrio e bem recortado, de sabor macio, impecavelmente seco, fresco e preciso — muito agradável e provavelmente no ponto.

Não sendo um Touriga explosivo ou sequer expansivo, como é mais habitual encontrar-se, provavelmente por ser o estilo que a maioria ainda julga melhor favorecer as caraceterísticas mais apelativas da casta, dá uma bela prova, sobretudo à mesa.

E eu dei-lhe bife do lombo, na pedra. Ao lado, batatas "fritas" no forno, para não sujar, e maionese de alho. Para encerrar, uma frase curiosa que ele me transmitiu, já a garrafa ia bem mais de meia: "possuirá, enfim, as suas peculiaridades de carácter, coisa transversal a gente interessante, apesar de não ser de gente que se trata, mas de um quase grande tinto".

A respeito do seu processo de elaboração, a ficha técnica que existe online refere uvas desengaçadas, fermentação alcoólica em lagares, a temperatura controlada, e estágio de metade do lote final, em barricas de primeiro ano, durante 12 meses. Foi engarrafado em Julho de 2014.

10€.

17

quarta-feira, 27 de abril de 2016





segunda-feira, 25 de abril de 2016

Lagunilla — Crianza '2011

Fundada em 1885 por Felipe Lagunilla San Martín, um dos pioneiros da região na luta contra a filoxera, à data com apenas 24 anos, a adega fica junto ao Ebro, em Cenicero — mais concretamente, aqui.

Em 1994, foi adquirida à multinacional Diageo pelo grupo Haciendas de España. Depois disso, a marca, desenvolvida por United Wineries, ganhou uma base sólida de seguidores, de tal forma que actualmente conta com um volume anual de cerca de 3 milhões de garrafas de Rioja "Crianza" e "Reserva" vendidas.

Composto por 80% de Tempranillo e 20% de Garnacha, este vinho estagiou durante um ano em barricas de carvalho americano.

Servi-o directamente da garrafa, a 16ºC, para dentro de um copo "bordalês" e encontrei algo consentâneo com a imagem que — pareceu-me — o produtor quererá passar.

Relativamente robusto, apesar do volume e persistência apenas medianos, é muito Tempranillo e muito Rioja também. Flui desenvolto, com a intensidade certa, sem esmaecer nem assoberbar e sempre bem fresco.

Iluminado por uma Garnacha que tanto lhe traz alegria ao nariz como um certo amargor de fundo que lhe marca o paladar, tem montes de fruta vermelha, vagamente resinosa, característica do estilo, junto com uma complexidade que vai um pouco além do toque especiado/abaunilhado da barrica, mais claro no fim de boca.

À medida que o fui bebendo, o amargor entranhou-se, ao passo que a sumarência continuou a dar cartas. Clássico fabricado, de cariz popular, este dilecto filho do capitalismo não é, no entanto, luxo de imitação. Trata-se, aliás, de um espécime bem convincente!

Talvez influenciado pelo preço, talvez por outros preconceitos, confesso que esperava menos.

5€.

16

sábado, 23 de abril de 2016





quinta-feira, 21 de abril de 2016

Marquês de Marialva — Baga: Reserva '2010

Este varietal Baga da Adega de Cantanhede foi, em tempos, uma das minhas escolhas quotidianas. Depois, não sei bem porquê, afastei-me deles. O último sobre o qual partilhei algo aqui foi um exemplar da colheita de 2006, em post de 2011. Ora, há dias, tendo-se proporcionado, ocorreu-me ver que tal estaria e trouxe para casa uma garrafa da colheita de 2010, talvez a mais recente à venda. De acordo com a ficha técnica disponibilizada pelo produtor na internet, após desengace total, este vinho fermentou a 28ºC, com maceração "suave e prolongada", tendo estagiado durante 9 meses em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado.

Quanto à prova, cereja madura, bonita, com toque terroso e alguma profundidade. Um pouco de compota, uma ou outra passa e ainda mais discreto fumado. Se as quisermos encontrar, há especiarias; mais concretos, tabaco e café, após algum tempo no copo. Tem peso médio e textura polida, com bom frescor e algum final. Poderá alegar-se que é um bocadito magro, pelo menos para Baga, mas creio que tal seja opção de estilo. Afinal, também é macio desde novo. Acompanhou esta receita de frango com cogumelos, seguida à risca, apesar de toda a tolerância à imprecisão que obviamente terá, e que tantos anos depois, continua a ser das coisas que melhor me sabem. E como quem não quer a coisa, deixou-se beber todo de uma vez. Que potabilidade admirável!

Nessa noite, fui brindado com um sonho vívido. Estava com duas mulheres, de cujas figuras não me lembro, presos num lugar qualquer, cenário que também não havia ou não retive. Tínhamos sido capturados por robôs disfarçados de homens, como existem nos filmes do Exterminador Implacável. A dada altura, estão connosco dois desses robôs, já na sua forma original, grandes, metalizados, de ângulos duros. Um deles agarra uma das mulheres pelo escalpe e rasga-lhe a pele no sentido descendente, como quem descasca uma banana, e descarta a carcaça parcialmente esfolada, a pingar sangue enquanto esperneia no chão, aos ais.

A outra, num instante assiste, junto de mim, à agonia da primeira, e acto contínuo aparece deitada de costas, sobre uma espécie de mesa cirúrgica, com os robôs a operar. Removem-lhe o topo do crânio, expondo o encéfalo, e sei que está acordada, apesar da falta de reacção. Então os robôs agarram-me. Acagaçado, berro que sou um deles e que podem confirmá-lo se me radiografarem o braço direito. De alguma forma, no sonho, era um facto da minha vida que alguém, um dia, por algum motivo, me tinha substituído o braço de carne e osso por um robótico, de aparência exterior idêntica ao natural. Um dos robôs passa-me pelo braço um aparelho de leitura óptica, similar aos scanners de preços portáteis que se utilizam nos supermercados, e confirma o membro não natural. Assumem que sou, de facto, um robô. Levavam-me algures quando o despertador tocou.

5€.

15,5