sábado, 1 de agosto de 2015

Quinta do Corujão '2012

Com o calor, continuo a procurar tintos que sejam fáceis, mas que possuam também certa substância, e este não podia encaixar melhor no pretendido. Apesar de não ser muito maduro, carrega montes de fruta silvestre, doce e cheirosa — para mim, no ponto de concentração ideal, e deixa perceber alguma estrutura, que a acidez da região realça de maneira feliz. O toque terroso, a mineralidade de que outros falam, não sei. Estará lá qualquer coisa que, por assim dizer, não me pareceu conclusiva.

A mineralidade não me pareceu conclusiva. Isto, gente, sou eu a tentar contar a história da minha breve relação com uma garrafa que cheirada, entusiasmou, e depois, bebida, ainda superou as expectativas que tinha acabado de criar.

Nesta edição, as castas escolhidas foram Touriga Nacional e Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, vinificadas em estreme, tendo o produto resultante sido engarrafado sem passar por madeira. Para este e outros projectos, o produtor, MOB (Moreira, Olazabal & Borges, Lda.) arrendou a Quinta do Corujão, em Pinhanços: aproximadamente 10ha de terra e uma adega já conhecida por produzir vinhos porreiros, como este, por exemplo.

5€

16









quarta-feira, 29 de julho de 2015

domingo, 26 de julho de 2015

Bajondillo '2013

Dias depois do do post anterior, tive oportunidade de abrir outro Garnacha/Syrah, este composto em 75% pela primeira, o vinho de entrada das Bodegas Jiménez-Landi, que afirma no respectivo sítio da internet pretender que ele represente a tipicidade do conjunto de vinhas que possui na localidade de Méntrida, centro da denominação de origem com o mesmo nome.

As cepas estão implantadas em solos graníticos, arenosos, pobres em matéria orgânica, ácidos e com pouca cal, a 550-650m de altitude, num lugar de clima continental, com invernos longos e frios e verões quentes e secos. A vindima foi feita em meados de Setembro e as uvas fermentaram durante mais de duas semanas, tendo o produto resultante sido sujeito a um breve estágio, de meio ano, parte em depósitos de madeira com 3000 litros de capacidade, parte em inox.

Domina a fruta vermelha que já começo a reconhecer como marca característica da Garnacha da região, muito doce, com notas de groselha e xarope de framboesa, gomas e rebuçado, completada por sugestões de mato rasteiro e ervas aromáticas, tais como alecrim e menta, secas. Passa pela boca com ligeira adstringência, a sua muito boa acidez a contrabalançar os 14,5% de álcool e a suavizar o fundinho amargo da Garnacha, aqui menos evidente que no da bruxa. É fácil, guloso, de prazer imediato, mas não perdura ou evolui por aí além. Para beber como sumo, mas sendo vinho, e do bom.

Para terminar, a nota de que talvez fosse boa ideia substituirem a rolha de aglomerado que traz por outra, digamos, mais séria. Não que tal seja realmente necessário face aos dois ou três anitos mais em que valerá a pena beber a presente colheita, antes para dar um polimento extra à já boa imagem, tanto deste vinho como do produtor em geral. Seguramente contribuiria para diferenciar ainda mais uma proposta que sendo a mais simples do seu portfolio, é cheia de qualidades.

6€

16,5

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Vignerons du Mont Ventoux — Elite '2011

Há dias, descobri num supermercado cá da terra este Grenache/Syrah da A.O.C. Côtes du Ventoux, que se situa no Sul do Ródano (Rhône). O produtor, que tem presença na internet, indica que as castas foram vinificadas em separado e loteadas depois da fermentação maloláctica, a que se seguiu um ano de estágio em barrica.

Ginja, fresca e em licor, cereja e maçã Gala, cozida. Fruta de terra ensolarada. A amora, pareceu-me, também estava lá, não sei até que ponto por sugestão (li sobre este vinho na net e praticamente toda a gente que lhe tenha dedicado umas palavras fala de amora).

Primeiro, um pouco frio de mais, mas já generosamente arejado, mostrou-se tão balsâmico quanto esbatido. Cresceu em generosidade com o subir da temperatura, mostrou o toque apimentado que é típico do Syrah da região. Cresceu e ficou bastante saboroso, os seus 14,5% de álcool a só se começarem a evidenciar quando já estava bem para lá da temperatura ideal de consumo, a uns 20ºC ou mais, altura em que realmente ficou um bocado chocho, a fruta a desfazer-se em licor e chocolate. Final e concentração, médio+.

É um vinho francês honesto, proveniente de uma D.O. que não está na moda, e que não sendo brilhante, tem interesse, talvez mais ainda para os curiosos que valorizam o factor diferença.

5€

15

domingo, 19 de julho de 2015












Aos que não gostam de ver as garrafas perdidas por entre estes relatos dos nossos passeios, http://putobebe.blogspot.pt/search/label/Vinho.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Grande Encontro '2008

Este tinto veio da Quinta do Encontro, de São Lourenço do Bairro, Anadia. Ou seja, daqui — o edifício circular onde funciona a adega (e mais) destaca-se na imagem.

Lote de Touriga Nacional, Merlot e Baga, fez a maloláctica em barricas novas, de carvalho francês, onde estagiou 8 meses.

A caminho dos 7 anos, estará na altura ideal de consumo, pelo menos de acordo com o diagnóstico de Roger Voss, da Wine Enthusiast, em Janeiro de 2011.

Intenso, chega repleto de bagas silvestres no limite da madurez e transformadas, chocolate amargo, álcool e mentol. O toque terroso da Baga a só ganhar definição ao beber.

Aí aparece um vinho ainda fresco e bem menos extraído que o que aqueles aromas negros com que se introduz levariam a esperar.

Não obstante a presença agradável, tanto o volume como o fim de boca, apenas medianos. Já bem macio, poderá permanecer mais uns tempos no plateau, mas duvido que melhore.

Foi servido directamente da garrafa, a não mais de 14ºC, e acompanhou uma costeleta de vaca, ao jantar, e um bocadinho de browny, depois.

10€

16

terça-feira, 14 de julho de 2015







sábado, 11 de julho de 2015

Álvaro Castro — Reserva '2011 (Branco)

Este é um branco da "linha moderna" do produtor, elaborado a partir das castas Encruzado, Cerceal e Bical, provenientes das vinhas de Saes e da Pellada, que cobrem 35ha de terreno granítico, ácido, pobre, situado a 500m de altitude, na zona de Pinhanços, mesmo perto de outro produtor muitíssimo interessante, a Casa da Passarella.

Fermentou lentamente após ter sofrido "um longo contacto pelicular no dia da vindima", conforme indica o contra-rótulo, tendo posteriormente estagiado em barrica, com bâtonnage.

Servido directamente da garrafa, surgiu limpo e preciso, contido no nariz, apesar de razoavelmente complexo, a fazer lembrar pêssego e ananás ainda não completamente maduro, rúcula, apimentados e toques de baunilha e coco.

Seco mas suave na boca, ainda possui óptima frescura, bem focada, em harmonia com o seu corpo redondo e algo carnudo. Muito agradável.

Foi bem com uma piza inicialmente pensada para matar restinhos, mas que deu alegrias; levou queijo: Mozzarella e Brie, frango assado, desfiado, cebola, pimento, cogumelos, azeitonas e, claro, bacon.

9€

17

terça-feira, 7 de julho de 2015

Soalheiro '2014

Foi um dia de semana perfeitamente normal, com a excepção de termos ido às compras com a AM. Hipermercado grande, de centro comercial. A garrafeira do sítio não inspirou, mas, enfim, traz-se sempre qualquer coisinha. E foi assim que me decidi por este branco, até porque ainda não tinha provado esta colheita.

No lugar da internet que lhe dedica, o produtor indica que "as uvas de Alvarinho utilizadas no Soalheiro clássico são provenientes de diversas vinhas de pequena dimensão, implantadas em solo de origem granítica, entre os 100 e os 200 metros de altitude e localizadas em microclima muito particular" — protegido de uma influência atlântica mais directa pela cadeia montanhosa do Vale do Minho, nas proximidades de Melgaço, onde o Verão tende a ser mais quente e seco, e o Inverno mais frio, mais continental que no resto da região dos Vinhos Verdes / Rías Baixas.

Este vinho fermentou a temperatura controlada, com leveduras seleccionadas, e foi engarrafado após estabilização, sem qualquer tipo de estágio senão o que lhe vier a proporcionar a garrafa. Directo do frigorífico, veio frio para a mesa, mas logo se mostrou vivaz. Primeiro pêra, rosa, líchia e muita lima, sobretudo ao passar pela boca. Depois, com a temperatura a aproximar-se da ideal, montes de pêra e pêssego, e bem menos lima. Comecei também a sentir-lhe alguma cremosidade. Mais para o fim, os inevitáveis frutos tropicais, mas aí, já nada interessava.

Não é um Soalheiro explosivo, uma bomba de frescura com estrutura, como me pareceram alguns dos seus predecessores (como este, por exemplo). Mas continua a ser um verde de referência, aposta sempre segura na hora de escolher um branco que não comprometa, seja qual for a situação.

9€

16,5

sábado, 4 de julho de 2015