quinta-feira, 16 de novembro de 2017








"A história é filha da morte e mãe da lenda."
— Louis Hillairaud

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Marquês de Marialva — Baga: Reserva '2011 e '2012

Depois do 2010, uma muito sucinta "actualização" a respeito dos Baga "Reserva" da Adega Cooperativa de Cantanhede.


2011: Framboesa, cereja, resina, fumados, café — retrato típico da casta com algum envelhecimento. Amplo e concentrado, pareceu-me ser o maior e melhor dos "Reserva" do produtor que já experimentei até à data. 16,5


2012: Cor granada, com bom corpo e acidez. Não se afasta muito do seu predecessor em termos de cheiros e sabores: sempre muito Baga, tão macia quanto possível, quiçá à procura de consensualidade. Mas pareceu-me não ter tanta substância. 16

De qualidade e estilo consistentes e, claro, bastante elevados, estes vinhos poderão já ser considerados pequenos clássicos da região.

Cada garrafa custou cerca de 5€.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Quinta de la Rosa — Reserva '2013 (Branco)

Gosto dos brancos "reserva" da Quinta de la Rosa com alguns anos — envelhecem bem. O último a ser aqui comentado foi da colheita de 2012, abatido em Setembro de 2016.

Em relação a esse, a composição deste 2013 mudou: a quantidade de Viosinho subiu dos 35 para os 60%, sendo o restante uma mistura de Rabigato, Gouveio e Códega do Larinho em proporções que o rótulo não menciona.

Tal como o seu predecessor, metade dele fermentou e envelheceu em barricas e o restante, em inox. Foi engarrafado em Abril de 2014.

Bebido fresco, primeiro sozinho, em jeito de prova, depois a acompanhar salada de bacalhau cozido a vapor, trouxe consigo flores e ameixa, brancas, pêssego pouco maduro e barrica, granito e humidade, tudo envolvido por um véu de casca de limão. Mais que fruta, sobressaíram os amanteigados, especiarias e cremes da madeira por onde passou.

Considerando que estamos no final de 2017, muito ligeira a evolução evidenciada por esta garrafa. E que engraçado quando um vinho me faz lembrar água da chuva a correr sobre granito (não é inédito).

Na boca, longo e delicado, com bom compromisso entre frescor e redondez. Muito bom.

10€.

17,5

terça-feira, 7 de novembro de 2017








Saímos de manhã cedo para correr, mas não foi possível. O gang não deixou.

sábado, 4 de novembro de 2017

Covela — Escolha '2012

O produtor renasceu cheio de vitalidade. Depois de ter achado duas edições do seu varietal Avesso bem convincentes, foi com sobeja expectativa que abri este "Escolha" tinto.

Lote de Touriga Nacional, Cabernet Franc e Merlot, é um vinho feito à beira Douro: veio daqui.

Vê-se no pedaço de mapa devolvido pela hiperligação um lugar chamado Valadares, que não é a terra do seminário do tio padre Alberto, que, à beira dos 90 anos, vai morrendo de tédio num lar para idosos enquanto sonha voltar para África, onde conhece um casal amigo que, garante, lhe dará guarida. Heh.

Servido logo depois de aberto, trouxe consigo muitos frutos negros, vegetal seco e especiado (Merlot q.b.) e um toque terroso que muito me agradou.

Vigoroso e persistente, cheio de sabor, mas também equilibrado, fino.

Definitivamente gastronómico, a acompanhar um assado de lombo de porco e abóbora (e que boa era a abóbora), escorregou-me pelas goelas abaixo como água por entre os dedos — vede a elegância da aposição de imagens.

15€.

17

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Filmes (83)

Raw





Este ano não houve filme do Halloween. Na noite de 31/10 para 1/11 vimos o filme do Al Berto no centro cultural da parvónia. Uma incursão pelo paneleiro Al Berto ou por Al Berto, o homem, que entre outras coisas também foi paneleiro? Depois a noite falhou e deambulámos por aí, de madrugada. Não foi mau, não, mas não teve filme de terror nem missa satânica com sacrifício ritual (merda para o veganismo).




Dias depois, este francês. "Grave" no original. Muito resumidamente, uma caloira vegetariana de medicina veterinária come um bocadinho de carne no âmbito de uma praxe e começa a gostar. Mas isso é apenas a ponta do iceberg, que afinal, a cena com a carne é coisa de família.




A banda sonora é jeitosinha. Por exemplo "Plus Putes que toutes les Putes" por Orties — este link tem de ser: "Première leçon d'séduction / Être une pute avec éducation / Se moquer des garçons / Préférer l’équitation / S'amuser d'la fellation / Censurer l'appellation / Et assurer pendant l'action, han / Acide citrique et phéromones / Faire grimper le métronome".




Os protocolos dos sábios de Sião não me deixam partilhar um bocadinho no Youtube, "blocked worldwide" — e brinco, obviamente: quem não me deixa partilhar o referido bocadinho no Youtube é o direito: aquilo que é justo, pelos melhores motivos. Ai ai, adiante. Bonitinho, vai direito para a "cake box" da mamã. 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Almirez '2012

100% Tinta de Toro produzido e engarrafado por Teso la Monja, dos irmãos Eguren.

Uvas de cepas com idades entre os 15 e os 65 anos, das zonas de Valdefinjas e Toro.

Vinificação tradicional, com desengace; fermentação com leveduras autóctones; maceração pós-fermentativa; maloláctica e 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês, 30% das quais, novas. Só coisas boas.

Bebido há cerca de um mês atrás, foi ficando no caderninho do álcool. Agora que só me lembro dele por alto, era quente e duro, parece-me melhor reproduzir, a cru, as notas tomadas quando o bebi.

"Escuro, fragrante, muito especiado: o nome assenta-lhe que nem uma luva.

Licor de cereja e chocolate no final, qual sobremesa.

Longo, amplo, texturado e concentrado, de alguma forma acaba por conseguir ser elegante no seu jeito, às vezes meio atabalhoado, de coisa grande.

Um bocadinho agressivo, mas bom. Pede as circunstâncias certas para mostrar o seu melhor."

15€.

16,5

sábado, 21 de outubro de 2017

Druida '2015

Feito por C2O na Quinta da Turquide, em Silgueiros, é um monocasta Encruzado de vinhas com 30 anos, estagiado durante dez meses em barricas, 80% usadas, de carvalho francês.

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Cor clarinha, citrina. Malmequeres, limonado, sílex, pederneira. Intenso e cristalino, quase crocante. Muito limpo, muito fresco, sem o peso ou a oleosidade que tantas vezes marcam os vinhos da casta. Leve, de final longo e bom.

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A garrafa foi sendo drenada à medida que eu ia comendo nigiris, mas, quando um vinho é assim, o acompanhamento pouco importa, a menos que seja escolhido a dedo, para prejudicar. E fazê-lo seria estúpido.

18€.

18

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Nightmares on Wax — Smokers Delight

Nightmares on Wax ou George "DJ E.A.S.E." Evelyn. Um inglês de Leeds.

Este álbum data de 1995, mas envelheceu bem, não soa nada datado, continua montes de fixe.

Acompanhou-nos *tantas* vezes pela EN 111! É, talvez, o nosso disco da EN 111.



Fica a 5ª faixa, "Stars".

E reparem na capa...

domingo, 15 de outubro de 2017

Warre's — Quinta da Cavadinha, Vintage '1996

Propriedade da Symington desde 1980, a Quinta da Cavadinha fica no Cima Corgo, entre o Pinhão e Sabrosa, perto de Provesende. Os seus vinhos são integrados nos Vintage da marca Warre's quando estes são declarados e, em anos secundários, engarrafados como "single quinta".

Este foi engarrafado em 1998.

Tem porte mediano (para Vintage) e frutos pretos, terrosos, com vivacidade, passas, folha de tabaco, chocolate preto e espinafre! — e muito me agradou esse seu tom verdoengo.

Evoluído, com bom corpo e persistência.

Mas isto foi logo depois de aberto. Com o tempo, mais foco e certo carácter mineral, a sugestão — sugestão, mais que impressão, mesmo: poderá ser? — de xisto e giz por entre camadas de frutos negros.

Já passou a fase burra e jamais será glorioso, mas está muito bom!

Foi com bolo de noz e chocolate em barra.

30€.

17,5