segunda-feira, 13 de abril de 2015

Campolargo — Alvarelhão '2012

Alvarelhão da Bairrada, produzido pela casa Campolargo. Desta colheita de 2012, resultaram 2800 garrafas de 75cl, não numeradas.

A casta, pobre em compostos fenólicos, dá vinhos de cor pouco concentrada e estrutura mediana, pautados por untuosidade característica e praticamente sem capacidade de envelhecimento.

Apesar de ter sido bastante popular noutros tempos, tanto em Portugal como em Espanha, acabou por dar lugar a variedades mais fáceis de trabalhar, de maior rendimento e capazes de originar vinhos mais ricos.

Foi servido directamente da garrafa, um pouco mais fresco que a temperatura a que habitualmente bebo tinto. A cor, um vermelho escuro e pouco saturado. Cheirado, frutos vermelhos, incluindo sugestões bem limpas de cereja e morango, mato seco, rasteiro, e com ele especiarias. Na boca, firmeza, frescura e um sabor fino, preciso, a confirmar o nariz.

Apesar do corpo ligeiro e final curto, este varietal passou um belo retrato da casta, mesmo daqueles aspectos que terão contribuído para o seu relativo esquecimento. E ilustrou na perfeição a máxima de que um vinho, para ser bom, não precisa de ser grande.

12€.

16,5

sexta-feira, 10 de abril de 2015










domingo, 5 de abril de 2015

Quinta da Fata — Encruzado '2011

Apesar de nunca aqui ter escrito nada sobre ele, este varietal Encruzado, engarrafado após cinco meses de permanência em inox, com bâtonnage, pela Quinta da Fata, de Vilar Seco, Nelas, é um meu muito estimado conhecido, cuja evolução tenho tido a oportunidade de acompanhar.

Desta vez, servido directamente da garrafa, após meia hora no frigorífico, trouxe consigo pêra e vegetal verde em diversas expressões, umas vezes como folhas de árvore, escuras, secas entre papel, outras a fazer lembrar polpa de maracujá, outras ainda, a tomar contornos balsâmicos.

Não adquiriu traços tropicais de relevo (coisas amarelas ou alaranjadas, mais doces) com o passar do tempo no copo, mas, a dada altura, pareceu começar deixar notas de amêndoa amarga, sobretudo no retronasal. Na boca, confirmou a frescura — e está macio como seda.

Acompanhou pão torrado, ora com patê de boletos, ora com queijo de cabra pouco curado, trazidos para a mesa em jeito de entrada e a que se seguiu um salteado de peito de frango e bróculos, com arroz branco. Enfim, mais um jantar sumário, daqueles de meio da semana, que nunca poderão ser rápidos ou reconfortantes de mais.

7€.

17

quinta-feira, 2 de abril de 2015




quinta-feira, 26 de março de 2015

Domini '2012

Este tinto jovem vem da Quinta de Mós, propriedade do Douro Superior adquirida pela José Maria da Fonseca em 2000.

Lote de Touriga Nacional (48%), Tinta Roriz (30%) e Touriga Francesa, a colheita de 2012 rendeu 40000 litros de vinho, que foi engarrafado em Novembro de 2013 após estágio de 3 meses em madeira nova de carvalho francês.

Bastante limpo e directo, com esteva e cereja, o fruto bem maduro e em doce, cada vez mais escuro e evoluído com o avançar do tempo no copo, até eventualmente se esfumar naquela mescla indefinida de frutos negros e balsâmicos que é comum encontrar nos seus pares.

A reforçar o estímulo olfactivo, as flores rasteiras e algum do químico aromático das Tourigas que o constituem. Na boca é macio e muito frutado, agradavelmente macio. Simples, para beber sem pensar, e sempre interessante para casar com um bife.

6,50€.

15,5

sábado, 21 de março de 2015

Filmes (60)




White trash mexicana (?)

domingo, 15 de março de 2015

Condado de Haza — Crianza '2010

A propriedade, situada à beira do Douro, perto de Roa, na província de Burgos, conta com cerca de 200 ha de vinha disposta em volta da adega, à maneira dos châteaux franceses. Por baixo, a quase 30m de profundidade, ficam as caves onde estagiou o vinho em apreço, monocasta Tempranillo com 14% de teor alcoólico, que foi engarrafado em Maio de 2012, após estágio em carvalho americano.

Muito escuro, abriu com licor de amora, frutos negros em compota, baunilha e alcatrão. No entanto, face à concentração evidenciada, esperava que projectasse mais aroma. Presença robusta na boca, com acidez suficiente, pelo menos para já, e estrutura bem tecida, não lamentei tê-lo aberto para acompanhar as costeletas de cordeiro (espanholas) que a S. tinha preparado para o jantar. O final, médio/longo e ligeiramente amargo, fez lembrar cacau.

Horas depois, a fruta afirmava-se mais na boca, com sua dose de entusiasmo, talvez o permitido pelo recorte "negro". Mas o calor, a madeira, o alcatrão, o cacau, pareceram-me os mesmos de quando a garrafa quase tinha acabado de ser aberta. Ficou um fundo na garrafa, que bebi no dia seguinte, logo de manhã, com pão e um chouriço de carne, bem curado, da Guarda. E se manteve o perfil, perdeu definição. Na altura, a propósito, rabisquei "um corpo escuro e indiferenciado, com toque de oxidação. . . como que a desconjuntar-se".

Poderá evoluir bem, se a estrutura não secar. Não obstante, no imediato, esperava melhor.

10€.

16

sábado, 7 de março de 2015

Château Quimper '2010

Este lote de Merlot e Cabernet Sauvignon é um dos vinhos da cooperativa de Saint-Seurin-de-Cadourne, comuna localizada uns 5 Km a norte de Saint-Estèphe, e chegou à minha mesa por meio do gigante (às vezes) gentil que é o LIDL.

Agradeceu o par de horas que o deixei passar em decantador, para respirar, isto depois de uma primeira garrafa me ter parecido algo árida logo depois de aberta e com um grande vazio "no meio" ao segundo dia.

Franco e muito limpo, trouxe consigo groselha misturada com laivos de outros frutos vermelhos, o toque verdoso do Cabernet, aqui sem pimento, e com o subir da temperatura, licor, café e ligeiro fumado, provável marca do ano passado em barrica.

Mas aquilo de que mais gostei foi uma mineralidade característica que ainda me resulta difícil de definir, não obstante encontrá-la com frequência nos vinhos da região, mesmo naqueles que não são nada de especial.

Empurrou o jantar de um dia de semana: Grana Padano e sanduíche de lascas finas de pá de porco, assada em vinho branco, dentro de pão naan (pré-embalado) de alho e coentro, deste, com os molhos e vegetais da praxe.

6€.

15,5

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Green Velvet (2)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Moscatel de Setúbal "Armagnac" '2004

Na ficha disponibilizada pelo produtor lê-se que "em 1998, Domingos Soares Franco decidiu que era altura de evoluir no Moscatel de Setúbal. Então, iniciou 5 anos de ensaios em que, com uvas da mesma vinha, fez vinho com 4 tipos de aguardentes diferentes: uma neutra, outra de origem da região de Cognac, outra de origem da região de Armagnac e um quarto lote com 50% destas últimas. Após 5 anos de provas, prevaleceu a do Armagnac, pela sua subtileza, frescura, complexidade e harmonia."

Servido a 12ºC, trouxe consigo, para além das flores brancas e casca de laranja cristalizada, a par das notas meladas e de frutos secos que se vão pronunciando nos bons moscatéis com o passar dos anos em madeira usada, um certo travo que acho típico do Armagnac, que no nariz faz lembrar, a grosso modo, cola, e na boca parece transmitir certo toque salino. O sabor, como não podia deixar de ser, é doce e glicerinado, mas mais fresco e assertivo que o do Roxo do post anterior. E isso é porreiro.

À mesa, aceitou coisas mais intensas que o seu já referido parente. Ligou divinamente com pão de ló, por exemplo.

PVP recomendado, 18,95€.

17