sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Chimay Bleue / Grande Réserve

Escura. Logo depois de vertida, bastou olhar para a capa que se havia formado no copo para perceber estar perante coisa séria.

Espuma espessa, de cor bege, fofa, firme e persistente. O ataque, intenso e vagamente alcoolizado, coisa normal numa cerveja com 9% de volume alcoólco, encheu-me a boca de caramelo e passas de uva e tâmara, figo e outros que tais. Esta apenas trouxe coisas boas. A bolha ligeira, o sabor rico, o corpo largo e untuoso — tudo coisas de cerveja grande e sem falhas.

Notei que lhe faltava distinção naquele amargor característico do lúpulo e que por norma me cai bem, certamente por opção de estilo, e que, pelo menos desta vez, não terá feito grande falta.

Muito complexa, ainda parecia longe da morte quando acabei a garrafa, uma boa hora e meia depois de a ter aberto, e sempre sem rolha. 9€/75cl.

domingo, 25 de Maio de 2014

Vitalic — Rave Age

Vitalic, nascido Pascal Arbez, em 1976, é um DJ e produtor musical francês de música electrónica. Lançado em 2012, este é o seu álbum mais recente.

Foi o disco que mais nos acompanhou nas últimas férias. Os passeios pelas entranhas do nosso adorado interior norte. São coisas que não vale a pena relatar, antes guardar na memória, sem demasiado empenho.



Durante um desses passeios, a dada altura, fim de tarde, estava já escuro, observa a S que se houvesse uma rave de Boos, de certeza que era assim.

sábado, 17 de Maio de 2014

Matsu — El Recio '2011

Matsu, que em japonês significa esperar, é o nome da adega que produz este vinho, iniciativa que pretende conjugar uma filosofia oriental, inspirada na paciência e no respeito, com técnicas modernas de agricultura biodinâmica.

Actualmente, constituem a colecção do produtor três tintos: El Pícaro, o jovem, é forte e valente, descarado e incontrolável. El Viejo, o reserva, representa a plenitude e a sabedoria. E deste El Recio, representante da geração intermédia da trilogia, espera-se que junte com sucesso a potência da juventude à experiência da idade para expressar serenidade, perseverança e força.

Varietal Tempranillo (Tinta de Toro) proveniente de cepas com perto de cem anos, desde cedo se fez notar um caldo bastante trabalhado, intenso e macio, de taninos finos, cheio de frutos negros maduros, bem ricos, licores de groselha e cereja ligeiramente amarga, com cacau e essência de baunilha em jeito de tempero.

Custou 17€ em nova visita ao Beeca, onde acompanhou salada quente de legumes com ovo e presunto ibérico, primeiro, e depois almôndegas de rabo de boi.

17

sexta-feira, 9 de Maio de 2014

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Espumante Rosé de Moscatel Roxo '2012

É um espumante rosé, seco, produzido a partir da casta Moscatel Roxo pelo método de cuba fechada.

A cor é salmonada, ligeira. No nariz, tem maçã, talvez morango, e quase certamente manga e marmelo. Faz espuma farta e muito viva, mas nem por isso fofa ou persistente.

Ora, é possível que a nota final pareça pouco consentânea com o discurso que a precede, que infelizmente me saiu algo falho de entusiasmo.

Questões de estilo. Apesar de ser, talvez, ainda, uma curiosidade, diria que este vinho cumpre perfeitamente aquilo a que a propuseram.

PVP recomendado, 13,95€.

16

sábado, 3 de Maio de 2014

domingo, 27 de Abril de 2014


domingo, 20 de Abril de 2014

Brancos de 2013 da José Maria da Fonseca (1) — BSE, Periquita e Montado

As garrafas foram oferecidas pelo produtor e em todas encontrei juventude, polimento, peso mediano e boa aptidão para acompanhar petiscos.

Lote de Antão Vaz, Fernão Pires e Arinto, de nariz suave e paladar equilibrado, com frutos brancos, o Branco Seco Especial mantém o perfil que sempre lhe conheci (atenção que ainda sou novo). E continua, para mim, a ser o mais fácil, o mais fresco e também o mais versátil destes três vinhos.

O Periquita, feito de Verdelho, Viognier e Viosinho, estará ainda um pouco mais sóbrio que no ano passado, talvez devido à retirada por completo do Moscatel do lote.

O Montado, proveniente da zona de Reguengos de Monsaraz, muito simples, de toque glicerinado, começou a ser bebido demasiado frio, e aí fez lembrar pêra, mas depois evoluiu para um perfil bem mais reconhecível, bem alentejano, francamente tropical. As castas são Alva, Tamarez e Rabo de Ovelha.

Talvez porque não considero a ligeireza uma objecção, gostei mais do BSE (3,50€, 15), concedendo, no entanto, que será o Periquita (3,99€, 15) o mais redondo e acabado dos três. Quanto ao Montado (2,99€, 14), é vinho de combate, mas daqueles que não comprometem.

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Flavium — Premium '2008

Bebi na semana passada uma garrafa deste varietal Mencía (Jaen), produzido por Vinos de Arganza na D.O. Bierzo, que fica situada a noroeste da província de Castilla y León. É um vinho de 3,50€, que estagiou (mesmo) em barricas durante 18 meses e foi classificado, pouco depois de ter saído para o mercado, com uns generosos 90 pontos por Jay Miller, da The Wine Advocate.

Muito sucintamente, fazem este vinho a cereja, a ginja e o cacau, tudo em tons bem escuros, sendo também manifesta a presença de especiarias doces (canela e outras) e mato balsâmico, com louro e eucalipto. Mais subtis, algumas notas de evolução, como folha de tabaco e couro, tão equilibradas quanto previsíveis.

A par da boa prestação no campo dos cheiros, mostra-se bastante composto na boca, elevado por uma acidez que o torna fresco, apesar de todo aquele carácter escuro já referido, e amparado por taninos macios, bem trabalhados. A relação custo/benefício que representa, na gama de preços em que o colocaram, será praticamente imbatível.

3,50€.

16

sábado, 29 de Março de 2014

Tiga — Sexor

Ocorreu-me há tempos que podia tentar preservar algumas daquelas ideias de merda que surgem quando me estou a charrar na varanda, e sei que não estava presente a intenção de reservar desde logo a possibilidade de um dia aqui vir a deixar algo a respeito, de preferência com um mínimo de préstimo. Pelo menos no princípio, pelo menos em consciência. Mas várias semanas volvidas, apenas um espécime no bloco de notas: Do Haxixe (1). Eu gosto de ter frio. Ter frio faz-me ter cocó.

Mudando de assunto, voltei a ouvir o Tiga regularmente, mas agora gosto. A S. acha que no princípio, quando era novidade, eu dizia que não gostava do Tiga só por ela gostar, mas nunca foi bem assim. É electro com mensagem, polido, dançável, um bocado vaidoso, às vezes fodidamente gay. Mas não necessariamente gay, acho, o que nem sequer interessa, dado que o simples facto de produzir electro com mensagem já torna o Tiga, se não louvável, uma adição interessante ao mundo. Alguns chamam a isto house, e talvez também o seja, de facto.



Ah, o post simples, mega curto, que nada tem de meu excepto palha, e agora também as queixas do costume. O picar o ponto.