quarta-feira, 27 de abril de 2016





segunda-feira, 25 de abril de 2016

Lagunilla — Crianza '2011

Fundada em 1885 por Felipe Lagunilla San Martín, um dos pioneiros da região na luta contra a filoxera, à data com apenas 24 anos, a adega fica junto ao Ebro, em Cenicero — mais concretamente, aqui.

Em 1994, foi adquirida à multinacional Diageo pelo grupo Haciendas de España. Depois disso, a marca, desenvolvida por United Wineries, ganhou uma base sólida de seguidores, de tal forma que actualmente conta com um volume anual de cerca de 3 milhões de garrafas de Rioja "Crianza" e "Reserva" vendidas.

Composto por 80% de Tempranillo e 20% de Garnacha, este vinho estagiou durante um ano em barricas de carvalho americano.

Servi-o directamente da garrafa, a 16ºC, para dentro de um copo "bordalês" e encontrei algo consentâneo com a imagem que — pareceu-me — o produtor quererá passar.

Relativamente robusto, apesar do volume e persistência apenas medianos, é muito Tempranillo e muito Rioja também. Flui desenvolto, com a intensidade certa, sem esmaecer nem assoberbar e sempre bem fresco.

Iluminado por uma Garnacha que tanto lhe traz alegria ao nariz como um certo amargor de fundo que lhe marca o paladar, tem montes de fruta vermelha, vagamente resinosa, característica do estilo, junto com uma complexidade que vai um pouco além do toque especiado/abaunilhado da barrica, mais claro no fim de boca.

À medida que o fui bebendo, o amargor entranhou-se, ao passo que a sumarência continuou a dar cartas. Clássico fabricado, de cariz popular, este dilecto filho do capitalismo não é, no entanto, luxo de imitação. Trata-se, aliás, de um espécime bem convincente!

Talvez influenciado pelo preço, talvez por outros preconceitos, confesso que esperava menos.

5€.

16

sábado, 23 de abril de 2016





quinta-feira, 21 de abril de 2016

Marquês de Marialva — Baga: Reserva '2010

Este varietal Baga da Adega de Cantanhede foi, em tempos, uma das minhas escolhas quotidianas. Depois, não sei bem porquê, afastei-me deles. O último sobre o qual partilhei algo aqui foi um exemplar da colheita de 2006, em post de 2011. Ora, há dias, tendo-se proporcionado, ocorreu-me ver que tal estaria e trouxe para casa uma garrafa da colheita de 2010, talvez a mais recente à venda. De acordo com a ficha técnica disponibilizada pelo produtor na internet, após desengace total, este vinho fermentou a 28ºC, com maceração "suave e prolongada", tendo estagiado durante 9 meses em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado.

Quanto à prova, cereja madura, bonita, com toque terroso e alguma profundidade. Um pouco de compota, uma ou outra passa e ainda mais discreto fumado. Se as quisermos encontrar, há especiarias; mais concretos, tabaco e café, após algum tempo no copo. Tem peso médio e textura polida, com bom frescor e algum final. Poderá alegar-se que é um bocadito magro, pelo menos para Baga, mas creio que tal seja opção de estilo. Afinal, também é macio desde novo. Acompanhou esta receita de frango com cogumelos, seguida à risca, apesar de toda a tolerância à imprecisão que obviamente terá, e que tantos anos depois, continua a ser das coisas que melhor me sabem. E como quem não quer a coisa, deixou-se beber todo de uma vez. Que potabilidade admirável!

Nessa noite, fui brindado com um sonho vívido. Estava com duas mulheres, de cujas figuras não me lembro, presos num lugar qualquer, cenário que também não havia ou não retive. Tínhamos sido capturados por robôs disfarçados de homens, como existem nos filmes do Exterminador Implacável. A dada altura, estão connosco dois desses robôs, já na sua forma original, grandes, metalizados, de ângulos duros. Um deles agarra uma das mulheres pelo escalpe e rasga-lhe a pele no sentido descendente, como quem descasca uma banana, e descarta a carcaça parcialmente esfolada, a pingar sangue enquanto esperneia no chão, aos ais.

A outra, num instante assiste, junto de mim, à agonia da primeira, e acto contínuo aparece deitada de costas, sobre uma espécie de mesa cirúrgica, com os robôs a operar. Removem-lhe o topo do crânio, expondo o encéfalo, e sei que está acordada, apesar da falta de reacção. Então os robôs agarram-me. Acagaçado, berro que sou um deles e que podem confirmá-lo se me radiografarem o braço direito. De alguma forma, no sonho, era um facto da minha vida que alguém, um dia, por algum motivo, me tinha substituído o braço de carne e osso por um robótico, de aparência exterior idêntica ao natural. Um dos robôs passa-me pelo braço um aparelho de leitura óptica, similar aos scanners de preços portáteis que se utilizam nos supermercados, e confirma o membro não natural. Assumem que sou, de facto, um robô. Levavam-me algures quando o despertador tocou.

5€.

15,5

terça-feira, 19 de abril de 2016





domingo, 17 de abril de 2016

Quinta da Fata — Encruzado '2013

Bem limpo nos aromas limonados e vagamente florais, silvestres, possuidor daquela profundidade indefinida a que muitos chamam mineral e que talvez faça, de facto, lembrar sílex, está um branco macio e gordinho, mas também contido e tenso, como um gato que se arqueia antes de saltar.

De intensidade e persistência medianas, tem um fim de boca muito fresco, com ligeiros apontamentos de amêndoa amarga. Está, sem dúvida, muito agradável, mas toda aquela seriedade que o marca, a raiar a circunspecção, deixa a ideia de que possui mais substância que aquela que acaba por transmitir.

E é sobretudo por isso que julgo estar um furo abaixo do seu antecessor da colheita de 2011, aqui publicado há um ano atrás.

Em todo o caso, estamos perante mais um belo vinho da Quinta da Fata, propriedade sita em Vilar Seco, perto de Nelas, que existe desde o final do século XIX e inclui aproximadamente 6,5 ha de vinha, junto com uma pequena pousada, que funciona na casa da quinta.

Varietal Encruzado, a única casta branca cultivada pelo produtor, este vinho fermentou em inox e barrica, com bâtonnage, durante 5 meses. O contra-rótulo di-lo ligeiramente filtrado, mas não estabilizado pelo frio, antes do engarrafamento; resultou com 13% de volume alcoólico.

Acompanhou assado de cantarilho, peixe do género Sebastes, também conhecido como red fish, com batatinhas, no estilo deste. Simples e bom.

7,50€.

16,5

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Sonic Youth — Hits Are for Squares

Sonic Youth foi uma banda nova-iorquina que existiu entre 1981 e 2011. Pessoal pouco dado a "hits", foram, no entanto, conseguindo alguns, ao longo da sua carreira.

A dada altura, chegaram a abrir concertos dos Pearl Jam, e ter sido assim e não ao contrário ilustra bem a merda que o mundo consegue ser.



O álbum do post de hoje tem a peculiaridade de ser uma espécie de "best of" decidido por outros artistas, mais ou menos famosos.

Das 16 faixas do disco, deixo aos putobebenses a primeira, escolhida por Catherine Keener, uma actriz que, entre outras coisas, entrou no interessante "Into the Wild", adaptação do livro com o mesmo nome, que trata da vida e morte de Christopher McCandless, um indivíduo que decidiu divorciar-se do mundo no lugar errado.

A canção chama-se Bull in the Heather, teve direito a videoclip, com a gaja das Bikini Kill, e foi o single do álbum de 1994, intitulado "Experimental Jet Set, Trash and No Star", produzido por Butch Vig — o baterista dos Garbage! — e, dizem, aquele que mais vendeu nos EUA até à despedida, perdoem-me o abuso de linguagem, da banda, com "The Eternal".

E apesar de vestir a pele de um qualquer feitiço da natureza, parece que é

... tell me that you can't afford me, time to tell your dirty story, time for turning over and over, time for turning four leaf clover ...

sobre pinar.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Marqués de Riscal — Sauvignon '2012

O produtor adianta que o processo de elaboração deste monocasta Sauvignon Blanc foi idêntico ao do seu Verdejo, também de Rueda: após uma primeira maceração a frio, o mosto, clarificado, fermentou lentamente, a baixa temperatura, entre 13ºC e 15ºC, tendo o vinho resultante permanecido em contacto com as borras finas, para ganhar volume, antes de ser engarrafado.

Por natureza, é um branco jovem, pronto a consumir logo depois de lançado no mercado. Não precisa de tempo para se revelar; aliás, raras vezes a macieza, envolvência e eventual acrescento de complexidade que este tipo de vinho possa ganhar com o tempo de guarda compensam o viço que inevitavelmente se perde.

E assim, agora que está com quase quatro anos de idade e provavelmente no fim do seu intervalo de consumo óptimo, apesar de ainda não evidenciar cansaço, certamente em virtude da grande acidez que apresenta, terei de admitir que gostei mais dele quando o conheci, há aproximadamente dois anos atrás: um vinho brilhante, muitíssimo fresco e vagamente untuoso, de carácter varietal perfeitamente definido, com os tons verdes das pirazinas em destaque, acima de tudo por nunca lhe ter percebido uma marca definidora "frutada", e que logo passou a fazer parte das nossas escolhas habituais.

Aparte a acidez mais assertiva, diria que manteve o perfil do seu predecessor de 2011. Embora retenha boa parte da força que sempre o caracterizou, a base citrina está mais doce, a derivar em pêssego e tropicalidade, esta última quando a temperatura do líquido no copo sobe. O verdor, que antes era herbáceo, vincado, com um ponto picante, agora evoca sumo instantâneo, "Tang" de maracujá. Ainda interessante, com bom final, consuma-se antes que amoleça.

8€.

16

sábado, 9 de abril de 2016

Filmes (69)




De Andrey Zvyagintsev. É um filme que nos recorda que Deus vê tudo, sabe de tudo e pune de maneira terrível os crimes cometidos. O lugar onde colocaram a casa do nosso herói fica aqui; a propósito, estas fotos têm o seu interesse.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

La Fleur Pauillac '2011

Constituído maioritariamente por Cabernet Sauvignon, misturado com Cabernet Franc e um pouco de Petit Verdot, engarrafado sem passagem por madeira, este é o segundo vinho da Cave La Rose Pauillac, cooperativa fundada em 1933, em Pauillac, comuna e denominação de origem do Haut-Médoc, situada na margem esquerda do  rio Garonne e do estuário da Gironda, uns 40Km a norte de Bordéus.

Muito sóbrio, sugere o clima oceânico da região, as chuvas abundantes e bem distribuídas ao longo do ano a garantirem verões frescos e húmidos. Traz cereja e groselha, vermelhas, com limpidez e profundidade decentes, tabaco, moca e ligeiro travo animal — suor e bosta de herbívoro, que na devida proporção, como aqui acontece, jamais poderiam constituir defeito.

Dá uma prova de boca estranhamente cativante, sobretudo ao considerar que é um vinho bastante simples, algo ligeiro e ao mesmo tempo um bocadinho rústico. Talvez por ser tão fresco e coeso, talvez por eu ter um fraco pela generalidade dos estilos de Bordéus. É amigo de carnes e queijos brancos e passará, com certeza, dois ou três anos até que comece a evidenciar decadência, mas muito me surpreenderia vê-lo melhorar até lá.

Se se tiver em conta em conta o nome da sua origem, não se pode considerar caro. Porém, em concreto, que vale o nome da origem quando o que se aprecia é o líquido que está dentro da garrafa? E a verdade é que é fácil encontrar coisas bem mais interessantes, das mais diversas proveniências, outras zonas de França incluídas, na gama de preços em que o colocaram.

Assim, vale pela curiosidade ou, como veio a acontecer neste caso em concreto, quando quem o vende começa a notar dificuldade real em escoá-lo, a possibilidade de o comprar a preço de saldo: a primeira garrafa, que adquiri logo no início da feira de vinhos franceses que o LIDL promoveu no final de 2014, custou 12€, mais ou menos o mesmo que o produtor pede por ele na respectiva loja online; meses depois, comprei mais algumas, a menos de 5€ cada.

15,5