sexta-feira, 14 de julho de 2017




Não me interpretem mal: ele ainda não morreu.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Tons de Duorum '2016 (Branco)

Lote constituído por 30% de Viosinho, 25% de Rabigato, 2% de Verdelho, 20% de Arinto e 5% de Moscatel Galego, este vinho é feito na Quinta de Castelo Melhor, perto de V.N. de Foz Côa.

Cor citrina.

Limonado e floral. Flores silvestres, rasteiras, daquelas amarelas e brancas, de cheiro contido e sabor amargo, que há em todo o lado.

Depois, mas também com certa forma de destaque, o perfume do Moscatel. Só 5%, heh?!

Ademais, fresco e gordito, com alguma substância.

É um branco fácil, mas também simples. Alongar-me numa sua descrição seria forçar.

Gostei mais dele com stir-fry que com certo queijo de cabra meio curado, de Ródão, que lhe "puxou" um lado doce que, não se vá à procura dele, está muito bem arrumado.

Foi enviado pelo produtor, que recomenda um PVP de 3,99€.

15,5

sábado, 8 de julho de 2017

Pouca Roupa '2016 (Rosé)

Declaradamente jovens, os vinhos "Pouca Roupa" situam-se entre o "Lóios" e o "Marquês de Borba" no portefólio dos vinhos João Portugal Ramos.

Este rosé alentejano foi feito com Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Não passou por madeira.

Salmão clarinho, de aroma limpo, com ênfase nos frutos vermelhos — variações de morango — e corpo leve e fresco, talvez seja o vinho mais fácil de beber de que me consigo lembrar.

O paladar, alegre sem açúcar solto, tem boa entrada, quase nenhum "meio" e final agradável.

Mega simples, elegante na sua fugacidade e extremamente jovial, metido num balde de gelo, dará um grande vinho de praia ou piscina.

À minha mesa, protagonizou um encontro incomum: com estes "steamed eggs with peppermint".

Ovos! Phear! Mas correu bem: a acidez suficiente para cortar a riqueza "fofa", não gorda, do prato, os taninos a não aparecerem, o final a limpar a boca.

Foi enviado pelo produtor, que recomenda um PVP de 3,99€.

15,5

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Um post sobre quatro whiskies

"There is no bad whiskey. There are only some whiskeys that aren't as good as others." — Raymond Chandler



Andava a pensar, faz já algum tempo, em deixar aqui qualquer coisa sobre os whiskies que abati, em casa, nos últimos dois meses (ou isso). E agora proporcionou-se! :)

Adquiri o gosto pelo whisky muito antes de pelo vinho, mas nunca o cultivei da mesma forma, por motivos vários. A juntar à espectacularidade do vinho, a cultura do meio onde cresci, o mercado — que inclui, mas não se limita ao preço —, considerando o facto de não gostar de água a acompanhar comida, a saúde...

De qualquer forma, acabam sempre por cair aqui uma ou duas garrafitas de whisky por mês. Embora não explore muito, achei que o reparo podia ter interesse: ultrapassada há vários anos a fase da pretensa utilidade, digo, da comida, este blog tem sido vinho, xadrez, vinho, filmes, vinho, vinho, o ocasional passeio mudo, vinho...

E uma vez ocorreu-me incluir gajas, mas a S. convenceu-me de que não era boa ideia. Não por ela, obviamente a primeira a não se comparar a um mapa de bits, mas para não vulgarizar as coisas. De facto, se gajas, como? Ou melhor, até onde? E qual seria o próximo passo? Futebol?

Dito isto, segue um punhado de impressões acerca dos últimos quatro whiskies que abri e usei em ambiente doméstico, que acabaram por ser os únicos dignos de nota a cruzar-me as goelas nos últimos tempos. Quatro "single malt" relativamente simples e jovens — não sou foodie, drinkie, gourmand ou coisa que o valha: a exploração é incidental.



Glenmorangie, 10 anos. Envelhecido em cascos de Bourbon, é a proposta de base da destilaria Glenmorangie, de Tain, povoação do condado de Ross-shire, nas Highlands escocesas. Destas quatro, foi a primeira garrafa que comprei e também a que acabei primeiro, de tal forma que, quando fui por ela, para a fotografia de grupo, já tinha ido — restava o tubo. Apontei a seu respeito ser "fodidamente etéreo, com 43% de volume, mas suave, o calor do álcool pouco pica, comparativamente. Baunilha, toffee e tal, mas frutado, frutado na medida em que um whisky poderá sê-lo: frutado, não cerealífero". A observação vale o que vale, mas o whisky é bom, encorpado e possuidor de um toque "salgado" que encontro sempre muito agradável.

Glenfiddich, 12 anos. Também é o produto de base da marca, feito na destilaria que lhe dá o nome, em Dufftown, Speyside. Dourado, mais escuro que o Glenmorangie — caramelo? mais caramelo? — mas também mais magro. Para além dos aromas normais, de whisky, faz lembrar mel, flores e pêras. Mas apesar de "só" ter 40% de volume, mostra mais o calor do álcool, será o que mais queima dos aqui presentes. Apesar de ser um whisky redondo e universal, feito para agradar à maior quantidade possível de consumidores, acho-o bastante raçudo e gosto disso.

Glen Moray, Port Cask Finish. Este vem da destilaria Glen Moray, que fica à beira do rio Lossie, em Elgin, Speyside, e não traz indicação de idade, ou seja, é relativamente novo e salientar esse facto não seria uma boa estratégia de marketing. Após o seu envelhecimento "normal", passa 8 meses em cascos onde já repousou Porto Cruz, tawny. Tem cor rosada, muito bonita, e é razoavelmente intenso e persistente — mas não tão cheio de si como o Glenmorangie nem tão fogoso como o Glenfiddich. Cheira muito a baunilha doce e a qualquer coisa que, de facto, remete aos frutos vermelhos, enfiados no fundo de uma tigela de flocos de aveia.

Cardhu, 18 anos. Outro Speyside, este de Archiestown, Moray. A marca pertence ao grupo Diageo, que causou controvérsia em 2003, ao começar a comercializar uma mistura de vários whiskies de malte sob a designação "pure malt", mantendo o nome e a imagem do seu "single malt", cuja produção, entretanto, interrompera. Tal ratice foi fortemente contestada e o "malte de mistura" ganhou uma imagem diferente do "single malt" autêntico, tendo a destilaria de Cardhu voltado a produzir "single malt" a partir de 2006 — fonte. Ora, este é "single malt", não "pure malt" e, a meu ver, muito bom: longo, redondinho e razoavelmente complexo, a juntar à base expectável, frutada, um toque de fumo e pastelaria / especiarias "doces". Sem dúvida, o mais suave, o menos ardente dos presentes.

Gostando de todos, não o faço como se de filhos se tratassem: prefiro uns aos outros. Globalmente, e sem grande surpresa, tendo em conta o preço, o Cardhu é o que encontro mais agradável, apenas um furo acima do Glenmorangie por via da suavidade (termo que não é tabu numa nota de prova, mas...) e dois acima do Glenfiddich, que apesar do "sharp burn" na boca (outro termo que não encontra equivalente nas notas de prova de espirituosas em português, apesar de ser comum em inglês, independentemente da respeitabilidade das fontes) acaba por ser melhor compra que o Glenmorangie face aos 10/15€ de diferença entre eles. O Glen Moray, que, pelo que vi na net, "lá fora" está no mesmo escalão de preço que os dois "Glen" supra, consegue obter-se "cá dentro" algo mais barato, a 15-20€, o que o torna uma espécie de favorito para o dia a dia.

domingo, 2 de julho de 2017

Um post sobre quatro azeites

Não sou um entendido em vinhos, limito-me a partilhar aqui uma ou outra experiência do quotidiano. Mesmo assim, de vez em quando, há entidades que entendem poder este espaço contribuir para a divulgação dos seus produtos.

Coisa que não me podia desagradar, embora o meu interesse em ser mais que apenas ainda outro apreciador que partilha algo sobre o que come e bebe, quando apetece, seja zero.

Dito isto, é a segunda vez na história deste blogue que me enviam um azeite. E se não me considero um entendido em vinhos, então em azeites...

Mas uso e gosto. Gostamos. Fazemos questão de ter sempre bom azeite cá por casa. E acontece até já ter participado numa prova, coisa complicada e da qual, creio, não retive muito.

Tal como no vinho, se a prova, o entendimento, tem muito que se lhe diga, o acto de provar é simples: verte-se uma porção de 10 ou 15ml de cada um dos azeites para dentro de seu copinho, copinhos esses que "profissionalmente" são escuros, azuis, de modo a que a cor não influencie o resultado, aquece-se com as mãos para libertar tantos voláteis quanto possível, cheira-se e leva-se à boca.

Não se deglute, dizem eles, mas tomam-se notas, se for caso disso, e um bocadinho de maçã verde, com ou sem água a empurrar, entre espécimes, para limpar o palato.

Importa notar a intensidade, por assim dizer, a força do azeite, e a sua harmonia também. O cheiro, mais verde ou mais maduro, que faz lembrar? Atentar à textura, ao "peso" do fluido. Sentir o doce, o amargo, o picante. E ter atenção à questão do ácido, que o sabor do azeite não denuncia a sua acidez, mesmo que ela esteja lá.

Ora, em vez de uma nota de prova isolada e de maior detalhe, que não sei até que ponto poderia ser fiável, fiável no sentido de "honesta consigo própria", pareceu-me mais interessante comparar os azeites que tinha em casa, sendo o mais sucinto possível nas suas descrições.

Quatro azeites, dois alentejanos e dois transmontanos. Todos "virgem extra", extraídos a frio e com acidez máxima de 0,2%, à excepção do "Rosmaninho" do rótulo com letras vermelhas, que tem 0,5%.




Por ordem, houve então:

Casa de Santa Vitória "Gourmet". Produzido na Herdade da Malhada, Sta. Vitória, Beja. Cobrançosa, Cordovil, Picual e Galega. Muito redondo, com toque levíssimo de maçã e verdor apenas residual, pareceu-me o mais maduro dos quatro. Pungência zero. Mas se é equilibrado na suavidade, também poderá haver quem o acuse de "blandness".

Rosmaninho, letras verdes. Produzido pela Coop. de Olivicultores de Valpaços, a partir de azeitonas Madural, Cobrançosa e Verdeal. Aroma mais intenso que o do Santa Vitória e mais verde também, com menos finura nas notas frutadas, mas, globalmente, mais raça. Levíssimo amargor, que cai bem.

Rosmaninho, letras vermelhas. De acordo com o contra-rótulo, mesmo lote e processo de extracção do anterior. E pareceu-me igual a ele. Ou quase, mas um quase que não me convenceu e, em todo o caso, não saberia traduzir por palavras. Sendo os azeites mais subtis no paladar que os vinhos, é expectável que seja também mais difícil apontar as diferenças entre eles, a menos que se tenha muita prática ou se seja algum tipo de sobredotado.

Oliveira Ramos "Premium". Um azeite da marca João Portugal Ramos. As azeitonas, Cobrançosa e Picual, da região de Estremoz. Equilibradíssimo, mas talvez o mais frutado dos quatro presentes, ou, melhor dito, o com mais sabor. Sugere, de facto, o verdor vegetal e a maçã indicados na nota de prova que o acompanhava.

Em prova sem vencedores nem vencidos claros, por muito pouco, gostei mais do Oliveira Ramos e do Rosmaninho "verde", que me pareceram os mais aromáticos, tanto em força como em complexidade, sem que isso lhes tenha custado finura.

Mas, sem tretas, são todos bons, muito bons. De tal forma que, se por algum capricho de um deus subitamente focado em mim, tivesse de me servir apenas de um deles para o resto da vida, a gratidão teria de continuar lá e não sentiria qualquer diferença.

Andava a pensar, faz já algum tempo, em deixar aqui qualquer coisa sobre os whiskies que abati, em casa, nos últimos dois meses (ou isso). Acho que agora é que vai ser! :)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Azienda Agricola Basilisco — Teodosio '2010

Basilicata, ou Lucânia, é uma região da Itália meridional que faz fronteira a sudeste com o mar Jónico, a este com Apúlia, a oeste com Campânia, a sudoeste com o mar Tirreno e a sul com a Calábria. Este vinho, produzido pela Azienda Agricola Basilisco, de Barile, trazido até nós sob a D.O. Aglianico del Vulture, vem de lá.

Monovarietal de Aglianico criada em terreno vulcânico, a 500m de altitude, fermentou em inox e estagiou "10-12 meses", citando o produtor, em barricas de segundo e terceiro ano. Vem vedado com rolha DIAM.

Fruta em primeiro plano, cereja "seca" de carácter muito mediterrâneo, que me trouxe à memória os poucos Cannonau da Sardenha que experimentei.

Com ela, cacau, folha de tabaco e grafite. Vago almiscarado. Apesar de não muito amplo, bouquet exótico e interessante.

Enche mais de meia boca, com um "miolo" intenso e focado, cheio de personalidade, que alguns poderão entender como abrupto, talvez. O álcool e a acidez sentem-se e os taninos são finos, mas bem presentes. Bastante persistente, acalma um pouco depois do embate inicial.

Proporcionou uma sensação curiosa: à medida que ia sendo consumido, sem que o acompanhamento mudasse, houve momentos em que pareceu ser o álcool o condutor da sua força, com a acidez a refrescá-lo, por assim dizer, a compensar. De outras vezes, pareceu ser a acidez a puxar por ele, independentemente do álcool.

Vivo e bom ao segundo dia — pouco diferente da noite em que foi aberto, talvez mais calmo.

Em suma: forte (sem ser um monstro) e original. Não sei se vale os 93 pontos que a Wine Advocate lhe atribuiu em Abril de 2015, mas será difícil não gostar dele.

12€.

17

segunda-feira, 26 de junho de 2017

dEUS — Worst Case Scenario



And there's always something in the air
Sometimes suds and soda mix okay with beer
Can I, can I break your sentiment?


#2, Suds & Soda

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tinto da Talha — Grande Escolha '2010

Um "premium" da Roquevale, de Redondo. Há muito que não revisitava este tinto, que continua a não enganar.

Feito na edição de 2010 com Aragonês e Touriga Nacional, vinificadas em separado, embora celebre a tradição romana, que ainda vigora na região, do uso da talha, não viu barro, mas um breve estágio, de cerca de três meses, em barricas novas de carvalho francês e americano.

Cor rubi, sem grande opacidade ou mostras de evolução.

Nariz tipicamente alentejano, com frutos pretos, vegetal seco, madurez, especiarias "quentes" e um aroma etéreo, entre o floral e o químico: certamente da Touriga, mas nada tourigão.

Na boca, porte mediano e carácter capitoso, mau grado a acidez. Tem alguma textura e termina satisfatoriamente longo e especiado.

Indo bem com comida, mesmo pratos robustos, não exige a sua presença para se deixar apreciar. No meu caso concreto, acompanhou bifanas, primeiro, e uma interpretação próxima desta do infame "chicken parmesan", depois.

Em ambos os casos, escorreu "como água sobre as lajes".

Escrevi aqui a respeito de um 2003 notável: colheita que, diz a internet, continua em bom plano. Que pena não ter guardado!

7€.

16,5

terça-feira, 20 de junho de 2017





sábado, 17 de junho de 2017

Pérez Barquero — Gran Barquero, Amontillado

100% Pedro Ximénez. A respeito do seu processo de produção, ficam as informações constantes da ficha técnica que o produtor disponibiliza online:

"Selección de mostos de “yema”, fermentación natural a temperatura controlada y sin necesidad de encabezado. (Similar a la del Fino ya que, en definitiva, es un Fino viejo que tras un largo periodo de crianza biológica bajo velo de flor, ha realizado otra etapa, aún mayor, de crianza oxidativa)"

e "Crianza Biológica bajo velo de flor (>10 años) seguida de envejecimiento oxidativo (>15 años). Los dos procesos tienen lugar en botas de roble americano de 500/600 litros de capacidad y mediante el sistema de criaderas y soleras. En conjunto, su tiempo de crianza y envejecimiento es de 25/30 años".

O processo de elaboração destes vinhos é um mundo — um link de qualidade para os eventuais interessados.

Mais espesso e glicerinado que este, mas igualmente cheio de presença, é um vinho singularmente intenso, longo e amplo, de complexidade difícil de descrever. Aqui, há que notar que o termo de comparação dado é um Palomino de Jerez, casta com menos açúcar e criada em zona de clima mais mediterrâneo, menos continental, sujeita a menores variações térmicas que o PX de Montilla-Moriles do presente, e que isso leva, por norma, a que estes segundos vinhos precisem de menor porção de álcool adicionado aquando do encabezado, o que, acredito, justificará, pelo menos em parte, a diferença sentida.

De qualquer forma, e passando ao momento importante, que foi bebê-lo, sem exagerar, penso que me tenha trazido um pouco de tudo aquilo que entendo concebível encontrar num vinho . . . Vernizes, lacas, gasolina e outros etéreos, incensos, flores, mel, caramelo, frutos secos, tostados, forno de pastelaria, fruta cristalizada — mas qual ou quais? — e maresia, ranço, vinagrinho . . . Um indivíduo perde-se.

Servido a temperatura sempre ligeiramente inferior aos 15ºC que o produtor recomenda como mínimo, nunca deixou de se mostrar extremamente sápido, com a salinidade característica do género a surgir contida, embrulhada na secura suave que lhe define a boca. Leve toque de calidez em crescendo com a passagem do tempo no copo — são 19% de teor alcoólico.

Numa palavra, grande! E o derradeiro vinho para acompanhar presuntos espectaculares!

A 18€ por garrafa de 75cl, possui uma relação qualidade/preço brutal (coisa comum no mundo do Xerez). Mas consta já ter sido substancialmente mais barato.

18,5