sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Flavium — Premium '2008

Bebi na semana passada uma garrafa deste varietal Mencía (Jaen), produzido por Vinos de Arganza na D.O. Bierzo, que fica situada a noroeste da província de Castilla y León. É um vinho de 3,50€, que estagiou (mesmo) em barricas durante 18 meses e foi classificado, pouco depois de ter saído para o mercado, com uns generosos 90 pontos por Jay Miller, da The Wine Advocate.

Muito sucintamente, fazem este vinho a cereja, a ginja e o cacau, tudo em tons bem escuros, sendo também manifesta a presença de especiarias doces (canela e outras) e mato balsâmico, com louro e eucalipto. Mais subtis, algumas notas de evolução, como folha de tabaco e couro, tão equilibradas quanto previsíveis.

A par da boa prestação no campo dos cheiros, mostra-se bastante composto na boca, elevado por uma acidez que o torna fresco, apesar de todo aquele carácter escuro já referido, e amparado por taninos macios, bem trabalhados. A relação custo/benefício que representa, na gama de preços em que o colocaram, será praticamente imbatível.

3,50€.

16

sábado, 29 de Março de 2014

Tiga — Sexor

Ocorreu-me há tempos que podia tentar preservar algumas daquelas ideias de merda que surgem quando me estou a charrar na varanda, e sei que não estava presente a intenção de reservar desde logo a possibilidade de um dia aqui vir a deixar algo a respeito, de preferência com um mínimo de préstimo. Pelo menos no princípio, pelo menos em consciência. Mas várias semanas volvidas, apenas um espécime no bloco de notas: Do Haxixe (1). Eu gosto de ter frio. Ter frio faz-me ter cocó.

Mudando de assunto, voltei a ouvir o Tiga regularmente, mas agora gosto. A S. acha que no princípio, quando era novidade, eu dizia que não gostava do Tiga só por ela gostar, mas nunca foi bem assim. É electro com mensagem, polido, dançável, um bocado vaidoso, às vezes fodidamente gay. Mas não necessariamente gay, acho, o que nem sequer interessa, dado que o simples facto de produzir electro com mensagem já torna o Tiga, se não louvável, uma adição interessante ao mundo. Alguns chamam a isto house, e talvez também o seja, de facto.



Ah, o post simples, mega curto, que nada tem de meu excepto palha, e agora também as queixas do costume. O picar o ponto.

sábado, 22 de Março de 2014

Reguengos — Garrafeira dos Sócios '2004

Há talvez apenas uns meses atrás, dificilmente admitiria a possibilidade de deixar de aqui vir regularmente. Ver o mail, publicar qualquer coisita. Agora espanta-me a facilidade com que aqui não venho. Mas continuo a reparar nas coisas que bebo, e como hoje parece haver tempo e disponibilidade para umas notas breves, vou tentar.

Foi uma garrafa de "Garrafeira dos Sócios" da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. Acho que a guardei durante um ano ou mais na arca climatizada, mas por algum motivo de que já não me lembro, acabei por abri-la num dia de semana qualquer, com um jantar normal.

Castelão, Trincadeira e Aragonês. Unidade nº 5048 das 54208 que se encheram dessa colheita. Ao primeiro dia, muito fechado. Bebi um copo com o jantar, mas foi só. Mais interessante no dia seguinte, especiado, com tabaco, folha de tabaco seca ao sol, e noz moscada. Bem macio, envolvente morno, afável. Fim de boca relevante.

As coisas, em geral, não me têm andado a saber como antigamente. Talvez ande ligeiramente deprimido. Este vinho emprestou-me conforto.

16€.

17

sábado, 8 de Março de 2014

Terras do Anjo '2010

Vinho Regional Lisboa, produzido e engarrafado pela Quinta do Pinto, de Alenquer. Fermentou em cubas de alvenaria, durante 14 dias, pelo efeito de leveduras autóctones e fez a maloláctica em barricas de carvalho francês de segunda utilização, onde parte do volume final estagiou durante mais 9 meses.

Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot. Intenso e encorpado, trouxe consigo frutos pretos, leve vegetal seco e pimenta. Também tostados de barrica, bem integrados no conjunto. Apesar de macio, fácil de beber, pela robustez apresentada, acaba por ir melhor com comida.

Será, de facto, um vinho internacionalizado, como já ouvi chamar-lhe, mas é evidente que não lhe falta carácter. Ora, para ser justo dizer que o mesmo não acontece com aquilo a que alguns chamam tipicidade regional, seria preciso definir primeiro qual é a dos vinhos da região de Lisboa, e depois, mas ainda mais importante, que ele tivesse sido feito para a ter.

9€.

16

sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014

Encostas do Bussaco — Merlot '2010

Comprei este vinho por pura e simples curiosidade, num supermercado. Trata-se de um varietal Merlot, produzido pela Adega Coop. de Mealhada para a empresa que a explora desde Outubro de 2011, as Caves Avelar. O contra-rótulo não adianta informação a seu respeito e o Google não sabe dele. Abri a garrafa nº 417 de 1460.

Curiosidade porque apesar de modesto, é um verdadeiro vinho virtual. E não o provei, bebi-o devagarinho. A este respeito, cumpre dizer que viveu três dias, sempre de volta à porta do frigorífico uma vez terminada a refeição.

E agora aquela palermice que aqui traz muitos de vós, a prova, o que tal me pareceu. Acerca dessa, cada vez menos a dizer. Se falta vocação ou apenas paciência, o tempo o dirá. Mas cada vez mais me convenço de que não há floreado que iguale aquelas notitas simples, em bruto, tiradas no momento, quando ainda o faço. Já não me lembro da última vez que me deixei ficar a analisar um vinho, de papel e caneta, enquanto a comida arrefecia. Para quê?

Copy/paste, então, curto e grosso. Apesar da valente baforada de especiaria picante que se liberta do seu núcleo bem maduro, de fruta preta e doce, na boca, no máximo, será mediano. Falta-lhe qualquer coisa, mas é difícil dizer o quê. E se de forma alguma é um retrato típico da casta, também não creio que engane, nem mesmo às cegas.

7€.

15

terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

Sebadoh — Harmacy

O álbum é de 1996 e por isso podia perfeitamente ter feito parte dos meus early teens, mas tal nunca chegou a acontecer.

Se bem em recordo, foi MA, o indie kid da minha pandilha do xadrez, e mais tarde dos computadores, do IRC e dos blogues, quem mo deu a conhecer, bem como tantos outros.

Agora, todo este tempo depois, ando a ouvi-lo outra vez. É um belo conjunto de musiquinhas do dia-a-dia, mais ou menos disfarçadas. Esta Beauty of the Ride ilustra bem o que quero dizer.



Silence's like disease, but I dare not say it hurts / 'Cause if I honestly react, nothing's ever gonna work / All this tension back and forth, it's just the beauty of the ride / So let it build, let it explode, leaving blood and shattered bone / Or bite your tongue 'til you've forgotten what to say / And take another step back until you find you've walked away.

Do mesmo Lou Barlow que está por detrás deste álbum, um dia deixei aqui isto.

domingo, 2 de Fevereiro de 2014

Julian Chivite — Gran Feudo, Viñas Viejas, Reserva '2006

O blog ainda não morreu; adiante.

O vinho, Navarro de Cintruenigo, teve origem em uvas de Tempranillo e Garnacha de vinhas plantadas entre 1940 e 1960. Foi engarrafado após, pelo menos, diz o produtor, 18 meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano.

É um vinho bem fresco. Que, contudo, não esperava encontrar tão leve, talvez em virtude dos seus predicados, memórias pouco precisas e a leitura do contra-rótulo, talvez pelo ataque onde, por muito tempo, só consegui perceber madurez.

E que não é só isto. Tem evolução, certo funk, pêlo, musk, e especiarias. E o sabor, tão como o nariz.

Gosto do género. Mas esperava, e sem dúvida que teria preferido encontrar, algo mais macio e carnudo, com mais substância.

10€.

15,5

quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

NOTHING IS SACRED. Doubt — in everything — is absolutely essential. Everything, no matter how great, how fundamental, how beautiful, or important it is, must be questioned.

It's only when people believe that their beliefs are above questioning, that their beliefs alone are beyond all doubt, that they can be as truly horrible as we all know they can be. Belief is the force behind every evil mankind has ever done. You can't find one truly evil act in human history that was not based on belief — and the stronger their belief, the more evil human beings can be.

Here's one of my beliefs: Everything is sacred. Every blade of grass, every cockroach, every speck of dust, every flower, every pool of mud outside a graffiti-splattered warehouse is God. Everything is a worthy object of worship. If you can't bow down before that putrefying roadkill on I-76, you have no business worshiping leatherbound tomes and marble icons surrounded by stained glass.

And here's one more: Everything is profane. "Saving the planet" is a waste of time and preserving the environment is a waste of energy. Flowers stink and birdsong is irritating noise.

On the other hand, nothing is sacred and nothing is profane. Not even your sorry ass. If we hold anything sacred above anything else — ever — we're riding along in the fast-lane to hell. And by "anything" I mean anything — our family, our friends, our country, our God. We cannot hold any of that stuff any more sacred than anything else we encounter in our lives or we're doomed. I'm not just going for dramatic elocution here. The act of regarding anything at all as more worthy of respect than anything else is the first step down the short and slippery path to the utter annihilation of all mankind.

And what happens if we follow that dangerous path to the end? We've had numerous hints that ought to give us a clue. They linger darkly on in our collective memories: the assassinations of Martin Luther King Jr. and John F. Kennedy, the bombing of Pearl Harbor, the atomic bombings of Hiroshima and Nagasaki, the Final Solution, "9-11". We might even be able to rattle off the dates of these awful events — but the lesson, we haven't yet absorbed. And until we really learn it, kids will keep getting new dates to memorize for history class.

When you hold something sacred, you try to hold that thing apart from the rest of the universe. But this really can't be done. Nothing can be separated from everything else. Red is only red because it's not green or yellow or blue. Heavy metal is heavy metal because it's not polka or barbershop. Nothing in the universe has any inherent existence apart from everything else. Good is only good when contrasted with evil. You are only you because you’re not everyone else. But this kind of separateness isn't really how the universe works.

You cannot possibly honor God if you can't honor every last one of God's manifestations. Killing someone in God's name is ridiculous. If we do that, we are killing God and killing truth.

But what is truth? What is God? How can you see, hear, smell, taste, touch, these lofty ideas?

Truth screams at you from billboard cigarette ads. God sings to you in Muzak® versions of Barry Manilow songs. Truth announces itself when you kick away a discarded bottle of Colt 45 Malt Liquor. Truth rains on you from the sky above, and God forms in puddles at your feet. You eat God and excrete truth four hours later. Take a whiff — what a lovely fragrance the truth has! Truth is reality itself. God is reality itself. Enlightenment, by the way, is reality itself. And here it is.

Brad Warner,
Hardcore Zen: Punk Rock, Monster Movies and the Truth About Reality,
Wisdom Publications, Boston, 1994.

quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Prazo de Roriz '2009

Produzido com uvas das Quintas da Perdiz e de Roriz, foi engarrafado em Março de 2011.

Intenso como se espera de um bom Douro, com notória componente etérea no nariz e muitas notas de fruta. Tem amora silvestre e cereja, toque especiado, talvez alcatrão — barrica.

Barrica que não achei excessiva. Neste momento está muito composto, a forma como enche a boca, como se sente na língua. E terá, certamente, algum potencial de envelhecimento.

Com um aromático javali estufado, com zimbro, proporcionou momentos quase extraordinários. A acompanhar pão e Brie, nem por isso. Mea culpa.

9€.

16