segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Quinta da Fonte do Ouro — Reserva '2013

Quase um mês sem aqui trazer um vinho do Dão! Poderá ser?

Este consiste num lote composto por 50% de Touriga Nacional, junto com Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Após a fermentação maloláctica, metade estagiou, 9 meses, em barricas novas de Allier, metade em inox. Abri a garrafa nº 11938 de 13333 produzidas.

Servido sem arejamento prévio, combina camadas de fruta vermelha, entre a cereja e a framboesa, com uma quantidade apreciável de grafite e chocolate preto que lhe "escurecem" o carácter — meio contraste original e interessante.

Cresce no copo. Persiste o carácter achocolatado, mas não como tom dominante, em parte substituído por complexidade floral. Na boca, um compromisso simpático entre porte e delicadeza. Termina razoavelmente longo.

Nesse dia, a S grelhou espargos e rodelas de courgette. Assou cenoura e couves-de-bruxelas. Arranjei fatias finas de lombo adobado de porco ibérico. Não foi preciso mais.

Localizada em Nelas, a Quinta da Fonte do Ouro abrange 3,5 hectares de vinha e pertence à Soc. Agrícola Boas Quintas, de Nuno Cancela de Abreu.

11€.

17

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

VVR





terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Château Le Puy Joubert '2011

Monocasta Merlot, a uva predominante nos tintos da "margem direita".

Especiado, fiel q.b. ao carácter da casta, está um vinho atraente, mas também intenso, a beirar o agressivo.

Fresco, de peso e persistência medianos.

Simples, mas é impossível não referir o toque extra de café com que me brindou, mais sentido na boca.

Pena que algo taninoso, um pouco rústico.

Aberto ao lanche, assoberbou o queijo e o patê.

Com feijoada, bom. Pede comida com raça.

Proveniente da AOC Côtes de Bourg, foi feito por Cédric Laquilin, de Lansac, que integra a cooperativa Les Vignerons de Tutiac.

5€.

15

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Blandy's — Sercial 5 Anos

Oito anos de blog e nem um Madeira publicado!

Mas vou bebendo algum.

O último foi este Blandy's, um vinho seco, com 19% de álcool e 50g/l de açúcar residual.

De acordo com o produtor, a fermentação do Sercial é interrompida "aproximadamente após 5 ou 6 dias" por adição de álcool vínico.

O estágio, em cascos antigos, de carvalho americano, guardados em armazéns com dois ou três andares: os vinhos novos são colocados no topo, mais quente, e descidos, gradualmente, à medida que envelhecem, num processo oxidativo dito "Canteiro".

Sem data de engarrafamento.

No nariz, transformação e oxidação. Frutos secos, amêndoas. Alguma complexidade.

Paladar de intensidade mediana, sem doçura. Redondo, apesar da acidez. Um pouco como um Amontillado, mais ácido e menos amplo.

No rótulo, dizem que vai bem com amêndoas salgadas, chouriço picante e pimentos "piquillo" — eu gostei muito com ananás e líchias.

12€.

16

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Morgado de Sta. Catherina — Reserva '2013

Cor palha. Manteve o perfil do 2012 — sobre pêssego e pêra, ou melhor, generalizando, frutos de caroço, baunilha e tostados, barrica — talvez um pouco mais pesado, mais outonal que ele.

É gordito, vacalhufo, mas possui frescura suficiente e um fim de boca muito bom.

O tempo no copo trouxe-lhe marmelada e caramelos de fruta — engraçado como me fez lembrar aqueles caramelos de limão "Penha" que em miúdo recebia quando me portava bem na escola.

Engarrafado em Abril de 2015, após 10 meses em madeira, é um monocasta Arinto dos solos calcários da Quinta da Romeira, que foi adquirida pela Wine Ventures à Companhia das Quintas em 2013.

O contra-rótulo contém uma nota de prova algo barroca. A respeito destas, observa Jennifer Rosen, no seu livro "Waiter, There's a Horse in My Wine", serem "one part winemaker's ego to two parts PR copywriter's fantasy" e que "any resemblance to the wine inside, living or dead, is purely coincidental." Mas aqui, não. Removido o floreado, pareceu-me honesta. Engraçado.

Foi o vinho da noite do jantar dos meus 12 anos com a S.

10€.

16,5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Vinha Grande '2015 (Branco)

Por outro lado, há vinhos/momentos fecundos em observações.

Como este, a ligar muitíssimo bem com uma variação vegetariana do clássico chicken tikka masala em que, entre outras alterações, a galinha é substituída por grão de bico.

Fresco, traz consigo um conjunto de aromas amplo e agradável, com alguma contenção no nariz e força considerável na boca.

Tal como o entendo agora, será a barrica o seu traço característico maior, pelo leque de especiarias que coloca sobre o núcleo limonado, sem assoberbar.

Apesar de rico e bem dimensionado, permanece afastado do exagero. A acidez não fere, o corpo não pesa, as flores não enjoam. E termina com um belo toque salino.

Pouco diferente no dia seguinte — mais cheiro a banana. Jovem de tipo firme, deverá viver em garrafa mais uns anos.

A ficha que o produtor oferece online di-lo composto por 40% de Viosinho, 30% de Arinto, 10% de Gouveio, 10% de Códega e 10% de Rabigato.

Uvas da Quinta do Sairrão, adquirida  em 2006 pela Sogrape, que já era proprietária da A.A. Ferreira SA, com as marcas Ferreira para vinhos Porto e Casa Ferreirinha para vinhos Douro.

Nas palavras de Mark Squires, "Sogrape is Portugal's 800 pound gorilla, a huge company that has holdings throughout the country".

Fermentou primeiro em inox e depois em barricas, onde estagiou 8 meses antes de engarrafado. É o primeiro branco da Casa Ferreirinha.

8€.

17

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Crónica pessoal de um torneio de xadrez (1)

Ao fim de meses, algo mais sobre xadrez.
Não deixei de o jogar. Aliás, até regressei, apesar de sem brilho, à competição.
Talvez por ter demasiado tempo livre, talvez por não me preocupar com as coisas certas, resolvi fazer a minha pequena, e necessariamente modesta, crónica pessoal de um torneio de xadrez, qual imitação de Marcel Sisniega.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Marka '2009

Por enquanto, evito resumir as minhas notas a "gostei" ou "nem por isso", mesmo quando, depois de ter apreciado um qualquer vinho com vagar, e daí ter opinião formada sobre se cheira mais a ameixas ou a cerejas, se é fresco ou morno, sinto que não tenho nada mais a dizer a seu respeito.

Poderei até ter garatujado algo enquanto bebia, mas dias depois, na altura de transportar essa informação para aqui, parece tudo tão sem sentido. Desses, acabo por só referir aqueles que tiverem conseguido despertar em mim interesse suficiente para compensar o esforço exigido pelo acto de escrever uma dúzia de linhas sobre eles.

Não que a minha opinião seja importante, mas já que estou a fazer algo...

Fica então o apontamento de que este está um tinto composto, rico na fruta polpuda, de carácter maduro, com boa presença de especiarias doces, manifestamente não exclusivas da madeira, e que termina com nota de tabaco. Por enquanto, mostra maturidade sem velhice — aplicada à alma, que ideia tão profundamente cristã!

Produzido pela Durham-Agrellos, consiste num lote composto por 55% de Touriga Franca, 40% de Tinta Roriz e 5% de Touriga Nacional, parcialmente estagiado, oito meses, em barricas de carvalho francês.

7€.

16


Não relacionado com o teor do post: ocorreu-me que podia ser boa ideia adicionar um world of text aos contactos do blog. A ver.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Filmes (77)

Dos filmes que vi pela primeira vez no último mês ou mês e meio, estes três foram os que maior interesse me despertaram. Todos eles fortemente visuais, agradaram-me mais quando apreciados sob o efeito de entorpecentes.

Amer





Beyond the Black Rainbow





Tra(sgre)dire



Serei só eu a achar os mundos onde se passam os filmes de Tinto Brass das melhores aproximações possíveis à experiência humana daquilo que entendemos como o Paraíso?