terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Camarões em Molho de Cerveja & Mostarda

Camarões rápidos, fáceis e muito saborosos. Um belo prato para festas domésticas, piqueniques, passeios de barco, farras, reuniões tardias, sessões de poker, charradas e outros que tais.




Sem mais delongas, os ingredientes necessários são:

600g de camarão com casca — o que tínhamos era de calibre 30/40;
meio litro de cerveja — pilsner branca;
100g de margarina;
3 colheres de sopa de condimento de mostarda;
sal e malagueta seca, desfeita, a gosto.


E preparam-se assim:

1. Decapitar os camarões.
2. Cozê-los e escorrê-los.
3. Juntar os demais ingredientes num tacho e levá-lo a lume forte até se formar um molho espesso.
4. Juntá-lo aos camarões; misturar.
5. Servir com tostinhas ou fatias finas de pão torrado. Beba-se com champanhe ou um bom branco "gordo", daqueles com barrica e uns anitos. Nham.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Agora sim, uma sextina a sério...

Do cavalheiro Camões.

Foge-me pouco a pouco a curta vida
(se por caso é verdade que inda vivo);
vai-se-me o breve tempo d'ante os olhos;
choro pelo passado e, quando falo,
se me passam os dias passo e passo,
vai se me, enfim, a idade e fica a pena.

Que maneira tão áspera de pena!
Que nunca üa hora viu tão longa vida
em que possa do mal mover se um passo.
Que mais me monta ser morto que vivo?
Para que choro, enfim? Para que falo,
se lograr me não pude de meus olhos?

Ó fermosos, gentis e claros olhos,
cuia ausência me move a tanta pena
quanta se não comprende enquanto falo!
Se, no fim de tão longa e curta vida,
de vós m'inda inflamasse o raio vivo,
por bem teria tudo quanto passo.

Mas bem sei, que primeiro o extremo passo
me há de vir a cerrar os tristes olhos
que Amor me mostre aqueles por que vivo.
Testemunhas serão a tinta e pena,
que escreveram de tão molesta vida
o menos que passei, e o mais que falo.

Oh! que não sei que escrevo, nem que falo!
Que se de um pensamento n'outro passo,
vejo tão triste género de vida
que, se lhe não valerem tantos olhos,
não posso imaginar qual seja a pena
que traslade esta pena com que vivo.

N'alma tenho confino um fogo vivo,
que, se não respirasse no que falo,
estaria já feita cinza a pena;
mas, sobre a maior dor que sofro e passo,
me temperam as lágrimas dos olhos
com que, fugindo, não se acaba a vida.

Morrendo estou na vida, e em morte vivo;
vejo sem Olhos, e sem língua falo;
e juntamente passo glória e pena.

Velharias (7)

Esta foi de uma altura em que os interesses eram, definitivamente, outros. Foi, como se pode ver, uma tentativa de montar uma sextina com sentido & significado, auto-biográfica e ainda assim capaz de respeitar a forma. Como a estrutura é exigente e ainda mais o sentimento, por mais cheio que estivesse o meu coração nas noites em que a fui fazendo à luz dos clarões da televisão :P — ficou-se por uma pseudo-sextina.

Porém, já que me apostei (re)publicar aqui todas as "velharias" que conseguir desenterrar, aí fica a título de curiosidade:





Pseudo-Sextina


Menino farto de viver
Abandonava-me à morte, que temia
Doente de só: triste, vazio
Ou porque assombrado, dia após dia
Pela mesma lucidez doentia
Que tudo era um; um para nada.

Tudo passámos, não ficou nada:
Também ela cansada de viver;
A mesma falta de esperança doentia
A mesma revolta que nada temia
Ora por nada, ora esperando o dia
De a mais aspirar, espantar o vazio.

Foi duro no princípio: ou tu ou o vazio;
Fugias, fugias de mim e do nada
E tudo me escapava, até que um dia
Serias tu ou deixar de viver:
Como quem pelo que amava temia,
Sucumbiste à partida doentia.

Que ignorantes a digam doentia:
Ela que sai do monstro que é o vazio
E da dor: algum de nós a temia?
P'ra no fim, do medo não restar nada
Somente querer ainda viver
Que o céu não caiu; nasceu o dia.

Dois são um, ainda que a noite e o dia
Pena ainda a celeuma doentia:
Não posso evitar: és o meu viver!
O meu mundo depois do vazio
E ciúme é medo do Inferno e do nada,
Que quando não podia perder, não temia.

E um dia deixaremos quem temia
Partirmos antes do derradeiro dia:
Só no mundo não, antes o nada
Da morte... Ideia quiçá doentia,
Mas cheia, como de amor meu ser vazio
Que agora canta a alegria de te ter,

...meu amor! Pois mau viver teve aquele que temia
E quem teme, e por temor de coração vazio passa noite e dia
É criatura doentia que não merece nada.

14/2/2006

Iec :(

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Lima Mayer '2004

Alentejano de Monforte, produzido e engarrafado na Quinta de S. Sebastião por Lima Mayer & Companhia.

Castas: segundo o rótulo, Aragonês, Syrah e, em menor quantidade, Petit Verdot, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon.

Estagiou em cascos de carvalho francês, mas não encontrei onde dissessem durante quanto tempo.

Cor escura, bastante opaca.

Nariz fresco — impressões arbóreas e balsâmicas a cipreste e eucalipto encontram fruta negra expressiva, mas não sobremadura. Gradualmente, vai adquirindo compostura — a fruta cresce um pouco, apoiada em fina mescla de grãos de café, madeira, tosta, fumo e tabaco — tudo muito indiferenciado.

Na boca, chocolate preto e ameixa seca, pouco doce, continuam com sucesso as impressões do nariz. Corpo mediano, com taninos finos, poeirentos, e boa integração alcoólica.

O final, infelizmente, pareceu-me demasiado discreto.

Gostei mais dele a acompanhar uns enchidos que sozinho. A dada altura, empurrado por um bom fuet, começou a mostrar um delicioso macerado de cerejas negras com caroço, bem maduras. E aí, sim...

Pertence àquela corrente do «Alentejo fresco e elegante» que, parece, tem vindo a ganhar adeptos.

Fez-me lembrar este.

Custou pouco mais de 10€. Tendo em conta o prazer que proporcionou, não vejo porque não hei-de trazê-lo para casa mais vezes.

16

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Quinta do Monte Bravo — Colheita Seleccionada '2000

Douro DOC. O rótulo diz-nos que "foi obtido a partir das melhores uvas das quatro propriedades do produtor — Quinta do Monte Bravo, Quinta da Teixeira, Cerca do Casal e Quinta do Rabaçal —, predominando as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Barroca, vinificadas no moderno Centro de Vinificação da Quinta que lhe dá nome e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho".

Assim que tirei a cápsula, uma primeira surpresa desagradável: então não é que esta garrafa, vendida dentro de uma caixa de cartão toda catita, com rótulo de papel espesso, de grão grosso, caro, com direito a tinta de ouro, tanta tinta de ouro...

... estava vedada com uma rolha sintética?!

Mal por mal, tivesse tampa de rosca. Ainda assim — e mesmo tendo presente certa garrafa de "Vinha do Tanque", da Casa Castelinho, vedada com uma rolha deste mesmo tipo, e que terá sido, provavelmente, o pior vinho que alguma vez tentei beber — dei o benefício da dúvida ao líquido e dispus-me a prová-lo. Podia ser que fosse bom, e aí teria de ser eu a reformular certas ideias.

Após breve decantação, reparei que o vinho estava límpido e possuía uma bonita cor granada, até algo intensa.

Depois, no nariz, cheio de aromas terciários, muito cabedal, como que a servir de ligação entre alguma fruta completamente transformada — aguardente de ginja, velha — e um intenso aroma pungente, volátil, a evocar queijo Roquefort. Lá no fundo, notas empireumáticas que acabei por achar pouco interessantes, sobretudo por não me parecer que conseguissem trazer mais riqueza (= interesse) ao conjunto: fumo e carvão.

Na boca, ao longo da acidez — despropositada — algum vegetal e muita madeira. Pouca fruta, pouco doce. Pouco sabor. De facto, talvez nem uma hora volvida após a abertura da garrafa, já a imensa acidez volátil com a qual aparentavam fluir os aromas e sabores deste vinho se tinha ido. E não ficou quase nada.

Ainda que a textura do vinho pudesse importar qualquer coisa após tamanho deserto de aromas e sabores, a única nota que achei relevante tomar foi, tal como a escrevi no meu caderninho negro do álcool, "um bocado rústico, de taninos duros".

Assim se conta a história de um vinho muito bem vestido, mas apenas no limiar do bebível, e só logo depois de aberto.

Luxo de imitação. Consta do blog por estar do lado do "bebível", na escala. Mas por pouco!

Custou quase 6€, sendo que o preço original, diziam eles, superava os 10€, numa daquelas promoções mirabolantes do Jumbo que um tipo diz que evita, que devia evitar, que devia isto e aquilo, e aqueloutro também — mas onde, volta meia volta, acaba por cair ainda outra vez e nunca a última. Oh, o arrependimento!

10

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Fiuza — Três Castas '2006

É, ando outra vez preguiçoso. Com estas tretas todas do Natal nem tem apetecido blogar.

Então, do que tenho bebido, vou começar por este.

Vinho Regional Ribatejano produzido pela Fiuza & Bright. As três castas a que se refere o nome são Aragonês, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Estagiou durante três meses em cascos de carvalho novos e outros três em cascos usados, consta que com um ano. Tem 13% de volume alcoólico. Quando provei o de 2005, fiquei "naquela", vá, a dar para o bem impressionado.

Há dias foi a vez do seu sucessor. Como na altura não tirei qualquer nota, estas são impressões de memória.

Aroma jovem, frutado uma vez dissipada boa parte da muita acidez «verde» que revela ao primeiro contacto. Boca fresca, rápida, esquiva, a mostrar corpo relativamente macio, talvez por força de tão discreto. Mais puxado à acidez que ao álcool. Final com fruto vermelho e (talvez, só talvez) ligeira especiaria.

Em suma: comum, correcto dentro da medianidade.

14

Custou 3€ e pouco.

P.S. — A S. gostou muito.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Quinta do Carmo '2003

É o tinto de gama média da Quinta do Carmo, uma das mais notáveis vinícolas nacionais.

Aragonês, Alicante Bouschet, Castelão, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah são as castas habitualmente utilizadas — em proporções variáveis, conforme o ano — na elaboração deste vinho, envelhecido ainda durante 12 meses em barricas de carvalho.

Da colheita de 2003, diz o produtor:

«O ano da grande “canícula”, uma palavra que resume as condições de maturação e de vindimas do ano de colheita 2003. No Alentejo, no entanto, a colheita realizou-se às datas habituais e em óptimas condições.»

Canícula. Não se refere à estrela Sirius do Cão-Maior, mas a uma considerável vaga de calor.

A cor é bastante escura, granada.

O aroma começa preso, com notas vegetais que evocam rebentos de bambu e cipreste, tornando-se depois mais balsâmico e, por fim, revelando fruta escura seca — sobretudo figos — e torra e fumos de madeiras várias. Tudo muito contido. Persistentes, ainda que sempre em pano de fundo, ligeiras notas de especiarias acres, tabaco e gordura de porco preto.

Na boca, notas de carne assada e mais figos secos. Esperava mais sabor. De resto, pode dizer-se que é flexível e bem estruturada. Só o álcool me pareceu um pouco fora de tom. Os taninos são densos e aveludados, e a acidez, embora se revele com suavidade, nota-se pronunciada — notas de azeitona ajudam a evidenciar a terrosidade negra que se prolonga pelo fim de boca.

Este alentejano algo atípico é capaz de estar para durar — e melhorar. Mas, para já, não me impressionou...

15

Custou 13€.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pão de Azeite

Baseado, até certo ponto, no pão dito rústico, «não sovado».


Ingredientes:

420g de farinha de trigo T65 / 300ml de água / 20g de fermento de padeiro / 2 colheres (de sopa) de azeite / 2 ou 3 colheres (de chá) de sal grosso / 2 colheres (de chá) de açúcar mascavado.




Preparação:

Aqueci a água a 35ºC, verti-a para dentro de uma grande taça de louça e lá dissolvi, tão bem quanto pude, o fermento, o azeite e o açúcar — este para potenciar a fermentação: as leveduras adoram-no.

Adicionei então pouco mais de metade da farinha — uns 250g, a olho — e misturei tudo com um garfo.

Deixei a papa resultante levedar durante duas horas, tapada, num sítio morno — a 30ºC — e livre de variações térmicas.

Depois juntei o sal e mexi novamente.

Misturei o resto da farinha e envolvi muito bem.

Trabalhei a massa resultante durante 15 minutos no programa «amassar» da máquina de fazer pão. É eficaz e dá um mínimo de trabalho. Contudo, claro está, pode amassar-se à mão ou com a batedeira eléctrica. Neste caso, cuidado com a escolha das varetas.

Verti a massa para cima de uma superficie enfarinhada e fiz uma bola.

Untei um recipiente próprio para ir ao forno — neste caso, de pyrex — coloquei lá o futuro pão e deixei-o fermentar novamente, em condições idênticas às da primeira vez, mas agora durante três horas.

Por fim, forno. Para os primeiros 25 minutos da cozedura, apenas liguei a resistência de baixo a 180ºC. Os restantes 20, passou-os com ambas as resistências, ligadas à mesma temperatura.

Não sendo o forno eléctrico, faça-se um lume algures entre médio e brando, e deixe-se cozer até o topo ficar dourado.

Deixei arrefecer o pãozinho dentro do forno e só depois o desenformei (para não abater).

Ficou com mais de meio quilo.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Marquês de Marialva — Reserva Seleccionada '2000

Varietal Baga da Adega Cooperativa de Cantanhede. Ficha técnica, aqui. É um vinho que tem ganho prémios nos últimos anos (vd. ficha técnica) e Kim Marcus deu-lhe 85 pontos em Maio de 2003.




Cinco anos (e tal) depois, o que encontrei pode resumir-se, essencialmente, no seguinte.

Cor vermelho-cereja esmaecido, típica da casta. Ataque fechado, revelando apenas uma ou outra subtil impressão floral. Nariz vivo e limpo, dominado por aromas a frutos vermelhos em whisky e com boas sugestões de mostarda, cedro e terra. Boca fresca, bem dimensionada, de acidez viva, com muita fruta vermelha madura e um final, di-lo-ia salino, deveras apelativo.

Custou 8€.

15,5

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Versus '2004 e '2005

«A terra é severa, dir-se-ia até indomesticável como um potro selvagem. O granito impõe-se sobre a paisagem e pouco espaço liberta para a vegetação, que desponta fugidia entre as fragas. Nas serranias da Beira Interior, a inclemência dos elementos desafia a resistência dos que se expõem aos caprichos da Natureza. Invernos rigorosos golpeiam o solo, estremecem as árvores, resolvem as pedras. Verões tórridos secam os cursos de água, fendem os troncos, arrepanham as folhas. Mas o carácter industrioso de três gerações da mesma família fez fecundas estas terras graníticas. Em Vermiosa, Figueira de Castelo Rodrigo, o vinhedo viceja indiferente à rudeza da morfologia e do clima. Por estes lugares, o cultivo da vinha é quase uma fatalidade. Algo que acomete o Homem enquanto condição da sua própria existência. E assim nasce o vinho, com a mesma espontaneidade com que o orvalho filtra a luz da manhã. Um ofício de pureza, um labor de coisas simples, uma sabedoria quase visceral encerra o ciclo iniciado no aconchego da terra. O vinho Versus é o testemunho deste avatar.»




Este vinho é produzido pela Vinhos Andrade de Almeida em Vermiosa, localidade próxima de Figueira de Castelo Rodrigo. Bonito lugar!

Ora, como desta vez tive quem me ajudasse a virar copos, proporcionou-se este comparativo em jeito de mini-vertical. Aí vai:

Ambos possuem cor avermelhada, densa e muito escura — mas mais o de 2004, onde se evidencia ainda um grande rebordo violeta.

O da colheita de 2004 começa um pouco fechado no nariz. Depois desdobra-se em intensos aromas a cerejas e bagas maduras e em ligeira compota, com sugestões florais e de verniz, anis e notas de barrica — madeira torrada e muito café.

Na boca revela-se pujante, cheio de fruta especiada, muito saboroso, muito encorpado, quase untuoso na língua, com taninos grandes e suculentos perfeitamente integrados num conjunto francamente elegante. Fina, fria vibração mineral a todo o comprimento na prova de boca — faz lembrar granito! Final longo e persistente.

16,5, ou mais. Custa cerca de 8€. Tem de ainda ter uns quantos anos pela frente!


Já o da colheita de 2005 apresenta um perfil mais dócil, com o nariz mais fácil, mais quente, doce e disponível, cheio de frutos vermelhos e que a dada altura evoca rebuçados floco-de-neve, caramelos de leite e resina seca de eucalipto.

Na boca é equilibrado, embora bastante menos encorpado que o da colheita anterior. Também a mineralidade surge bem mais discreta. Algo guloso, oferece muita fruta e rebuçado, algum balsâmico e madeira sólida, tudo bem misturado e a prolongar-se por um final longo q.b..

Embora tenha melhorado nos últimos meses — ou assim me pareceu — nasceu uns furos abaixo do de 2004 e não o vai apanhar. Mas continua a ser um belo vinho!

16

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Luís Pato — Baga '2004

Feito de Baga e Touriga Nacional.

Página do produtor, ›>


Cor avermelhada, escura.

Muito ácido, convém deixá-lo respirar.

Fruta com expressão — sobretudo gustativa — típica da casta, concentrada e sem grande complexidade. Traz a reboque um punhado de flores secas. Corpo macio, de final bastante longo, mineral, «salgadinho».

4,50€

14,5


P.S.

Baga is not Grand Noir!

& por «Tinta Fina» não quererão dizer «Tinto Fino», Aragonês?

Caralho, turvas correm as águas em certos meandros do mundo do vinho!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Grilos '2006

Da Soc. Agrícola do Casal de Tonda (Tondela), agora parte da Dão Sul. Um pouco de história, tal como surge aqui, contada pelo produtor:


«A marca da Quinta dos Grilos é sobejamente conhecida dos enófilos portugueses, dando nome a um vinho do Dão, produzido na pequena aldeia de Tonda, desde meados da década de noventa.

O seu proprietário era o Dr. Manuel Ferraz da Costa, que a partir de 1988 deu início a um projecto vitivinícola com a criação da empresa Sociedade Agrícola do Casal de Tonda, S A .

Em Setembro de 2001, nas vésperas de mais uma vindima, um dos accionistas da Dão Sul adquiriu todas as parcelas de vinha da dita sociedade aos herdeiros de Ferraz da Costa, iniciando, então, mais um projecto de produção de vinhos de quinta na região do Dão.

A área de vinha ronda os 17 hectares , distribuída por 7 parcelas distintas, entre as quais a Quinta dos Grilos, que os novos proprietários decidiram adoptar como nome genérico de todas as parcelas de vinha.»




Feito de uvas das castas Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro, estagiou meio ano em barricas de carvalho francês. Aos interessados, o produtor disponibiliza a sua ficha técnica aqui.

Para isto ficar como de costume, só falta dizer que tal me pareceu...

No copo, densa cor rubi. Ataque verde vegetal de feno fresco, a fazer lembrar este. Muito jovem. Depois, cereja ultramadura, ginja e chocolate preto, numa segunda vaga que se estende a todo o comprimento do vinho. Robusto e concentrado, apresenta certa pujança alcoólica, mas a fruta aparece sempre generosa o suficiente para a suportar. Boa acidez — que aqui e ali parece libertar uns pozinhos especiados. Muitos taninos que ainda precisam de tempo. Final razoável.

4€ — RQP imbatível, ou quase.

16

Tapada do Chaves — Reserva '2002

Produzido pela Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial S.A., este tinto é um dos clássicos do Alentejo.

Combinação de Trincadeira, Aragonês e Castelão, estagiou 15 meses em madeira de carvalho português e 12 em garrafa antes de ser posto à venda.

Tem 13,5% Vol.


Cor granada.

Boa intensidade aromática. Frutos vermelhos e pretos maduros, baunilha e outras especiarias, terra quente e suaves seivas e citrinos amargos, tudo muito bem envolvido por fumado complexo e elegante que, sem se impor, acaba por modelar o conjunto. É este o traço que, a meu ver, mais marca o carácter deste vinho.

Que também está porreiro na boca: bem estruturado, com a fruta a aparecer fresca e doce, persistente, e sempre sob a batuta das excelentes madeiras, que ora se mostram "cruas", evocando seiva amarga e fresca, ora surgem torradas, fumadas, num belo exercício de continuidade do que se passa no nariz.

Pela negativa, o álcool pareceu-me um bocadinho desenquadrado. Mas só um bocadinho. Pequenino.

Custou 12,50€.

Recomendado.

16,5

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Caixas de Origami e Brigadeiros

Temos reparado que muita gente anda a gostar da ideia de fazer pequenos presentes pessoais para trocar pelo Natal. Então, aos interessados, e mais ou menos por acaso, aqui fica uma sugestão:

Caixas de origami — a S. gosta de as fazer — com coisas lá dentro. Apenas para ilustrar o post, resolvemos rechear as caixinhas com brigadeiros embrulhados, primeiro em película aderente — como se costuma fazer com as bolotas de haxixe, por exemplo — depois em celofane colorido e/ou papel de seda.

Então, para começar, a receita dos brigadeiros que fizemos. Muito simples.

Misturaram-se 370g de leite condensado, 3 colheres de sopa de cacau magro em pó e outra de manteiga. Levou-se a mistura a lume brando, mexendo sempre até ficar bem espessa, e verteu-se para dentro de um recipiente previamente untado com margarina. Deixou-se arrefecer até à temperatura ambiente e moldaram-se pequenas bolinhas: umas simples, outras recheadas com amêndoa. Estes ingredientes resultaram em mais ou menos 30 bolinhas.

Que se podem rechear ou cobrir com as mais variadas coisas. Os nossos ficaram assim:




Uma variante engraçada destes docinhos pode fazer-se substituindo o cacau por 100 ou 150g (a gosto) de coco ralado.

Despachado o recheio, aí estão as caixitas que a S. andou a dobrar... Por baixo de cada caixa, o link para os esquemas das ditas, onde c define o esquema do corpo da caixa e t o da tampa. É de notar o nível de modularidade possível em origami: a tampa de uma caixa pode muito bem ser o corpo de outra e daí por diante. E, claro, as decorações exteriores podem ser o que quisermos.

Para começar, uma caixa de rebuçados feita com papel de engenheiro azul e transparente. Os esquemas estão nos links que seguem: parte 1; parte 2.




Fácil, hein? A seguir, uma caixa de aspecto um pouco mais arrojado:




Para a fazerem, podem seguir o tutorial em vídeo disponível aqui.




Mais caixas: Nesta, a tampa é a peça t1 [parte 1; parte 2] e o corpo, aquela a que achei conveniente chamar c1 [parte 1; parte 2].




Mais do mesmo — apenas mudou a decoração: Tampa: t1 [parte 1; parte 2]; corpo: c1 [parte 1; parte 2].




Tampa: c1 [parte 1; parte 2]; corpo: c2; Nota: nesta caixa, para descobrir o tamanho da tampa (sendo o do corpo a folha inteira), usa-se o processo descrito no seguinte diagrama.




Tampa: c1 [parte 1; parte 2]; corpo: c2.

Nota: nesta caixa, para descobrir o tamanho da tampa (sendo o do corpo a folha inteira), usa-se o processo descrito no seguinte diagrama.




Tampa: c2, sendo o corpo a peça c1 [parte 1; parte 2]. Ah, e a flor, claro. Nota: nesta caixa, para descobrir o tamanho do corpo (sendo o da tampa a folha inteira), usa-se o processo descrito no seguinte diagrama.

As duas caixas que se seguem pertencem ao domínio do origami dito modular — consistem em várias folhas dobradas e encaixadas umas nas outras. Aí vai:




Feita com dois tipos distintos de papel de origami. O vídeo que ensina a fazê-la está aqui.




E por fim, esta, feita com 8 folhas — quatro para a tampa e outras tantas para o corpo. As instruções de dobragem da tampa estão aqui e as do corpo, aqui.

Como nota final, talvez convenha referir que os diagramas destas dobragens pertencem ao livro «Home Decorating With Origami» de Tomoko Fuse (Japan Publications, 2000; ISBN 4-88996-059-7).

Quinta do Crasto '2007

Este tinto DOC vem da Quinta do Crasto, uma das mais antigas do Douro — as suas primeiras referências remontam a 1615!

Foram utilizadas na sua elaboração uvas das castas Aragonês, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional. Não estagiou em madeira. Engarrafaram-se 450000 garrafas de 75cl.

Ficha técnica, aqui.

Interessante a cor, um violeta escuro que não se vê assim tanto.

Bebendo-o, pareceu-me um vinho simples e equilibrado. Tanto no nariz como na boca, predomina a fruta, fresca, densa e francamente gostosa. Muitas (mas mesmo muitas) cerejas pretas perfeitamente maduras e com caroço, algumas amoras, algumas bagas e pouco mais. Um bocadinho de cacau, outro de esteva seca, talvez sugestões xistosas... tudo na medida certa.

É daqueles vinhos sumarentos — este possui certa ligeira untuosidade que ajuda à ideia — que oferecem pouco mas bom e que, acima de tudo, escorregam maravilhosamente com comida.

Continuasse a adjectivá-lo, di-lo-ia elegante, equilibrado... por aí.

A meu ver (e que vale tal coisa?!), está para o Douro como este para o Alentejo.

Custou 9€.

16


Amanhã vamos postar coisas diferentes. Origami e isso...

Ah, e o blog já não é surdo. Vêem o endereço de email que juntei ali à barrita lateral? Ali ao fundo, heh? Qualquer coisinha, digam.

Granja-Amareleja — Reserva '2002

Quando Grandgousier, o bom homem, bebia e se divertia com os seus amigos, ouviu o horrível grito que seu filho soltara ao ver a luz deste mundo, pois bramou pedindo de beber, de beber! Então disse: «Grandes os tens!»

F.R.



Este alentejano DOC foi produzido pela Cooperativa Agrícola de Granja (Mourão, distrito de Évora). As castas que o compõem não aparecem discriminadas no rótulo. Quanto ao estágio, pode ler-se que foi efectuado em pipas de carvalho francês.

Cor granada alaranjada. Aroma que surge em camadas bem diferenciadas de frutos negros e licor de frutos negros, malte e madeira — cedro, pinho. Toque de acidez bem definida, a fazer lembrar azeite. Boca redonda, suave, delicada — dá a ideia de estar a começar a perder corpo. Contudo, fruta ainda bem presente, persistente. Apesar de só ter 6 anos, está, talvez, um bocadinho «mais que no ponto».

Custou 10€.

16,5

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Filmes (5)

Beetle Juice


Algures num artigo sobre Burton, a propósito de uma retrospectiva da sua obra inserida no recente Estoril Film Festival e que li há dias num jornal daqueles ditos de referência, falava-se deste como sendo um dos seus filmes "menos vistos e menos referenciados". É pena.

Tem Alec Baldwin, Geena Davis, Michael Keaton e uma Winona Ryder muito nova a desempenhar o seu primeiro papel num filme decente.





Dos trabalhos deste senhor, vi quase todos. E embora Sleepy Hollow seja a meus olhos mais bonito — aquela fotografia — e Big Fish acabe por ser bem mais profundo, este continua, muito provavelmente, a ser o meu favorito.

Para terminar, deixo-vos um remix trance do tema principal do filme, da autoria dos GMS, Growling Mad Scientists. Pertence à compilação Hypernova e dá um magnífico toque de telemóvel.


Dom Rafael '2006

É o segundo vinho da Herdade do Mouchão.

O nome foi-lhe dado em jeito de tributo a Rafael Reynolds, irmão do senhor que comprou a propriedade no final do século XIX.

Vinificado a partir de Trincadeira, Aragonês e um pouco de Alicante Bouschet, estagiou durante 6 meses em tonéis e outro tanto em garrafa antes de ser posto à venda.

Encontrei-o jovem e cheio de vigor. Demasiado ácido quando aberto, estava muito mais dócil e expressivo depois de pernoitar no frigorífico.

Da prova propriamente dita, posso afirmar que se trata de um vinho intenso, até na cor. Aroma vivaz a algo como ameixas pretas e cerejas muito maduras, algumas até em compota, bem entrelaçadas com bastante madeira.

Na boca, sabores fortes, na linha do que o nariz mostra. Estrutura robusta, com muitos taninos que aparentam ainda não ter amaciado de todo. Acidez vincada. Um pouco alcoolizado. Final mais vivo que longo.

Vinho bem feito, consistente, mas um pouco rústico — pelo menos para o meu gosto.

Custou 6,85€.

15

Farizoa '2006

O segundo vem de Borba, da Herdade da Farizoa, que faz parte da Companhia das Quintas.

Foi vinificado a partir das castas Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional e Syrah, tendo estagiado durante 6 meses em barricas de carvalho francês.

Tem 14% vol.

A ficha técnica é disponibilizada pelo produtor aqui.

Cor rubi.

Aroma bastante intenso e sabor pronunciado a frutos negros — bagas, ameixa muito madura e figo — com toque balsâmico — um pouco de After Eight, talvez.

Na boca é concentrado, de acidez vibrante (excessiva, até) e corpo mediano. A fruta, similar à que mostra no nariz, chega a amargar.

Perdura pouco no palato.

Um bocado rústico, exige comida forte. Bebi-o com açorda puxadinha e umas coisitas de porco na chapa, pintalgadas com Tabasco.

A 5€ e qualquer coisa, há melhor...

14

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Monte da Ravasqueira '2006

Nhéec... entrei em fase de vinhos alentejanos. Aí vão três.

O primeiro, este Monte da Ravasqueira, que comprei por pouco mais de 5€ no Pingo Doce, foi vinificado e engarrafado na propriedade com o mesmo nome pela Sociedade Agrícola D. Diniz, de Arraiolos.

As castas são muitas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira, Touriga Francesa e Petit Verdot. Estagiou durante 9 meses em barricas de carvalho francês.

É um vinho escuro, de aroma jovem e intenso a flores e frutos silvestres, morangos em batido e ameixas vermelhas, um pouco vinoso e com sugestões explícitas a iogurte de banana. Muito interessante, sem dúvida.

De corpo é redondo e equilibrado, com suaves notas achocolatadas e de praliné a arredondarem as muitas e ligeiramente ácidas bagas roxas e negras que compõem boa parte do sabor deste vinho.

Final correcto.

Para mim, foi das revelações «baratas» do ano. Penso repeti-lo muitas vezes com prazer.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Viajero — Syrah, "Reserva Privada" '2006

Este varietal Syrah sem madeira, comprado a roçar os 5€ no LIDL, é produzido pela Via Wine Group no Valle del Maule, a maior região vinícola do Chile.

De cor granada e nariz envolvente, muito apelativo, com ameixa preta no ponto ideal de maturação e alguma especiaria muito bem integrada, mostra-se vivaço na boca, fresco e muito saboroso.

Apresenta a todo o comprimento um certo toque vegetal verde, talvez de legume, que tanto lhe confere alguma sobriedade, como, pelo menos para o meu gosto, o torna de certo modo guloso: apetece sempre bebericar mais um pouco. Taninos macios e final correcto.

Está perfeitamente bem para o que custa. Quem disse que os vinhos do LIDL tinham de ser maus?


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Er... Já viram os meus links novos?

Conde de Cantanhede — Garrafeira (1º Prémio) '2000

Bebido na rua. Engraçado, as voltas que Deus me fez dar até me cruzar com ele. Saí ao fim da manhã para pagar a luz. Como de costume e como gosto, sem stress, em ar de passeio. Quando cheguei à porta da payshop, estava fechada para almoço. Logo se me fez um click cá dentro. Comecei a salivar. E confesso que nem tinha fome, mas já que estava sozinho no meio da civilização e sem nada para fazer, achei uma ideia fixe essa de ir comer. Subitamente, estava de desejos por um bife. Lá abanquei num café-restaurante e fiz a mim próprio a vontade. Ah, e este vinho nem foi primeira escolha — eu tinha preferido uma coisa qualquer do Dão de que já não me lembro, mas tinha acabado...

Do vinho propriamente dito, posso dizer que o encontrei de cor rubi desmaecida, característica de um Baga evoluído. Terroso na boca, com a fruta a surgir doce — porventura axaropada, caso não fosse controlada pela elevada acidez, por sua vez moderada pelo corpo cheio e denso, tornando o vinho muito equilibrado. Notam-se ainda bastantes apontamentos de madeira velha, trufas, castanhas e tabaco. Fresco e húmido, termina longo e delicado. Está mais que pronto a ser bebido e é um bonito «garrafeira» bairradino, embora não o melhor que já provei. Pena ser uma espécie de raridade de que ninguém fala. Pelo menos, é o que parece — a começar na página do produtor.

Ligou maravilhosamente com o singelo bife na pedra, só com batatas fritas a acompanhar, que tanto me estava a apetecer.

Depois, meio zunzungo, lá fui pagar a luz e fazer, assim, coisas...

Um dia destes perco a vergonha e começo a fotografar as garrafas da rua. Não. Claro que não, meu Deus.

50€.

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quinta de Roche — Pinot Noir '1999

Comprado por curiosidade pura e simples. Expectativas? Zero. Nesse sentido, acabou por não desapontar.

No anuário de vinhos de João Afonso (2005), vem a seguinte nota de prova:

«Vago no aroma, algum vazio, aborrachados, pouco fruto. Na boca tem pouco fruto, acidez elevada, fresco, leve com simplicidade na qualidade.» 70pts [em 100.]

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Passados três anos, é um vinho vago na cor e com um aromazinho acre e alcoolizado, a fazer lembrar água-pé, a impor-se a tudo o mais.

Ultra ligeiro, acídulo e quase sem vida, ainda mostra no palato as sombras do fruto que um dia teve.

Ainda é vinho, mas. . .

4,50€.

10?

sábado, 22 de novembro de 2008

Mais Xadrez

Para além de triste, muito janado, a meio de uma daquelas minhas famosas fases de vários dias a ganza e Serenal, não andava a gostar mesmo nada do ambiente da SXAAC e responsabilizava o nosso vice-presidente por boa parte daquilo de que não andava a gostar.

A minha disposição emocional no momento sempre influenciou, e muito, os meus resultados neste adorado jogo. Ora, se, infelizmente para estas coisas, nunca fui um brigão, neste dia estava todo fodido e, talvez também por isso, sentei o rabinho à frente do tabuleiro e lá fiquei todo o jogo, a pensar e a tentar manter-me acordado, em vez de andar a passear por mil sítios, a fumar cigarros e ouvir música, a pensar em tudo menos no que se estava a jogar, como era usual acontecer.

Só mais tarde me apercebi que devo ter sido um adversário de presença desagradável, muitas vezes. E tenho pena, mas agora, relativamente ao passado, já não há nada a fazer.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Pussy Purrin'

A pussy purrin' and lookin' so satisfied / A pussy purrin' and lookin' so satisfied / Lost in his little yellow round eye / Lost in his yellow round eye





Pussy purrin' and lookin' so satisfied / Kitty rear up and scratch me through my jeans / Fuck you kitty you're gonna to spend the night

Outside!





Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I want to touch it

Kitty kitty kitty kitty kitty kitty touch it!





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Quinta de São Simão da Aguieira '2003

Dão DOC da Sociedade dos Vinhos Borges, feito na quinta de que leva o nome a partir de Touriga Nacional, Aragonês e Trincadeira, ostentava na garrafa (bonita) a menção a uma medalha de prata ganha no Vinalies Internationales de 2006.

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No copo, cor rubi «clara», já em fase de transição para o granada.

Aromas relativamente discretos e mais florais que frutados, com algum tabaco seco e chocolate com conhaque.

Na boca, quase vazio. Fruta pouco doce, indefinida, e tabaco. E a pender para o lado do álcool, ainda assim.

A valer-lhe certo quê mineral, frio, granítico, que lhe ia transmitindo uma réstia de elegância.

6€.

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Quinta das Bágeiras — Reserva '2005

Bairradino obtido a partir das castas Baga (60%) e Touriga Nacional. O produtor terá em breve (espera-se) uma página web aqui.

Diz o rótulo que "a fermentação foi efectuada em pequenos lagares abertos sem desengace, respeitando os processos mais tradicionais. Este vinho estagiou em tonel de madeira até Setembro de 2007, tendo sido engarrafadas 6950 garrafas". Calhou-me a nº 4261.

Cor granada, bastante escura.

Aroma mais profundo que intenso, dominado por frutos maduros do bosque — vermelhos, pretos, roxos — e balsâmicos. Flores silvestres, muito louro, etanol puro e etanotiol — este a fazer adivinhar algum acetato de etilo — couro e nozes.

Boca cheia, madura, que a acidez fixa pronunciada torna um pouco picante, com muitos taninos finos, um pouco adstringentes. O final é longo, amendoado.

Nada mau, mas estava à espera de melhor. Contudo, sendo ele um Bairrada de acidez vincada e tanino ainda um tanto desabrido, não tenho motivos para duvidar que o tempo lhe fará bem.

Custou quase 10€.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Queques Mimi

Mimi porque sim [por mais que o nome o sugira, esta receita não foi retirada de um compêndio culinário dos anos 70]. De sabor suave, são fáceis, versáteis, deliciosos. Não é desprazer nenhum fazê-los e é um sonho comê-los.




300g de açúcar;
480ml (≈250g) de farinha;
240ml (≈250g) de iogurte natural, não açucarado;
100ml de leite meio gordo;
70ml de óleo;
3 ovos grandes;
1 colher de sopa de fermento;
1 ½ colher de chá de vanilina;
1 pitada de sal.


Misturam-se os iogurtes com o açúcar numa taça grande. Depois juntam-se a essa mistura as gemas (as claras reservam-se), batendo muito bem (durante 1 ½ ou 2 minutos) a cada adição.

Junta-se o óleo e volta-se a bater a mistura. Junta-se o leite e a essência de baunilha. Bate-se novamente. Peneira-se a farinha, misturada com o fermento, para dentro da mistura. Mexe-se tudo com a colher de pau. Por fim, numa taça à parte, batem-se as claras em castelo bem firme, com uma pitada de sal. Envolvem-se depois no preparado anterior com a ajuda da colher de pau.

Nesta altura, a massa está pronta. Querendo fazer alguns queques de chocolate, por exemplo, pode tirar uma parte da massa para dentro de outro recipiente e juntar-lhe cacau magro em pó (para metade da quantidade total de massa, 3 colheres de sopa de cacau). Pode fazer marmoreados. Pode fazer queques com outros sabores...

Em formas de queque, a massa leva-se ao forno a 150ºC durante aproximadamente 50 minutos.

Em forma normal, para fazer antes um único bolo «grande», a 180ºC durante mais ou menos 50 minutos, talvez um pouco mais.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Marqués de Murrieta — Reserva '2001

Quando provei o de 2000, fiquei impressionado. Tanto que lá voltei. Mas, entretanto, acabou. E assim, há dias, foi a vez de abrir um de 2001.

Foi feito com 89% de Aragonês, 7% de Garnacha Tinta e 4% de Mazuelo. Estagiou 22 meses em barricas de carvalho americano de 225l.

Guía Peñín: 92pts.

R. Parker: 90pts.

Drink 2005-2013 - $20.00

The impressive 2001 Ygay Reserva exhibits a dense ruby/plum color as well as a big, spicy nose revealing loads of cassis, licorice, and a hint of tobacco. With beautiful texture, outstanding purity, and medium to full body, this lovely Rioja can be enjoyed now and over the next 7-8 years.
(Wine Advocate nº 159 de Jun. 2005)

Andrés Proensa: 94pts.


Cor granada de concentração bastante elevada. Aroma envolvente e de boa complexidade, primeiro a flores e depois a muita fruta: alguma vermelha, madura mas não excessivamente doce, outra preta, em passa, combinada com balsâmicos vários e indefinidos, em fundo de caramelo/melaço e alguma madeira (tosta) e especiarias — sobretudo baunilha e cominhos. Na boca, mais do mesmo. Expressivo, mas nunca guloso. Muito figo seco. É comprido e largo, com taninos redondos mas ainda cheios de garra, acidez marcada e álcool muito bem integrado — tem 14% e não se dá por ele. Mineralidade terrosa e muito viva. Uma ou outra nota untuosa, a evocar abacate.

Menos exuberante no nariz que o de 2000, está, contudo, melhor na boca. Mais equilibrado e com mais vida pela frente, também (o de 2000 está no limite). Muito, muito bom.

Custou 16€ numa loja em Espanha.

18,5


P.S.

Aqui, a página do produtor.

• Acerca de alguns dos nomes que a casta toma, esgravatando um pouco mais sobre nomes, descobri que Roriz é nome de três freguesias do Norte de Portugal. O nome vem do genitivo — caso gramatical que indica uma relação de posse — do nome próprio Roderick (de origem Gótica e nome do rei Visigodo da Hispânia que reinou entre 710 e 712), Rodoricus em Latim e Rodrigo em Português e Espanhol. Enfim, concluindo, Roriz deve significar terra de Rodrigo. E tinta, do Latim tincta, significa tingida. Juntando Tinta + Roriz e faltando apenas «adivinhar o sinal», juraria estar perante um de, omitido por elipse. (Casta) tinta das terras de Rodoricus, Tinta de Roriz, Tinta Roriz. Faz todo o sentido. Por outro lado, Aragonês, do Castelhano aragonés, significa de Aragão, relativo a Aragão. Terras de Espanha! De onde a casta é natural, havendo fortes indícios de já ser conhecida no tempo dos Romanos. E onde se chama Tempranillo. E que significa tal palavra? É, tão somente, um diminutivo de temprano, palavra proveniente do Latim temporānus, via temporanĕus, e que significa adiantado, antecipado, cedo... Consta que se chama assim por amadurecer antes — por vezes semanas — das outras castas plantadas no país vizinho. O único termo que cai que nem uma luva à coisa que procura designar, neste caso, é Tempranillo.

sábado, 15 de novembro de 2008

Terras do Pó '2007

Vinho de entrada da Casa Ermelinda Freitas.

Do rótulo: «É oriundo de vinhas situadas em Fernando Pó, da casta Castelão, conhecida na zona por Periquita. Foi elaborado utilizando o processo de vinificação em cubas-lagares com temperatura controlada, seguindo-se um estágio de 4 meses em meias-pipas de carvalho francês.»

Aroma muito jovem. Podia ser um puto bem comportado e limitar-me a apontar os descritores típicos da casta e destes vinhos desta casa: fruta intensa com muitas notas meladas (ou açucaradas), baunilha e um nico de fumo. Mas, foda-se, estaria a mentir. Ou, pelo menos, a simplificar muito as coisas. Aquilo a que ele me cheirou, sem rodeios, foi a mijo de rato combinado com fumo. Muito muito. Quem mantiver desses como bichos de estimação — ou então, gente sem sorte na vida — compreenderá. Depois, sim, os amelaçados destes Castelão das areias vêm dar graça ao conjunto, e trazem consigo qualquer coisa verde, indefinida e interessante... e a fruta. Que nem é pouca nem está muda, mas é preciso parar para a ver. Na boca, tem corpo médio e é saboroso. Gulosinho à sua maneira. Sabe a jovem mas os taninos estão redondos — é para beber já. A acidez, presente mas não excessiva, e o álcool bem integrado completam aquilo que o meu limitado engenho me permite contar-vos acerca deste conjunto de comprimento razoável e final adocicado.

É engraçado. Achei-o, sei lá, visceral... Se fosse música, era esta (digo eu).


Custou 3,85€.

15

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Adega de Pegões — Trincadeira '2006

Pelo rótulo, sabemos que foi «... vinificado em cubas-lagar de Inox com maceração pelicular prolongada, seguida de estágio de 6 meses em meias pipas de carvalho...»

Tem 13,5% de álcool.

O nariz é uma mescla mais ou menos indiferenciada — «tipo sopa» — de aromas, de onde se destacam a fruta madura e o fumo de lenha. Nota-se ainda bastante caramelo de leite — o chamado toffee. É muito saboroso, estando o binómio fruta/madeira extremamente bem conseguido. O final, mais caramelo e fumo, revela-se longo e macio.

Gostei.

Enfim, outro excelente varietal da Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Um pouco mais simples e macio que o Syrah da mesma casa, mas (quase, para mim) igualmente apetecível.

Num registo mais... nem sei que lhe chamar, googleando «trincadeira», dei com isto. E daí para aqui, foi um pis pas.

5€.

Falta provar os outros.

15,5

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

País das Uvas '2004

Proveniente do Baixo Alentejo, este tinto DOC é produzido pela Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito a partir das castas Aragonês, Alfrocheiro, Castelão e Trincadeira. 13,5% vol.. Cor rubi. Conjunto aromático típico da região — mescla de fruta preta muito madura (figo também) e algum vegetal. Redondo na boca, com bom volume. Ameixa e folha de tabaco fresca. Sugestões dulcíssimas de seiva de flor de magnólia transmitem-lhe uma pontinha de originalidade. Vinho relativamente simples, mas franco. Pela negativa, achei-o um pouco sobremaduro. Custou 3€ numa promoção, andando o preço habitual a rondar os 6,50€.

15

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Casillero del Diablo — Cabernet Sauvignon '2005

É do Valle del Maipo, sub-região do Valle Central chileno situada perto da capital (citando a Wiki, o rio com o mesmo nome «es el principal colector de las aguas de la Región Metropolitana y concentra el 70% de la demanda actual de agua potable y cerca de un 90% de las demandas de regadío»), que vem este tinto, monocasta Cabernet Sauvignon (com 10% de Carménère) parcialmente estagiado (70% do lote) durante 8 meses em carvalho americano, da Viña Concha y Toro. Produzidos em quantidades prodigiosas, estes vinhos são bastante populares em todo o mundo. Talvez por tamanha exposição, a marca tem página própria.

Perante a quantidade de informação disponível sobre o produtor, a sua história e a lenda que envolve esta marca, não acho que valha a pena dizer aqui algo. Fica o enlace para o artigo da Wikipédia.

Cor rubi acentuada. Nariz intenso e completamente vegetal, dominado de fio a pavio por cheiros a couve e alcaçuz. Com tempo no copo, o leque verde alarga-se, surgindo notas de pimento, aipo e cebola «sobremadura». Aparecem sugestões de groselha negra, como que a tentar libertar-se do manto vegetal. Sem grande sucesso. Completam o conjunto impressões de tosta de madeira e talvez, mas só talvez, carne cozida. Redondo na boca, onde o algum fruto preto extremamente maduro deixa entrever mais que umas simples nesgas de pimenta, trufas e castanhas, mostra bom equilíbrio entre acidez e taninos. Termina razoavelmente longo e, agora sim, finalmente, muito frutado.

Um vinho diferente, para sair um pouco do nosso vulgus. Até gostei!

Custou quase 7€.

15


P.S. — Depois de sobre ele ter lido, só a título de exemplo, isto, não estava mesmo nada à espera de um vinho (que me parecesse?) terroso e vegetal. Má conservação? «Cebolum» e couve cozida costumam ser indicadores, respectivamente, da presença de mercaptanos e mercaptanos oxidados, com esta oxidação a gerar dimetildisulfetos. E no entanto, não me parece que tenha bebido uma garrafa estragada...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Terra Grande — Reserva '2006

Vinho Regional Alentejano feito pelo enólogo António Ventura a partir das castas Trincadeira e Aragonês e engarrafado pela Goanvi.

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Cor rubi muito intensa. Cerejas amargas, bagas, ligeira especiaria e sugestões de carne crua e vísceras compõem o nariz. Equilibrado, consegue ser bastante expressivo na boca — fruta madura e um pouco de cacau em fundo abaunilhado — sem, contudo, se mostrar guloso. Final discreto.

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O preço anda à volta dos 6€, o que aponta para uma relação qualidade/preço fraquinha, a meu ver.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Roquevale '2003

Alentejano DOC de Redondo (Évora), produzido pela empresa com o mesmo nome. As castas, Aragonês, Alfrocheiro e Alicante Bouschet. Não encontrei nada sobre o estágio, mas teve-o. Foram feitas 27900 garrafas. 13% vol.

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Cor granada. Fruto vermelho e aguardente de fruto vermelho, um pouco de especiaria, boa barrica. Interessante a dicotomia entre a doçura do aroma e a secura do palato. Aqui e ali, laivos de alcaçuz e zimbro. Redondo, bem estruturado, está no ponto e capaz de aguentar ainda mais alguns anos.

Não sendo um vinhão, é muito agradável. Pelo que me fez lembrar, di-lo-ia um «Mouchão dos pobres», que Deus me perdoe.

5€.

16

Frou Frou — Details

Agora que ando com a neura "daquele tempo, daquela casa onde tenho a certeza que enlouqueci", uma musiquita a condizer.

Uma favorita dos meus tempos de acólito da Igreja do Imaculado Paliativo. Ah, música para o tão necessário down depois da loucura da noite, tão necessária como o próprio!

Às vezes, quando (ainda) penso nisso, reparo que ficaram mais sons que imagens. Muitos destes, cristalinos... aquelas, quase todas desfocadas.

So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'Cause there's beauty in the breakdown


Oh, que raio! Quando um gajo mostra as músicas de que gosta ao mundo, é tão paneleiro citar bocadinhos "mais profundos, mais significativos" da letra...


Para terminar, um pouco de bláblá daquele a que vos tenho habituado:

A banda, que já se separou há muito tempo, tem uma página no MySpace.

E uma entrada na Wikipédia.

O álbum, o único que fizeram, chama-se Details.

domingo, 9 de novembro de 2008

José Maria da Fonseca — Garrafeira TE '1999

Palmela DOC, este TE — Tinto Especial — é um dos «Garrafeira» classificados com letras de código da José Maria da Fonseca.

Diz a página do produtor que este vinho provém dos solos argilo-calcários da Quinta de Camarate em Azeitão [ou seja, da Arrábida] e resulta da combinação da casta Castelão com outra internacionalmente conhecida: o Cabernet Sauvignon [75% da primeira e 25% da segunda]. Estagiou durante 11 meses em barricas novas de carvalho.

Foram feitas 32375 garrafas.

Quanto à prova — escusado será dizer que o bebi todo — revelou-se rubi transparente no copo com halo atijolado. Nariz leve e muito desenvolvido, de ataque indefinido, doce e terroso, que com o ar se foi transfigurando em morangos, muito rebuçado e folhas secas de eucalipto sobre fundo de cabedal, castanhas e restos de azeitona preta, daqueles que ficam para trás no lagar quando se faz azeite. Boca elegante, doce e não muito volumosa, cheiinha de fraises confites que aparentam estar já a recuar e taninos finos e poeirentos que começam a desvanecer-se num primeiro sinal de cansaço. Ainda delicioso, terá já passado o ponto óptimo de maturação.

Custou 20€.

16,5

sábado, 8 de novembro de 2008

Bifinhos Enrolados + Cogumelos

Há muito que não mostramos nada novo de comer aqui no blogue. Esta receita, interessante e versátil, é das que se têm repetido à nossa mesa desde sempre. Quase toda a gente tem a sua interpretação dela; aí vai a nossa:




Ingredientes:

6 bifinhos de vitela, finos;
6 fatias de queijo mozzarella;
½ chouriço de porco preto, sem pele;
250g de cogumelos frescos, cortados ao meio;
200ml de cerveja;
4 dentes de alho;
azeite;
sal, malagueta seca, cominhos e alho em pó, tudo a gosto.


E prepara-se assim:

Estendem-se os bifinhos e temperam-se com sal, cominhos, malagueta seca e alho em pó. Depois, por cima e no meio de cada um, coloca-se uma fatia de queijo mozzarella, dobrada no sentido do comprimento. E, por cima do queijo, três rodelas finas de chouriço. Enrolam-se então os bifinhos e atam-se.

Numa panela baixa e larga, em lume sempre forte, aquece-se muito bem um fundo de azeite. Aí se deitam os 4 dentes de alho, inteiros, e deixam-se tomar cor. Douram-se os bifinhos de ambos os lados neste fundo de azeite e juntam-se os cogumelos. Cozinha durante dois ou três minutos. Por fim, rega-se tudo com cerveja e deixa-se cozinhar até o molho reduzir.

Comeram-se com arroz de feijão, só que desta vez, em vez de feijão branco, usámos feijão canellini.

Velharias (6)

Segunda-Feira, 22 de Agosto de 2005. Ardeu toda a noite. Fugimos. De automóvel, andámos a circundar o incêndio. Toda a noite. As cinzas chegaram a junto do rio. Os cães como que pressentiam a desgraça. A excitação e o medo.

Foi uma das noites mais bonitas da minha vida. O facto é que adoro ver coisas arder...





A Lua e as Fogueiras





*





Naquela noite, mesmo que Nora se deixasse derrubar sobre a erva, não me seria bastante. Os sapos não deixariam de coaxar, nem os automóveis de acelerar na descida, nem a América de acabar naquela estrada, com aquelas cidades iluminadas junto à costa. Compreendi, na obscuridade, por entre aquele aroma de jardins e pinheiros, que aquelas estrelas não eram as minhas, que, como Nora e os fregueses, me causavam medo. Pavese, 1950.





Fumo e fogo, aqui tão perto. Tão dentro da cidade, do lado de cá da circular, parece impossível.

Ouvem-se sirenes, tantas tantas.

Vizinhos a discutir...

Saímos. Ainda volto para fechar umas persianas. Mais vizinhos, consternados. Uma rapariga tenta conter as lágrimas no elevador.

Duas e meia ou três da manhã... Vento. Pessoas que fogem. Lá bem no fundo, ninguém deve acreditar que estes monstros de betão possam arder, mas o pânico é contagioso e, de mim para mim,

Só para mim,

Tantas luzes, sirenes, fumo negro, cheiro a fogueiras de mato e pinho,

Tanta gente que por um momento se esqueceu de ser mesquinha,

Tanto fumo tanto pânico

(Tanto medo?)

Sabe-me bem.

E não devia confessá-lo, mas...

Como é que uma coisa destas foi acontecer AQUI?

Ao cimo da avenida, do outro lado da rua, depois da rotunda aérea, lá no inferno, ardem pessoas e pertences de pessoas e animais e plantas e sonhos e aqui tão perto cheira bem.

Depois fomos embora. Volvidas umas horas, nada. Tudo acabado. Nem o mais leve resquício de fumo dentro de casa.

(Ciscos, cinzas, um raminho de pinheiro, carbonizado, que conservou a sua forma original.)




Comentava a Sara que as fotos dos fogos, ao longe, faziam lembrar um jovem planeta, ambiente em fase primordial... Rios de lava cortando colinas negras, pedras fundidas, géiseres luminescentes.

Quer queira quer não, um tipo acaba a lembrar-se do Sá-Carneiro...

. . . . . . . . . . .

Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...

. . . . . . . . . . .

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Herdade dos Grous '2007

Outro vinho de Beja, este da Herdade dos Grous, e um dos novos clássicos da região, embora as primeiras vinhas da quinta se tenham começado a plantar apenas em 1987.

Vinificado a partir das castas Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional.

Cor escura. Fresco e sumarento. Amora, cassis, figo em passa, gelado de morango. Feno seco e folha de eucalipto, sobretudo no palato. A madeira do estágio, no ponto, nunca se intromete com a fruta. Redondo, elegante, dotado de bom volume e persistência, achei engraçado este vinho estar já tão maduro, tão oferecido e apetecível, sendo ainda tão jovem.

Ainda assim, para já, diria que gostei mais do de 2006. Se um bocadinho em garrafa o vai beneficiar, a ver vamos...

Custou 9€.

16

Herdade da Figueirinha — Reserva '2005

Outro vinho de menos de 4€ (de facto, menos de 3, se a memória não me atraiçoa) que bebi recentemente foi este alentejano da zona de Beja, da Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha. Diz o contra-rótulo que foi produzido a partir das castas Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon. Quanto ao estágio, não dizem nada, nem na garrafa nem na página do produtor, mas é certo que o teve.

Cor rubi, não muito concentrada. Aroma franco, directo, com muita fruta vermelha pouco madura e elementos vegetais verdes, frescos e indefinidos, a fazerem lembrar salsa. Mostrou ainda evidentes notas de laranja amarga e chocolate preto. Corpo ligeiro, com a acidez, talvez no limite, a ajudar a integrar os 13,5% de álcool. Mais fruta verde. Mais verde vegetal. Estranhas sugestões animais, a fazerem lembrar porco estufado em vinha d'alhos. Final curto.

É um vinhito ligeiro, sem grandes pontos de interesse. Não está mal para o preço, mas ainda mais longe de impressionar.

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Pingo Doce — Douro Reserva '2005

Douro DOC produzido pela Calheiros Cruz. O enólogo responsável por este vinho continua a ser Anselmo Mendes. Já tinha provado o de 2004. Para começar, noto que não existe mais informação disponível acerca deste que do anterior. Talvez continue a não valer a pena.

Tal como o seu predecessor, foi vinificado a partir de uvas das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Aragonês. Estagiou em madeira, mas não dizem quanto. Tem 13,5% v/v de álcool.

Cor rubi. Aroma simples, um pouco trôpego. Fruta silvestre madura, fogueira de lenha e/ou queijo azul. Na boca, mais fruta, e fruta mais expressiva. Mais barrica, e melhor definida. Saboroso. Porém, nota-se-lhe certa desarmonia estrutural: o álcool acaba por se evidenciar em demasia e os taninos, embora até bastantes, mostram-se um pouco duros, sem conseguirem, contudo dar outra envolvência ao vinho. O final é curto e limpa a boca.

Falta-lhe polimento. Pede comida pesada. Para mim, está claramente abaixo do de 2004.

Custa quase 4€.

13,5