quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Velharias (5)

Não sei amar.

A minha mente é vaga
A minha alma, vazia
O meu coração, negro.

O meu amor sabe a ódio,
Cheira a ódio.

Contudo,
Sei que a única coisa que devia odiar é o ódio que existe dentro de mim.

O meu amar amargo
Confunde os sentidos e afasta.

Verdade:
Quanto mais te amo, mais te afasto.

Lamento.

E tu?
Sofres.

Desculpa.

Desculpa-me tu
E que me desculpe eu próprio.

Não me quero assim.
Prisioneiro da minha própria podridão.

Apatia, orgulho, ciúmes
Três palavras definem-me.

Não te mereço.
Não mereço o mundo.
Não mereço luz nem cor nem som ou sombra.

E tu?

És uma flor.
Fechas-te quando faço cair a noite.

Só me resta que me perdoes,
Esperar novamente pela manhã.

(8/8/2005)