domingo, 1 de junho de 2008

Hambúrguer à Puto Bebe com Molho "Zion" + Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2004

Foi o meu (nosso) jantar de ontem.
Adorei. Vale mesmo a pena o trabalho que dá.

Molho Zion. Achei engraçado chamar-lhe isto. Porque será?

Já agora, sabia que, em bom português, "hambúrguer" se escreve assim? Eu não. Nunca suspeitei do acento agudo a empurrar o "u"...

E aqui, um pouco de informação extra sobre este ícone da culinária americana.
Que história interessante! Que receita venerável! Não?!


Ingredientes:

600g de carne de vaca (bife) picada. E aqui uma ressalva: nunca apreciei aquelas carnes picadas pré-embaladas, "para hambúrguer", que se vendem nos supermercados. Não querendo ou não podendo triturar a carne em casa — porque, regra geral, os trituradores domésticos deixam a carne picada com um grão demasiado fino, quase em papas — peça no talho que lhe triturem um naco de carne adquirido na altura. Não só estará a comprar carne mais saborosa como terá outro tipo de garantias acerca daquilo que estará a comer;

5 ou 6 batatas grandes, de preferência novas, de casca branca e fina;
1 cebola média;
300ml de natas;
sumo de 1 limão;
óleo de amendoim;
farinha;
pimenta verde em grão, malaguetas secas, sal e pimentão doce (colorau) q.b.


Como se faz:

Cortam-se as batatas, com casca, em fatias relativamente grossas (com cerca de meio centímetro de espessura) e cozem-se, mas não muito, para não se desfazerem. Quando cozidas, escorrem-se e levam-se ao forno, espalhadas num tabuleiro, a 250ºC, durante mais ou menos meia hora.

Enquanto isto, misturam-se a carne e a cebola picadas, farinha, o sumo de limão, malagueta seca, pimenta verde em grão, sal e colorau de forma a que resulte uma massa moldável. Com esta massa, que deverá não ser muito consistente, fazem-se bolinhas. Leva-se ao lume forte um fundo de óleo de amendoim e, quando este estiver bem quente, põem-se lá as bolinhas, que, acto contínuo, se espalmam, formando os hambúrgueres propriamente ditos, mas não ao ponto de ficarem muito finos, em nome da suculência! Quando a parte de baixo dos recém-formados hambúrgueres se puder descolar sem problemas do fundo da frigideira, viram-se. Depois, quando tiverem começado a dourar de ambos os lados, deixam-se fritar em lume brando — de novo, pela suculência. Quando estiverem bem dourados, com aparência de cozinhados, colocam-se numa travessa capaz de ir ao forno e assam-se a 200ºC durante 10 minutos.

Entretanto, convém ir-se fazendo o molho.
Deita-se pimenta verde esmagada num tacho bem quente. Juntam-se-lhe natas e sal e espera-se que o molho engrosse. É importante usar um tacho baixo e largo para o molho engrossar mais uniformemente.


Também bebi (pois então), E o eleito da noite foi um vinho das Terras do Sado, um Adega de Pegões Colheita Seleccionada '2004. Foi sozinho em jeito de prova, acompanhou o hambúrguer, foi com um bocadinho de queijo Manchego velho à sobremesa, e ainda acabou por voltar a ir sozinho, o fim da garrafa, enquanto via um filme (já agora, foi o remake do Insomnia: muito giro, por sinal).

Trata-se de um vinho sobejamente conhecido e premiado, enfim, uma das grandes relações qualidade/preço do mercado. Não desapontou. No copo, notei logo que estava perante um vinho muito escurinho, concentrado. Depois, nariz intenso e complexo de flores, frutos e fumos, e mais — a Touriga Nacional a dar sinal de si. Na boca, macio e saboroso. Boa acidez, bons taninos, bom final.

Muito agradável!

Ademais, tudo indica tratar-se de um vinho que envelhece bem. Custou 7€.

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