segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mouton Cadet '2005

Mouton Cadet, colheita de 2005. Tinto de Bordéus (AOC) produzido pela Baron Philippe de Rothschild, S.A. Mostra aromas pouco intensos a frutos vermelhos; aqui e ali, um desmaiado traço de etanol que rapidamente se esfuma em frescos balsâmicos. Pinho, mentol. Na boca, sempre muito fresco e elegante. Pouco álcool, baixa acidez. Tal como no nariz, a fruta não surge muito doce, mas delicada, enlaçada com suave, fria mineralidade. Termina razoavelmente longo e saboroso.

A história deste vinho resume-se à universalidade com que, voluntariamente, se define. É dos vinhos franceses mais vendidos no mundo, visto por muitos como a resposta ao bem sucedido ataque dos vinhos do novo mundo ao mercado norte-americano, e feito para agradar a gregos e troianos, digo, a europeus e americanos, tendo vindo a defender com honra as cores de Bordéus a um preço relativamente baixo. Focando-se nessa mesma universalidade, o produtor tentou criar um vinho fácil, suave e minimamente complexo, feito para ser bebido novo e, acima de tudo, para não agredir — ao mesmo tempo emulando, na medida do possível, o registo bordalês «clássico». E apesar de ter abandonado o estágio em madeira, o facto é que aparenta tê-lo conseguido. Porém, aqui, inevitavelmente, algo se perde. Se por um lado lhe falta a potência de um vinho bem espigado, «à novo mundo», se quiserem, cheio de fruta e madeira e do que com ela vem, por outro, também não possui a finura e complexidade que se espera de um vinho feito para agradar pela via da suavidade, da elegância. É que isso só costuma vir com coisas que ele não tem.

Seria mesmo necessário fazê-lo tão genérico e descaracterizado?

Custou mais ou menos 10€. É caro para o que vale.

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