quinta-feira, 31 de julho de 2008

Cheesecake de Framboesas

Pode ler-se na wiki (em português) que,

segundo os profissionais, existem "mais teorias sobre o bolo de queijo, do que pessoas que saibam prepará-lo". E pouco mais.

Já a wiki em inglês se mostra mais reveladora.

De qualquer forma, enfim, devo ser um sortudo, já que a S. sabe prepará-lo, e muito bem. Ainda me lembro de quão aturdido fiquei da primeira vez que me surpreendeu com um: estava na mesma onda daquele que às vezes comia no restaurante de certo hotel muito bonito da capital — aquele palacete amareluxo que se impõe lá dum alto ainda limpo e verdito — só que menos feito, mais directo, mais leve, mais límpido — melhor. Agora vamo-lo fazendo de vez em quando, e deste nunca vão restos para o lixo. Como há dias a ms. preparou um que até fotografámos, aí fica:




Num recipiente grande, misturaram-se 500g de queijo ricotta, 200ml de natas, 370g de leite condensado, duas colheres de sopa de farinha de trigo e 5 ovos. Bateu-se tudo muito bem com uma batedeira eléctrica durante 7 a 10 minutos. Trituraram-se finamente cerca de 350g de bolachas shortcake. À "farinha de bolacha" que assim se obteve, adicionaram-se 80/100g de margarina, até a mistura resultar numa massa moldável. Com ela se forrou o fundo de uma forma, tendo-se alisado o topo da camada.

Por cima desta base, deitou-se a massa de queijo, por assim dizer, o corpo, ainda cru, do cheesecake. Foi ao forno a 170ºC durante cerca de hora e meia, coberto com uma folha de papel metalizado para diminuir o risco de o topo se queimar. (Quando, apesar dos cuidados, isto acontece, pura e simplesmente retira-se a parte queimada, que parecerá empolada quando o cheesecake arrefecer.)

Mas, desta vez, nada se queimou.

Quando faltavam apenas 10 minutos para o término da cozedura do cheesecake, levou-se ao lume forte um tacho contendo 500g de framboesas e 225ml de açúcar branco. Passou-se a mistura com a varinha mágica e deixou-se cozinhar em lume forte, mexendo sempre, mais uns 10 minutos — até a mistura aparentar estar em ponto de estrada.

Cobriu-se o cheesecake saído do forno com a calda de framboesas, deixou-se arrefecer e levou-se ao frigorífico. Comeu-se — come-se e comer-se-á sempre — bem frio.

Se pretender acompanhá-lo com uma bebida fixe, note que o cheesecake é cremoso e encorpado. É doce, mas não muito. É aromático e directo. E na cobertura, a doçura do açúcar e a acidez das framboesas moderam-se mutuamente.

Assim, a bebida alcoólica ideal para o acompanhar deverá ser encorpada, a encher a boca, para fazer face ao corpo, também cremoso, do bolinho. Como ele não é complexo, junte-se a estas considerações certa conveniência de que a bebida a acompanhá-lo o seja. Como se trata de uma sobremesa doce com um toque de acidez, então, harmonize-se por aproximação com um vinho que também apresente estas características.

Então, que vinhos de sobremesa são cremosos, gordos, encorpados, complexos, dotados de boa acidez e doces — mas não muito? Uns quantos! Alguns "colheita tardia", alguns Sauternes...

Porém, sempre preferi acompanhá-lo com whisky e água das Pedras. Uma combinação extraordinária!