sexta-feira, 25 de julho de 2008

Esmero '2004

Do Douro, produzido por Rui José Xavier Soares.

No rótulo, os seguintes dizeres:

Este vinho provém de uma pequena parcela (0,73ha) de vinha muito velha com cerca de 80 anos de idade, instalada em socalcos tradicionais durienses a baixa altitude. O encepamento é constituído por uma mistura de castas com predomínio da Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela; com menor expressão encontra-se o Alicante Bouschet, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Tinto Cão, entre outras.

As uvas foram vindimadas em 23 de Setembro e vinificadas em lagar tradicional, tendo o vinho estagiado durante 18 meses em barricas de carvalho francês. As 3650 garrafas resultantes permaneceram em estágio de cave durante 6 meses, as quais podem ser consumidas desde já, ou aguardando pela sua evolução nos próximos anos.

Como recomendado, servi-o a 18ºC. No copo, cor rubi profunda, bastante opaca.

Apesar de decantado, começou muito fechado. Apenas transparecia certo cheiro a etanol em solução. Pouco depois, este começou a desdobrar-se em duas vertentes: uma balsâmica, a fazer lembrar doce resina de pinheiro, outra química, cheia de solventes aromáticos. Diferentes mas intimamente ligadas, ora sobressaindo uma, ora a outra, assentes num fresco fundo mineral. Nesta altura, o vinho mostrava-se muito denso e fresco na boca, mas sem grande expressividade. Com o arejamento, estas primeiras impressões foram-se desvanecendo. Surgiu então madeira e fruta ao natural, esta mais ácida que doce, acima de tudo discreta, a funcionar quase como elemento de suporte. Na boca, ia-se começando a notar a verdadeira estrutura deste vinho, grande, com muito álcool e muitos taninos de grão fino, mas densos. Tudo isto envolto pelo frescor de certa acidez, contida mas eficaz, e muito necessária, já que assim ia aligeirando a sensação de peso deixada por tanta madeira. Com o passar do tempo, o vinho acaba por abrir completamente. Dissipa-se parte da acidez. Surge cada vez mais fruta, cada vez mais doce, até que é esta que acaba por predominar no nariz e no palato, agora com a própria madeira a mostrar-se mais aberta, com aromas mais diferenciados: tostados, baunilha, canela, a servir de elemento de suporte — sempre moderada, aligeirada, pelos balsâmicos refrescantes.

Este é um vinho «de coisas grandes» — intenso, exuberante. Cheio de força, sim, mas sempre educado, sempre elegante nas várias faces que nos vai mostrando. Foi muito interessante descobrir este excelente tinto. Custou 18€, e se os vale!

17,5