terça-feira, 8 de julho de 2008

Tostas com Molho Mexicano e Fondue de Frango sem Queijo + Periquita — Reserva '2004

Ontem à tarde, eu e a S. resolvemos fazer um bolinho. Como fazer estas coisas não é a nossa vida e já estávamos cansaditos quando nos pusemos a fazer o bolo, resolvemos depois fazer um jantar rápido e que desse pouco trabalho. Não pensámos muito até optarmos por uma forma de fondue rápida, sem queijo, a acompanhar com bocadinhos de pão e precedida por uma entrada.

A entrada foi inspirada nos clássicos nachos con salsa mexicana (pico de gallo). Esta salsa, molho, que afinal é salada, é uma delícia fresca e saudável. Ora, falar de comer um molho e chamar-lhe salada, ou vice-versa, poderá parecer estranho no princípio, mas o facto é que este molho, que de molho só tem a função porque nele se molham os nachos, ou no nosso caso fatias de pão tostado no forno, não é mais que uma salada de textura fina, inteiramente vegetal, que se faz assim:

Para dentro de uma taça, cortam-se três tomates duros — nem muito maduros nem muito sumarentos — e meia cebola grande, em cubos muito pequeninos. Junta-se a esta mistura meia colher de sopa de alho picado, seco — que é parecido com o alho em pó, mas apresenta textura granulada. Mexe-se. Junta-se depois o sumo de meia lima e mexe-se novamente. Junta-se meia colher de sopa de azeite picante e volta-se a mexer. Por fim, juntam-se o sal, o azeite e os orégãos — tudo a gosto — e mexe-se ainda outra vez. Deixa-se repousar um pouco e vai-se mexendo até à hora de ir para a mesa.




Para a fondue, cortámos aos bocadinhos 500g de bife de frango e temperámo-los levemente com um pouco de óleo de amendoim, colorau, sumo de lima, sal e piri-piri. Quantidades? Tudo a olho. Deixámos repousar durante 10 ou 15 minutos: o tempo de pôr a mesa e fazer os molhos. Desta vez só fizemos dois: de alho e de azeitonas.

O molho de alho foi preparado juntando dois alhos finamente picados com duas colheres de sopa de sumo de lima, uma de azeite e quatro de maionese. Mistura-se tudo muito bem e deixa-se repousar um pouco.

Para o de azeitonas, descaroçaram-se umas azeitonas que depois se cortaram em rodelas finas e se misturaram com uma colher de sopa bem cheia de maionese. Se o molho ficar muito grosso, junta-se uma colher de sopa de azeite.




Uma vez tudo pronto, inicia-se a refeição. Esta quantidade de carne é cozinhada na panela de fondue com um lume de início forte, que depois se passa para o mínimo, sem qualquer fonte de gordura adicional.

Acompanhei-o com um Periquita Reserva de 2004.

Produzido pela José Maria da Fonseca a partir das castas Castelão (50%), Touriga Nacional (30%) e Touriga Franca (20%), este vinho regional das Terras do Sado com 13,5% vol. estagia durante 8 meses em barrica.

A Revista de Vinhos deu-lhe 16 valores e a sueca Dina Viner, 88 pontos.

Decantei-o ainda um pouco antes de começarmos a fazer o jantar. Servi-o a 13/14ºC, de modo a que, no decorrer da refeição, não superasse os 16ºC apontados como "ideais" por quem o faz. No nariz revelou aroma profundo a morangos e framboesas um pouco ácidos, bem enlaçados num perfume floral complexo e não muito doce, tudo isto envolto em impressões amadeiradas. Na boca mostrou frutos vermelhos doces, mais gulosos que no nariz, alguma especiaria suave, e corpo redondo e equilibrado, com boa presença de acidez e taninos maduros, mas talvez ainda não de todo, indicando que, embora mais que pronto a beber, este vinho poderá guardar-se por mais uns anitos. Termina um bocado curto e ligeiramente adstringente.

Pareceu-me outro vinho de ataque intenso e envolvente, desenhado mais para ser regular e dar prazer «aqui e agora» ao maior número possível de pessoas que para ser um vinho propriamente memorável — um pouco na linha do Malbec que provei ontem. Coisas de um vinho feito para singrar lá fora. Afinal, consta que 75% da produção dos Periquita se destina à exportação, sendo o vinho europeu mais vendido no Brasil, país onde este Reserva foi fortemente promovido...

Custou 7€.

16

No fim comemos o bolo, mas isso é tema para outro post.