quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Perolivas — Reserva '2004

O excelente rótulo — porque é que não são todos assim? — indica-nos ser um Vinho Regional Alentejano produzido no Monte dos Perdigões em exclusivo para o grupo Jerónimo Martins, com uvas provenientes da vinha do Vale do Rico Homem, onde estão plantadas as castas Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Syrah, Tinta Caiada, Touriga Nacional, Aragonez e Petit Verdot. Diz-nos ainda que estagiou 12 meses em tonéis e barricas de carvalho francês Allier de grão fino e queima média, e termina com uma análise química do vinho, efectuada nos laboratórios da CVRA.

Cor granada. Qual agradável névoa a dar sempre vontade de cheirar um pouco mais, o nariz, doce e rico, de fundo fresco, onde predominavam as cerejas e o caramelo, ia também mostrando vegetal seco, tabaco, rebuçado — e madeiras muito bem integradas, discretas mas fundamentais, a trazerem complexidade ao vinho com notas de tosta, baunilha, cedro, e outros aromas, mais resinosos, frescos mas acres. A acidez, presente mas moderada, evocando azeitonas verdes mais que prontas a comer, só por momentos se deixava perceber como elemento destacado, fundindo-se rapidamente nos componentes amadeirados frescos e deixando atrás de si uma sombra a sugerir ligeiro mentol e um peculiar componente cítrico que só nos fez lembrar laranja amarga.

A boca, de corpo mediano, na toada do nariz, mostrou-se doce e bem equilibrada. Álcool e acidez no ponto, e bastantes taninos, mas talvez um pouco rugosos, deixando certa ideia de adstringência no final, longo e claramente amadeirado, cheio de resinas e tostados.

E aqui fiquei com uma dúvida: aparentando os aromas e o corpo deste vinho já certo grau de evolução, será possível os taninos ainda estarem verdes?

O preço ronda os 10€ — um pouco menos — no Pingo Doce.

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