sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Tinto da Talha — Grande Escolha '2005

Da Roquevale, um Vinho Regional Alentejano feito com uvas das castas Aragonês e Touriga Nacional. As uvas foram vinificadas em estreme, tendo o vinho resultante sido posteriormente estagiado em barricas de carvalho francês e americano.

Diz o rótulo, entre outras coisas, que «O nome deste vinho celebra a tradição romana que ainda vigora na região de vinificar numa talha de barro.» Pois é. Consta que também este vinho assim foi feito até 1994.

No copo, mostrou cor rubi, bastante concentrada. Logo de início, detectei ligeiro aroma lácteo, como que a sugerir batido de morango. Parece que, tecnicamente, isto é considerado um defeito — será porque certas leveduras deviam estar vivas e este aroma indica que pelo menos parte delas morreu? — mas eu até gosto, pelo que, para mim, até é algo interessante de encontrar — desde que não ofusque os demais aromas. Para além do «defeito», o nariz mostrou ligeiro floral e muitos frutos vermelhos, redondinhos, ao natural, só um bocadinho doces e um tudo-nada ácidos, muito bem entrosados com discretas notas de fumo de madeira. Na boca, encontrei-o encorpado e muito suave, muito equilibrado — de facto, bem mais do que estava à espera — e possuidor daquele traço distintivo que, num mundo de iguais, faz a diferença — os aromas mais ácidos a levarem-nos para a velha adega da família: no escuro, sem mofo, as barricas húmidas do vinho novo... os tons ferrosos a evocarem aquele sabor ensanguentado, um pouco doce um pouco fumado de picanha grelhada... a mineralidade peculiar, a lembrar tijolo... Isto, algum realce deve merecer, posto que o vinho ainda está muito jovem. O final é que se revelou uma meia desilusão. Termina saboroso e limpa a boca, mas falta-lhe persistência.

Considerando o prazer que já dá, se lhe juntarmos o bom potencial de envelhecimento e um preço de mais ou menos 7€, fiquei contente com a compra. Tenho a ideia de que gostei mais deste do que do de 2004.

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