segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Evel — Grande Escolha '2004

Outro habitué da minha garrafeira. Douro DOC, topo de gama da Real Companhia Velha. Para perceber o que dele se espera, bastará citar um pequeno excerto da apresentação que lhe é feita pelo produtor:

O Evel Grande Escolha representa, actualmente, o topo da gama dos vinhos da Real Companhia Velha e pretende vir a afirmar-se entre os melhores do País.

É um dos «101 Wines Guaranteed to Inspire, Delight, and Bring Thunder to Your World», de Gary Vaynerchuk.

Decantei-o mais de uma hora antes de o servir — a 17ºC.

A cor, de tom rubi carregado, faz adivinhar uma muito boa concentração. Começa um bocadito fechado, mostrando, muito suave, aquele aroma a fazer lembrar framboesas com mato e um toque de verniz, característico dos bons tintos do Douro. Que cresce, e aí o nariz ganha um bom componente balsâmico, mais fruta e mais mato, frescas ervas aromáticas, resina de pinheiro e um toque de cânfora... Na boca é denso, com mais daquilo que mostra no nariz, mas com a fruta, agora intenso cassis com ponta de chocolate, a mostrar-se grande, a querer ser gulosa... Acabando, contudo, sempre moderada pelas bonitas notas de tosta de madeira e pelo «dedo» químico que, discretos, mantêm o conjunto no lugar.

De estrutura notável, fresco e encorpado, com belos taninos, muito persistentes, acidez bem domada e uma pontinha de álcool, é um vinho de grande harmonia, tanto no nariz como na boca — apesar da juventude. O final é longo e muito saboroso.

Dos vinhos que conheço, não só é dos que têm mostrado maior consistência, colheita após colheita, como tem sido dos que apresentam melhor relação qualidade/preço. Sem surpresas, é sempre muito bom. Por 15/17€, não fica a dever nada a outros topos de gama do Douro, mas custa metade do preço da maior parte deles. Ainda bem.

17,5