domingo, 14 de setembro de 2008

Mouchão '1998

Este bebi-o na rua, digo, bebi-o num restaurante aquando da minha última, recente, ida à parvónia. Foi aqui, num lugarzinho acolhedor que há muito é dos meus poisos favoritos quando vou a Castelo Branco ver os velhotes, que o acompanhei com uma bela entrada de cogumelos gratinados em molho de queijo e natas — e que mais, só Deus o poderia dizer — e um belo prato de borrego com miúdos. Comida impecável, com o chef a conseguir valorizar os ingredientes da região, apresentando-os de forma moderna, nada aborrecida, mas ao mesmo tempo mantendo certo tradicionalismo que cai bem. Quanto ao vinho, agradou-me ver que era muito bem tratado. Assim que se proporcionar, lá estarei batido outra vez, certamente.

Não tirei fotos porque acho que fazê-lo num restaurante, então num assim... já melhorzinho, é mortalmente foleiro, tão parolo que nem há palavras. E se não merecer a morte, disso não andará muito longe.

O vinho estava porreiro. Pedi-o a 16ºC «ou um pouco menos». Lá mo arrefeceram e decantaram, sem historietas. A somar a isto, só posso recordar o serviço atento — nunca cheguei a ter o copo completamente vazio — e a utilização de copos adequados.

Ora, já passaram uns dias, mas recordo que o vinho apresentava uma bonita cor granada com orla já a fugir para o acastanhado — curioso, hein? Pelo menos para mim, que esperava não o ver ainda tão evoluído... — Porém, a fruta ainda lá estava, extremamente suave e profunda, bem casada com uma madeira nobre, acetinada, ora a sugerir seivas, ora especiarias — com uma largura de boca invejável, taninos aveludados mas robustos — está para durar — e aromas e sabores de bela persistência.

Uma nota curiosa: ao contrário de muitos outros vinhos que apresentam notas lácteas — a evocar batido de morangos e afins! — se não no ataque, quase... neste, o lácteo surgia após algum tempo na boca, como se as impressões amadeiradas que o vinho transmitia nele fossem degenerando. Porém, o final mostrou-se sempre entre o resinoso e o balsâmico.

Engraçado, não é?

Por uma pinga tão cheia de classe, num bom restaurante, paguei... 44€. Ou seja, tanto como numa garrafeira! Nem queria acreditar. É por estas e por outras que vão ter de me aturar mais vezes.

Quanto ao vinho, mereceu à vontade 18,5.