quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Quinta de Ventozelo — LBV '1999

Não terminar os meus repastos da noite com um bom Porto ou coisa que o valha tem sido uma luta que me decidi a travar desde que comecei a notar as calças cada vez mais apertadas.

«Longe» vão os dias em que dois, três, cinco... cálices de bom vinho doce com queijinho ou bolinho à sobremesa eram condição sine qua non para conseguir adormecer — e era tiro e queda: adormecia que nem um porco, esparramado no sofá, e a meio da noite lá acordava e me arrastava até à cama — enfim, uma vida cheia de dor... Adiante.

Contudo, um gajo não é de ferro, e... que se foda! Às vezes, sacrificar um pouco da aparência a deuses maiores, como a Gula e a Preguiça, também não há-de fazer senão bem. Um insight muito interessante sobre este assunto, descobri casualmente aqui. Vão lá ver... Porque aquilo, sim, é verdade! É tudo verdade!

Para mais, como já passei a fase do Armando Carvalho — mas estando ainda a parsecs de «me chamar» Serafim Carvalho, só para que conste — que mal pode fazer um pneuzito ou outro? Bah!

Ainda assim, tenho resistido bem. Faz já algum tempo que claudiquei pela última vez, e foi com este Porto, um Late Bottled Vintage da Quinta de Ventozelo. Bem recebido pela crítica, levou 16 valores e meio de um senhor — chamado Luís Lopes — que trabalha para a Revista de Vinhos, e já ganhou qualquer coisita nesses concursos que por aí se fazem. Nada de, só por si, muito revelador — Mas encontrei-o muito baratinho aí há tempos, custou 7 ou 8€ numa promoção! — e o resto é história.

Dele foram feitas 10000 garrafas de 75cl a partir das cinco castas recomendadas para a região demarcada do Douro por «aquele estudo basilar» do Eng.º João Nicolau de Almeida. Estagiou durante 4 anos em pipas — de 550l — de castanho e carvalho português. E vinha muito bem vestido, numa garrafa muito bonita, negra e perfeitamente opaca, com direito a caixinha de cartão e tudo. Trazia ainda, numa bolsinha à parte, uma rolha capsulada — para substituir a rolha de origem uma vez vez aberta a garrafa. Poucos vintage vi serem tão bem tratados!

O vinho em si é escurinho, intenso de aromas — muito mais intenso que complexo, o que não surpreende ninguém, dada a idade e a estirpe — com predominância de frutos silvestres e especiarias, e talvez algum torrado. Na boca, denso, com bom volume e um final longo e melado, muito agradável.

Ao preço a que o comprei, foi um achado daqueles...

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