domingo, 5 de outubro de 2008

Calda Bordaleza '2005

Há dias, hora de jantar, na rua e sem a menina, na altura ocupada com outros afazeres, calhou passar ao pé do Ida & Volta, na Calouste Gulbenkian, e ocorreu-me ir ver como era.

Nunca lá tinha ido. Parecia-me um pouco pedante, que Deus me perdoe. Mas entrei e não fiquei nada desiludido. Devo dizer, até, que gostei muito.

É um restaurantezinho muito simpático, pelo menos se não estiver cheio, confortável e onde se come bem. A garrafeira, embora nem por sombras se possa considerar grande, está bem composta, com uma data de vinhos porreiros a preços convidativos. Como já tinha ouvido dizer bem deste — 17,5 valores no guia de João Paulo Martins, por exemplo — e ali o tinha a jeito...

Trata-se, então, de um tinto da Campolargo, de Manuel dos Santos Campolargo, talvez o mais inovador e irreverente produtor da Bairrada — ideia inevitável após a leitura deste interessante artigo.

É uma calda típica da região do Médoc — aliás, como o nome indica — feita a partir de 45% de uvas Merlot, 40% de Cabernet Sauvignon e 15% de Petit Verdot, e que passou 13 meses em madeira nova.

No copo, rubi escuro, opaco. No nariz, ainda um bocado fechado, como que a guardar-se para o futuro. Percebi-lhe, contudo, uma interessante fusão de romãs e frutos vermelhos com relva recém-cortada e pimento verde, fumo e madeira. Tudo suave e bem misturado, agradável. Tal como na boca. Sedoso e redondo, de acidez vincada e álcool perfeitamente integrado. O final, saboroso, podia ser mais persistente.

Fez companhia a um coelhinho à caçador — que também estava muito bom — e deram-se lindamente. Custou 33€: um preço mais que justo — convidativo.

Não terminei a noite sozinho. Enquanto caçava no prato, elas despacharam-se e vieram fazer-me companhia... e comer sobremesas.

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