domingo, 12 de outubro de 2008

Penfolds — Bin 407 Cabernet Sauvignon '1996

As uvas a partir das quais são elaborados estes tintos australianos provêm de diversos lugares da Limestone Coast, na região sudeste do país. Investigando um pouco, descobri que a colheita de 1996 procedia, pelo menos maioritariamente, de Coonawarra. O enólogo, John Duval — que agora tem marca própria.

O produtor, um clássico que dispensa apresentações, tem página web aqui. Este Bin 407 surgiu como consequência do aumento de cepas de Cabernet Sauvignon de qualidade nas propriedades da empresa no princípio dos anos 90. É uma espécie de «irmão pequenino» do Bin 707, um dos grandes vinhos australianos. Por fim, parece que 1996 foi um ano excepcional na região... aliás, a última grande colheita de Bin 407... antes de 2004. Do rótulo:

... is a full-bodied but elegant style of Cabernet Sauvignon. The wine shows typical Cabernet varietal characters of blackcurrant and mint, together with superb oak integration resulting from 12 months maturation in French and American hogsheads.

Decantei-o hora e meia antes de servir. No copo, cor granada, intensa, escura, com orla alaranjada, mostrando evolução, mas sugerindo também que este vinho está bem vivo... talvez ainda nem no auge! Mostra intensos aromas varietais: ameixas maduras, bagas em compota, pimentão verde e pimenta preta, num conjunto denso, franco, maduro, completado por notas ácidas que fazem lembrar licor de limão... e aromas de estágio, sobretudo camurça e cabedal, mas também sugestões de malte e tosta de barrica. Saboroso, com muita fruta carregada e pimenta, bem dimensionado, com bom comprimento, taninos suaves, acidez vivaz e 14% de álcool maravilhosamente integrados, está aqui um belo vinho, pleno de saúde e ainda com muitos anos pela frente.

Não é, sequer, um topo de gama do produtor, mas... quantos portugueses temos actualmente com estas características?

Custou apenas 20€.

18

P.S. — Acerca dos «códigos bin» presentes nos rótulos de muitos vinhos australianos, encontrei aqui uma explicação que me pareceu convincente. Parafraseando:

Dizem que não existe código nenhum. Chama-se bin a uma zona de armazenamento numa cave. Do dicionário Merriam-Webster:

Bin,
Pronunciation:
\ˈbin\
Function:
noun
Etymology:
Middle English binn, from Old English
Date:
before 12th century
: a box, frame, crib, or enclosed place used for storage.

Ora, a cada nova colheita, vinhos da mesma natureza — castas, estilo, tempo de estágio — iam sendo arrumados no mesmo lugar — bin. Assim, e com o tempo, um dado nº bin foi-se associando cada vez mais a um certo vinho que lhe ia correspondendo. E deve ter sido assim que os números dos arrumos onde os vinhos eram guardados se tornaram as marcas dos mesmos.