sábado, 4 de outubro de 2008

Pintas '2003

Aquele sítio do Mouchão que encantou já tinha ficado fisgado para uma futura visita. Assim que possível. Ora, como nem duas semanas teriam ainda passado e eu já estava de volta à parvónia, lá fui fazer o gosto ao dente: por mais que um tipo goste de cozinhar, às vezes sabe bem que nos preparem qualquer coisita, sobretudo quando quem o faz sabe o que está a fazer.

De comer, tudo bom. Excepto o patê de faisão enrolado em couve, que estava divino. Pouco de novo experimentei. Sou um animal de hábitos.

De beber, hesitei bastante entre este Pintas e o Quinta do Vale Meão de 2004. Como os donos do Pintas me parecem ter mais pinta que os outros — fúteis motivos! — e também porque prefiro grandes misturadas de castas autóctones a percentagens bem definidas daquela meia dúzia, ou menos, de raças do costume, sobretudo tratando-se de vinhas velhas.

Pedi que mo decantassem e refrescassem um pouco, o costume. Assim que o abriram, primeiro reparo: que rolha tão grande! Tive de a trazer comigo. E até fiz uma coisa parola só para vo-la mostrar —




Eis pois o altarzinho. Adiante... É melhor!


O vinho propriamente dito não desapontou, nem pouco mais ou menos. De cor, continua muito escuro. Ou muito me engano, ou há ali pinga para muitos anos. De aromas, a destacar uma intensidade contida, uma discrição boa na forma como se foi mostrando ao nariz, que muito me agradou. Do Douro, tem tudo. As flores são brisa, não perfume. A fruta não explode nem surge em calda de açúcar, mas nota-se madura e muito apelativa. O mato seco também lá está, mas muito discreto, como que a abrir caminho para outros aromas — algum cacau, seivas e tosta de barrica. Fresco na boca, mostra grandes e suaves taninos, 14% de álcool perfeitamente integrado e uma acidez vibrante, mas domada na perfeição — ou quase. Gordo, muito redondinho, extremamente elegante, dotado de mineralidade límpida, nobre. E um belo final, longo e muito saboroso.

100€.

19

Falta o bláblá "contextualizante" do costume. Aí vai:

Da Wine & Soul, este vinho foi produzido a partir de uma trintena de castas diferentes, misturadas num encepamento tradicional para Porto Vintage, numa vinha com 70 anos. Estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho francês, 70% das quais, novas. Encheram-se 5000 garrafas de 75cl.