domingo, 2 de novembro de 2008

Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém — Alfrocheiro '2002

Bebido no dia seguinte, o oposto do vinho do post anterior, este delicado Alfrocheiro da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém mostrou no copo cor granada, pouco concentrada e a fugir para o laranja.

De aromas mais persistentes que intensos, ofereceu doces cerejas e morangos em fundo de rebuçado, com traços de especiarias.

Na boca, suave, fruta vermelha e licor de fruta vermelha, depois marmelo e por fim cabedal, tabaco fresco e nozes diluídas em algo a que não sei dar nome, que me levou até uma velha cave de granito, fria, escura, húmida, um pouco bafienta. Elegante por via da ligeireza, sem grande comprimento, tem pouco álcool (12,5%) e está bem redondo, mais que pronto a beber — aliás, mais que mais que pronto a beber, cansadito, já, apesar de ter apenas 6 anos.

Custou 14€ e tal. Cumpriu com êxito a sua missão, acompanhar um franguinho assado só com alho, sal e umas ervitas.

15,5

Uma das favoritas do Dão, Alfrocheiro é casta de cacho pequeno e compacto, de produção alta e regular, que se presume originária daqui, do nosso país, ainda que as suas origens sejam incertas — há, inclusive, quem afirme poder tratar-se de uma mutação de Pinot Noir.

As opiniões relativas à sua apetência para a longevidade divergem: no sítio web do "Dão Digital", a páginas tantas, lê-se que possui "muito bom potencial para envelhecimento, principalmente quando feito em madeira nova de carvalho".

Porém, no nº 144 da "Revista de Vinhos", de Novembro de 2001, o respeitado João Paulo Martins afirma, em artigo dedicado à casta, que "vivo enquanto jovem, o Alfrocheiro resiste mal ao tempo e, como varietal, não deve ser vinho de guarda".

A este respeito, pessoalmente, e apenas pelo que este espécime me mostrou, sinto-me mais inclinado a concordar com a segunda opinião. Agora, venha um contra-exemplo!