quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Conde de Cantanhede — Garrafeira (1º Prémio) '2000

Bebido na rua. Engraçado, as voltas que Deus me fez dar até me cruzar com ele. Saí ao fim da manhã para pagar a luz. Como de costume e como gosto, sem stress, em ar de passeio. Quando cheguei à porta da payshop, estava fechada para almoço. Logo se me fez um click cá dentro. Comecei a salivar. E confesso que nem tinha fome, mas já que estava sozinho no meio da civilização e sem nada para fazer, achei uma ideia fixe essa de ir comer. Subitamente, estava de desejos por um bife. Lá abanquei num café-restaurante e fiz a mim próprio a vontade. Ah, e este vinho nem foi primeira escolha — eu tinha preferido uma coisa qualquer do Dão de que já não me lembro, mas tinha acabado...

Do vinho propriamente dito, posso dizer que o encontrei de cor rubi desmaecida, característica de um Baga evoluído. Terroso na boca, com a fruta a surgir doce — porventura axaropada, caso não fosse controlada pela elevada acidez, por sua vez moderada pelo corpo cheio e denso, tornando o vinho muito equilibrado. Notam-se ainda bastantes apontamentos de madeira velha, trufas, castanhas e tabaco. Fresco e húmido, termina longo e delicado. Está mais que pronto a ser bebido e é um bonito «garrafeira» bairradino, embora não o melhor que já provei. Pena ser uma espécie de raridade de que ninguém fala. Pelo menos, é o que parece — a começar na página do produtor.

Ligou maravilhosamente com o singelo bife na pedra, só com batatas fritas a acompanhar, que tanto me estava a apetecer.

Depois, meio zunzungo, lá fui pagar a luz e fazer, assim, coisas...

Um dia destes perco a vergonha e começo a fotografar as garrafas da rua. Não. Claro que não, meu Deus.

50€.

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