sábado, 1 de novembro de 2008

Protos — Crianza '2004

Voltei, voltámos. Aweh!

Mas, um aviso! — ando preguiçoso e desinspirado.

Postos os preliminares, aí vai qualquer coisa sobre bebida:

Após longo interregno, tão longo que este é o primeiro vinho de tal origem que coloco neste blogue, voltei há dias aos espanhóis da Ribera del Duero. Vem das Bodegas Protos, de Peñafiel, cidadezinha pequenina, muito antiga e cheia de tipicidade, que fica a 56Km de Valladolid.

Meia dúzia de linhas sobre o produtor: é uma cooperativa que surgiu em 1927 e cresceu muito depressa. Por ter sido a primeira e por os seus vinhos — bons mas acessíveis, também porque produzidos em larga escala — terem, sem dúvida, contribuído para o aumento de visibilidade da região, o seu contributo para como as coisas do vinho aí correram — para os desinformados, han ido de puta madre — desde então não pode ser ignorado. Uma adega histórica, portanto.

Consta que este Crianza é um clássico da sua denominação de origem. Não por ser o nec plus ultra do que por lá se faz, muito longe disso, mas pela forma simples e honesta, e com qualidade, com que revela o carácter da zona no que a vinho toca. É um varietal de Aragonês — ou seja, Tempranillo, Cencibel, Tinto Fino, Tinta de Toro, Tinta del País, Tinta Roriz... et caetera! — envelhecido durante 12 meses em madeira de carvalho (branco, já agora) americano e outro tanto tempo em garrafa. Pelo menos.

Quanto a que tal me pareceu, mais ou menos sucintamente: Cor rubi. De aroma franco a frutos negros muito maduros — amoras, cerejas e sobretudo uvas — e baunilha. Muito mais complexo na boca, a desdobrar-se num sem fim de impressões animais: sangue, suor, banha de porco cozinhada, pêlo... e outras sugestões mais ou menos exóticas: chocolate e goiabada, anis e amêndoas, cravinho e madeira resinosa — exuberância cativante mas um pouco agressiva, que aparenta surgir apoiada na vincada acidez do vinho — esta, infelizmente, em boa parte, volátil. Não o bebendo todo ao almoço, ao lanche encontrei um vinho muito mais simples e macio, muito menos estimulante. De corpo, está bem. Volume aprazível, com taninos finos e os 14% de álcool a fazerem-se sentir mais nos lábios e garganta que na boca. Tal como tudo o mais, o final, longo, surge marcado pela madeira.

Enfim, é bom, mas não brilha. E precisa de comida.

Comprei-o por 10€ na última feira de vinhos do Jumbo. E, mesmo assim, para o que cá há nessa faixa de preços, achei carote. Agora, os 16€ e qualquer coisa que costuma custar quando não está em promoção... são um claro exagero.

15,5