sábado, 15 de novembro de 2008

Terras do Pó '2007

Vinho de entrada da Casa Ermelinda Freitas.

Do rótulo: «É oriundo de vinhas situadas em Fernando Pó, da casta Castelão, conhecida na zona por Periquita. Foi elaborado utilizando o processo de vinificação em cubas-lagares com temperatura controlada, seguindo-se um estágio de 4 meses em meias-pipas de carvalho francês.»

Aroma muito jovem. Podia ser um puto bem comportado e limitar-me a apontar os descritores típicos da casta e destes vinhos desta casa: fruta intensa com muitas notas meladas (ou açucaradas), baunilha e um nico de fumo. Mas, foda-se, estaria a mentir. Ou, pelo menos, a simplificar muito as coisas. Aquilo a que ele me cheirou, sem rodeios, foi a mijo de rato combinado com fumo. Muito muito. Quem mantiver desses como bichos de estimação — ou então, gente sem sorte na vida — compreenderá. Depois, sim, os amelaçados destes Castelão das areias vêm dar graça ao conjunto, e trazem consigo qualquer coisa verde, indefinida e interessante... e a fruta. Que nem é pouca nem está muda, mas é preciso parar para a ver. Na boca, tem corpo médio e é saboroso. Gulosinho à sua maneira. Sabe a jovem mas os taninos estão redondos — é para beber já. A acidez, presente mas não excessiva, e o álcool bem integrado completam aquilo que o meu limitado engenho me permite contar-vos acerca deste conjunto de comprimento razoável e final adocicado.

É engraçado. Achei-o, sei lá, visceral... Se fosse música, era esta (digo eu).


Custou 3,85€.

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