quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Quinta do Monte Bravo — Colheita Seleccionada '2000

Douro DOC. O rótulo diz-nos que "foi obtido a partir das melhores uvas das quatro propriedades do produtor — Quinta do Monte Bravo, Quinta da Teixeira, Cerca do Casal e Quinta do Rabaçal —, predominando as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Barroca, vinificadas no moderno Centro de Vinificação da Quinta que lhe dá nome e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho".

Assim que tirei a cápsula, uma primeira surpresa desagradável: então não é que esta garrafa, vendida dentro de uma caixa de cartão toda catita, com rótulo de papel espesso, de grão grosso, caro, com direito a tinta de ouro, tanta tinta de ouro...

... estava vedada com uma rolha sintética?!

Mal por mal, tivesse tampa de rosca. Ainda assim — e mesmo tendo presente certa garrafa de "Vinha do Tanque", da Casa Castelinho, vedada com uma rolha deste mesmo tipo, e que terá sido, provavelmente, o pior vinho que alguma vez tentei beber — dei o benefício da dúvida ao líquido e dispus-me a prová-lo. Podia ser que fosse bom, e aí teria de ser eu a reformular certas ideias.

Após breve decantação, reparei que o vinho estava límpido e possuía uma bonita cor granada, até algo intensa.

Depois, no nariz, cheio de aromas terciários, muito cabedal, como que a servir de ligação entre alguma fruta completamente transformada — aguardente de ginja, velha — e um intenso aroma pungente, volátil, a evocar queijo Roquefort. Lá no fundo, notas empireumáticas que acabei por achar pouco interessantes, sobretudo por não me parecer que conseguissem trazer mais riqueza (= interesse) ao conjunto: fumo e carvão.

Na boca, ao longo da acidez — despropositada — algum vegetal e muita madeira. Pouca fruta, pouco doce. Pouco sabor. De facto, talvez nem uma hora volvida após a abertura da garrafa, já a imensa acidez volátil com a qual aparentavam fluir os aromas e sabores deste vinho se tinha ido. E não ficou quase nada.

Ainda que a textura do vinho pudesse importar qualquer coisa após tamanho deserto de aromas e sabores, a única nota que achei relevante tomar foi, tal como a escrevi no meu caderninho negro do álcool, "um bocado rústico, de taninos duros".

Assim se conta a história de um vinho muito bem vestido, mas apenas no limiar do bebível, e só logo depois de aberto.

Luxo de imitação. Consta do blog por estar do lado do "bebível", na escala. Mas por pouco!

Custou quase 6€, sendo que o preço original, diziam eles, superava os 10€, numa daquelas promoções mirabolantes do Jumbo que um tipo diz que evita, que devia evitar, que devia isto e aquilo, e aqueloutro também — mas onde, volta meia volta, acaba por cair ainda outra vez e nunca a última. Oh, o arrependimento!

10