segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Passadouro '2006

Douro DOC da Quinta do Passadouro — Vale de Mendiz — Pinhão. O rótulo merece ser referido: é dos mais bonitos e originais que alguma vez vi. Cada colheita traz o desenho de um bicho diferente, e com este '2006 vem um belo escaravelho rinoceronte.

Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca; lagares e barricas.

Cor fechada. Fruta vermelha e negra, vibrante de madurez mas de alguma forma distante, como que desbotada. Curioso. Toque de almíscar e vegetal seco. E madeira. Bastante madeira. Sabor firme, bem mais intenso que persistente, onde se percebe um ligeiro descompasso entre o álcool, a acidez e os taninos. Fiel ao estilo da casa, é um vinho robusto. Que promete, mas precisa de tempo para se encontrar.


12€.

16



Coitado daquele que escreve quando as palavras o abandonam.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Três sais aromatizados

Sais aromatizados. Fáceis de fazer e sempre bons de ter por perto. Especialmente úteis naqueles dias em que a vontade de comer uns nacos de carne bem temperados suplanta a de caprichar na cozinha. Ou quando quem tem de cozinhar é piço.

Estes temperos têm a vantagem de se poderem guardar durante algum tempo: o prazo de validade de cada mistura é definido pelo do seu ingrediente mais perecível.




Da esquerda para a direita:

1. De inspiração italiana. Se estivesse bêbedo na hora de o baptizar, chamar-lhe-ia Sal "Provenzano".

Sal q.b.
2 tomates secos
1 colher (de sopa) de cogumelos porcini (Boletus edulis), secos
2 colheres (de chá) de alho em pó
2 colheres (de chá) de orégãos em folha
1 ½ colheres (de chá) de manjericão
1 colher (de chá) de estragão
1 colher (de chá) de tomilho
¾ de colher (de chá) de pimenta preta em grão
1 folha de louro.

Trituram-se os tomates, os cogumelos, o louro e a pimenta. Isto é, os ingredientes que não vêm da loja em pó ou partes miudinhas. Adicionam-se os demais condimentos. E o sal, de tal forma que o seu volume seja idêntico ao do conjunto dos temperos utilizados. Mistura-se tudo com uma colher. Devagarinho, para não se promover a separação por fases.


2. O bom sal "Marante".

1 tomate seco
1 ½ colheres (de sopa) de alho em pó
1 colher (de sopa) de pimentão doce
1 colher (de sopa) de salsa
2 colheres (de chá) de tomilho
1 ½ colher (de chá) de alecrim
1 colher (de chá) de pimenta preta em grão
1 colher (de chá) de pimenta verde em grão
½ colher (de chá) de pimenta branca moída
5 malaguetas vermelhas secas

Prepara-se de forma igual ao anterior. Contudo, o volume de sal a utilizar desta vez é 1,25x o do conjunto dos temperos.


3. De inspiração indiana. Modelo "Bollywood".

2 colheres (de sopa) de alho em pó
1 colher (de sopa) de gengibre em pó
1 colher (de sopa) de caril
1 colher (de chá) de pimentão doce
1 colher (de chá) de açafrão das índias
½ colher (de chá) de cominhos em pó
¼ de colher (de chá) de canela em pó
5 malaguetas secas
5 grãos de pimenta da jamaica
3 botões de cravo da índia
1 folha de louro

Neste caso, o volume de sal a utilizar é igual a 1,5x o dos temperos.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Quinta do Cardo '2004

De aromas e sabores, a configuração habitual: frutos negros, mornos, um pouco pesados, também em compota, e fumo/tosta de madeira q.b.. No mais, apresentou-se polido, embora portador de alguma estrutura e bastante acidez, com persistência razoável. Surgiram notas de cacau amargo que se foram adensando com o tempo de abertura e que, junto com as notas de barrica já mencionadas, a dada altura, se revelaram demasiado intensas para a fruta que acompanhavam. Foi servido a uma temperatura ligeiramente superior à recomendada, talvez por isso tenha parecido mais mole e pesado que na realidade será. No entanto, nunca deixou de se revelar um bom vinho, perfeitamente capaz de se bater com os pratos que acompanhou.

Custou 10€ (no restaurante da Lurdes, em Castelo Bom). No comércio, o preço deverá rondar os 3-4€.

15

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cartuxa '2004

Alentejano de Évora, lote de Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro e Castelão, estagiado em madeira e na garrafa (pois!), elaborado pela Adega Cartuxa.

Fruta madura — mas um tanto apagada — envolvida por notas de vegetal seco e especiarias, tosta e chocolate amargo. Talvez vagas insinuações animais.

O arejamento trouxe-lhe cacau, couro e folha de tabaco.

Corpo mediano em volume e comprimento, de acidez ligeira e taninos um pouco secos. Sem grande substância, o que acabou por fazer sobressair certo calorzinho alcoólico — tão típico como incomodativo.

Um exemplar da colheita de 2003 que bebi há tempos pareceu-me bastante melhor. Agora se é questão de vinho ou de garrafa...

16€.

14,5

sábado, 19 de dezembro de 2009

Metablogando com nojo. . .

Certa vez alguém perguntou num fórum o que é que os donos dos [eno]blogues poderiam fazer de modo a tornarem os seus espaços mais interessantes. Já na altura a questão de os [eno]blogues portugueses serem ou não uma caca era mais ou menos recorrente, situação que se manteve até hoje e tem acidez e taninos suficientes para perdurar por muitos e bons anos, provavelmente enquanto os visados existirem. De qualquer forma, e porque não é o facto per se de tal discussão existir que me mete nojo, consideremos aquilo que acabei de escrever uma espécie de aparte e avancemos. . . na altura, a minha resposta foi mais ou menos esta:


Falta sempre alguma coisa, mas mais a uns que a outros.

Pessoalmente, e de entre os muitos bons que por aí andam, acho este modelar:

http://oenologic.blogspot.com


Mas

it takes a life to get a life

como a do Sr. Iverson!

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Se estão à cata de ideias para melhorar o vosso, aqui ficam algumas, a bold e tudo:

1. Mais precisão no que dizem: por incrível que pareça, há sempre pessoas que acreditam naquilo que lhes damos a ler e nós não queremos enganá-las, pois não? :)


2. Revisão, revisão, revisão!

A falta de uma revisão cuidada torna mau o que é medíocre e mediocriza o que, de outra forma, seria regular! Por norma, os porreirinhos, quase bons, bonzinhos e daí para cima não se esquecem de rever, tanto quanto necessário, o que escreveram.


3. Atitude mais receptiva; menos peito inchado.

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Mas livrem-se igualmente de falsas humildades, da sofisticação de plástico e, mais importante ainda, nunca se mostrem falsamente blasé! Se forem ou estiverem molengos e indiferentes, escrevam como tal. Se forem moços simples, não tentem parecer da roda da Mrs. Hilton mãe da parizita. Se se sentirem brigões, amargurados, serenos, inseguros, desinteressados, argutos ... o que for, escrevam como tal. Escrevam o que vos vai na alma sem tentarem modelar [modelar, huh? também meti lá em cima, quando falei do blog do sr. Iverson! já viram? heh? a mesma palavra com diferentes funções? que engraçado, huh?] a vossa alma ao meio que querem que vos aceite porque não só não vos vai aceitar como vão fazer uma figurinha do piorio sem sequer terem estado a ser vós próprios e a fazer o que vos deu na real gana terão estado a representar para nada, & that sucks! :)

... nunca se armem deliberadamente em parvos como eu fiz, só para dar o exemplo, ali em cima, entre parêntesis rectos;

... fujam das auto-referências: evitem que os vossos textos/blogue se transformem em cobriços de rabito na boca...

... à medida que vão escrevendo, em caso de dúvida linguística, dicionário. Tentem não inventar demasiadas palavras, também, ou vai sempre haver pessoal mais sisudo a achar que só poderão dizer melda, no matter what...

... não tentem fazer os vossos textos soar analíticos, impessoais e cheios de autoridade, a la jornalista de craveira, antes de saberem escrever muito bem.

E vivam o mais que puderem, vinho e o resto!




Ah, que chorrilho de asneiras! Talvez alguma das dicas dadas possa ter a sua validade, que merda, tenho de acreditar o mínimo naquilo que defendo. . . Mas que valor poderá ter um blogue objectivamente mais interessante se ninguém lhe ligar nenhuma? É que, como a experiência me tem vindo a mostrar, nenhuma destas dicas de aparência saudável tem a menor influência no crescimento de um blogue. Para que um blogue possa crescer (visitas) e o seu autor ganhar influência, a receita é outra — felizmente bem mais simples. . .

Auto-promoção! Auto-promoção! Auto-promoção!

Não importa que um blogue consista num conjunto de alarvidades horríveis de desconhecimento e desatenção, escritas num estilo que aparente tentar emular o discurso de um atrasado mental, desde que o seu dono consiga ser espertalhão e saiba chegar-se à frente. Abrir-se a comentários e, acima de tudo, comentar. Nem que apenas para dizer «olá! gostei muito do teu blogue! olha, também tenho um, vamos trocar links?» . . . ou ainda menos. Aderir a tantos agregadores quanto possível e participar em todas as suas iniciativas. Ter contas no Facebook e no Twitter, também no Youtube, Stickam e Suicidegirls, e mantê-las actualizadas como se não houvesse amanhã — o que não é difícil: a regra de ouro é colocar uma novidade por dia numa das facetas da nossa existência virtual e a partir daí alimentar as outras todas (o poder da hiperligação). Participar em fóruns, engraxando as pessoas certas. Aceitar todos os convites para provas, júris ou festas privadas, mesmo que suspeitemos no-los terem mandado por engano ou sobranceria . . . aparecer, falar com tudo e todos sem qualquer medo de poder estar a ser um chato do piorio e, como nos fóruns, identificar dois ou três elementos-chave e puxar-lhes o lustro, sorriso nos olhos e uma meia mesura. E, claro, aceitar amostras. . . ou melhor, bater-se a amostras. Sempre de coisas fantabulásticas, divinais — vinhos porreiros — ou apenas boas, mas num momento infeliz — chamar a merda por outro nome, com açúcar por cima. Porque na verdade pouco ou nada importa a quem produz ou vende que em vez de crítica se impinja publireportagem aos leitores — um meio promocional é um meio promocional e quase grátis é quase grátis.

Enfim, poderá o segredo fundamental do sucesso ser algo tão simples como pura e simplesmente não ter vergonha? Pode. E pensando bem, surpreendente é que só a meio caminho dos trinta anos eu me tenha apercebido disso. . . :|

As imagens oferecidas, tudo coisinhas muito bonitas, capazes de fazer os sonhos de qualquer enochato(a), foram tiradas sem permissão de outros sítios da web e destinam-se a tentar atenuar o sofrimento dos pobres tolos que se dispuseram a ler este gordo e inútil bloco de texto até ao fim.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Burmester — Reserva '2006

touriga nacional, touriga franca, tinta roriz.


cor intensa. rubi.

cheiro agradável. tem baunilha. tosta. feno seco. menta. terra. mas sobretudo fruta. negra. madura, sumarenta.

mais tarde, especiarias. cacau em crescendo.

sabor concentrado. nem doce nem amargo. fresco. volumoso, mas nada pesado. um pouco taninoso. longo.

conjunto coeso. raçudo. fino, apesar de algumas arestas. talvez apure com o tempo. dois anos, não mais.


13€

17


wheek . . . not in the mood for wine right now, sorry.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Altano '2007

Bom dia, anjinhos!

Hoje o dono dormiu mal, sabiam? Foi o vento!

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Então o vinho:

Entrada de gama da Symington. 75% Tinta Roriz, 25% Touriga Franca. Fermentado a baixa temperatura em cubas de inox com bombas de remontagem. Aproximadamente 80% do lote final passou 4 meses em barricas usadas de carvalho francês e americano. 13% vol..

Fino mas expressivo, com amora silvestre e cereja, flores, ligeiro mentol, um chapisco de verniz, resquícios de ferro — ferrugem, sangue. Ligeiro no estilo, é macio e equilibrado, sem ponta de rusticidade. E muito mais vibrante que o de 2006.

É tão fácil gostar dele!, é como gostar das flores.

2,70€.

16

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& now for something completely different,

mas que porra, deambulando pela net, já várias vezes aconteceu ter aterrado em sítios de alguém que teve a ideia de ilustrar aquilo que queria dizer com fotos tiradas aqui do blogue, sempre sem qualquer menção à origem das ditas;

ora, se as fotos até são petiscáveis mas quem as tira continua a não merecer um olá, uma hiperligação ou, pelo menos, uma pobre referência — a culpa não é minha! foi o gajo do Puto que Bebe! — começa a tornar-se difícil fugir à questão: será que gostam assim tão pouco do que escrevo?

e se assim é, porque insistem em voltar aqui?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Quinta dos Roques — Reserva '2003

Sita entre Mangualde e Nelas, no lugar de Abrunhosa do Mato, a Quinta dos Roques é hoje em dia considerada um dos produtores de referência do Dão.

Este vinho foi obtido a partir de uvas das castas Touriga Nacional (50%), Alfrocheiro (20%), Tinta Roriz (20%), Jaen (5%) e Tinto Cão. Estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho francês, novas e de segundo ano.

Flores e frutos vermelhos, barrica suave, terra e cogumelos. Coalescem num conjunto sóbrio e fino. De bom porte, untuoso, com taninos miúdos, firmes e numerosos. Longo e mais redondo que o habitual nos vinhos da região, porventura devido a 2003 ter tido aquele Verão tão quente...

Embora ainda seja um vinho bastante jovem, que não está no ponto nem nada que se pareça, que é bem capaz de continuar a evoluir no bom sentido durante os próximos dez anos, o facto é que já dá uma prova francamente agradável.

25€.

17



P.S.

Pede comida. Coisas com garra. Porco!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Quarto Dado (Dado '2004)

O primeiro Dado data de 2000. Como continuo demasiado preguiçoso para me dar ao trabalho de articular um texto que dê conta do essencial acerca das circunstâncias que rodeiam este vinho, vou antes tentar fazer um boneco. Ora bem:


Em 2004, o vinho do Dão — 55% do lote final — proveniente de cepas velhas das Quintas de Saes e Pellada, composto em cerca de metade por Touriga Nacional e no mais por uma mistura de castas tradicionais da região, foi vinificado em lagares e fez a fermentação maloláctica em cascos de carvalho francês, onde viria a estagiar durante 18 meses. O do Douro, composição típica da zona — Tourigas Franca e Nacional, Tintas Roriz e Amarela, etc. — proveniente de vinhas com mais de 60 anos, também fez a fermentação alcoólica em lagares e a maloláctica em carvalho francês, tendo estagiado durante 15 meses. Encheram-se 5600 garrafas.

Das quais comprei uma recentemente, há menos de meio ano. Decantei o vinho aproximadamente 2h antes de o provar e servir a 16ºC.

Rubi, escuro mas não opaco. Mesmo após decantado, começou um tanto tímido: basicamente, fruta e madeira. Mas quando se começou a soltar, revelou-se uma festa para os sentidos. As flores da Touriga Nacional. . . mato, caruma. . . folhas frescas de pinheiro. Especiarias . . . cominhos. . . chá. Tudo tão fresco, tão limpo, tão arrumado. Força e firmeza, uma estrutura magnífica, suavidade e persistência — tudo na medida certa. Ah, então é assim um vinho dito preciso! E apesar da clareza com que se iam deixando adivinhar as mais e mais nuances olfactivas que surgiam, apesar da limpidez da fruta em crescendo com o tempo de exposição — que framboesas! — o binómio suavidade/densidade do conjunto nunca permitiu que este se tornasse óbvio — e a isto chama-se austeridade.

Dizem eles que «a ideia era criar o vinho ideal, associar a elegância e longevidade do Dão à concentração e estrutura do Douro». Perfeitamente materializada, acrescentaria eu.

35€.

18,5

Antes de vos dar mais do mesmo, aqui deixo uma citação em jeito de resposta (sou preguiçoso) a certos curiosos zumbidos que mais uma vez aparentam ter encontrado eco na nossa fatia de blogosfera.


«I'm all for blogs and blogging. (I'm writing this, ain't I?) But I'm not blind to the limitations and the flaws of the blogosphere — its superficiality, its emphasis on opinion over reporting, its echolalia, its tendency to reinforce rather than challenge ideological extremism and segregation. Now, all the same criticisms can (and should) be hurled at segments of the mainstream media. And yet, at its best, the mainstream media is able to do things that are different from — and, yes, more important than — what bloggers can do. Those despised "people in a back room" can fund in-depth reporting and research. They can underwrite projects that can take months or years to reach fruition — or that may fail altogether. They can hire and pay talented people who would not be able to survive as sole proprietors on the Internet. They can employ editors and proofreaders and other unsung protectors of quality work. They can place, with equal weight, opposing ideologies on the same page. Forced to choose between reading blogs and subscribing to, say, the New York Times, the Financial Times, the Atlantic, and the Economist, I will choose the latter. I will take the professionals over the amateurs.

But I don't want to be forced to make that choice.»


in The amorality of Web 2.0 @ Rough Type (Nicholas Carr),

um muito interessante artigo que vai ao encontro de questões que aparentemente têm tirado horas de sono a certos pensadores de relativo relevo no meio vínico nacional. E embora desde já vos advirta que muitas das opiniões do senhor são disputáveis, não duvidem de que se trata de um pedaço de prosa muito bem feito, como um vinho denso e macio, austero mas profundo, porventura difícil mas indubitavelmente iluminador, certamente capaz de deixar boas memórias.

Entretanto, às cegas ou não, continuem a abanar a colmeia. Que as abelhinhas não tardarão a vir. . . e a dar-vos mel pelos beiços.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Passagem '2005

Mais um:

Douro Superior da Quinta das Bandeiras, essencialmente composto por Tinta Roriz de vinhas com cerca de 25 anos e Tourigas Nacional e Franca de vinhas novas. Estagiou apenas em inox.

Revela uma panóplia de sugestões frutadas, ainda sólidas, que no todo formam um conjunto razoavelmente profundo e muito bonito.

Na boca apresenta-se fresco e macio, com notas de boa Touriga Franca a marcarem o sabor, num registo contido e equilibrado, livre de arestas — para mim, o grande trunfo deste vinho. Que peca, contudo, por certa falta de comprimento e força.

15€.

16

sábado, 5 de dezembro de 2009

Quinta de Cabriz — Colheita Seleccionada '2007

Dão DOC produzido pela Quinta de Cabriz — (também?) com uvas provenientes de outras quintas.

Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Após a fermentação, passou seis meses em barricas de carvalho francês de segundo ano.

Rubi. Cereja amarga e vegetal verde, algumas flores, ténue almiscarado. Boca de médio porte, sem desequilíbrios de maior. O sabor concordante com o cheiro, curto.

Enfim, escapa. Por este preço, há melhor.

3€.

14,5

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Burmester '2007

Douro DOC. Produzido pela Casa Burmester a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. O nariz pareceu-me fazer-se de fruta madura, vivaça mas vulgar. Composto por notas de esteva, tosta e baunilha. Na boca achei-o fresco e equilibrado, com as notas da madeira onde estagiou a surgirem bem integradas. Porreirinho para acompanhar pratos de carne mais ligeiros.

4€.

14,5

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Inevitável '2004

Tem-se bebido bem cá por casa. O que, junto com o vazio de inspiração que se tem reflectido nos últimos posts, levou a que se tenha acumulado, mais uma vez, uma quantidade assinalável de vinhos até porreiros, cromos apetecíveis à espera que a modorra passe e finalmente me decida a colá-los aqui na caderneta.

Ora vamos lá fazer isso com um deles. Como de costume, introduza-se:

Alentejano, topo de gama da Casa de Santa Vitória. Blend de Touriga Nacional e Merlot. Após desengace total, as uvas fermentaram em cubas-lagar com robot de pisa. O vinho resultante foi sujeito a fermentação maloláctica em barricas novas de carvalho francês, onde estagiou durante os 8 meses seguintes. Parece que ainda o afinaram durante mais uns tempitos em garrafa antes de o lançarem no mercado, coisa que pouco interessa neste caso específico, já que tempo de prateleira não era coisa que diria faltar-lhe quando o adquiri há mais ou menos um ano atrás.

Introduzido o vinho, isto é, uma vez replicado o conteúdo do contra-rótulo e/ou ficha técnica, seja citado ou papagueado por palavras próprias, chega a altura em que, sem qualquer elemento conector excepto a supressão do redundante «comprei o vinho e depois bebi-o. . . isto é, provei-o com método e bebi o excedente (se um gajo gosta ser levado a sério, tem de fazer por parecê-lo)» que já ninguém precisa de ler por ser sempre assim, aqui e nos outros cyber-botecos de amadores do vinho, digo que tal me pareceu o dito, procurando utilizar a gíria do meio tanto quanto possível (mas sem exageros). No caso,

Muito concentrado na cor e no aroma, dominado por excelentes frutos negros no ponto ideal de maturação, inicialmente encobertos por densas notas de barrica — da panóplia de impressões que a palavra traduz, não resisto a destacar certos abaunilhados límpidos, doces, que achei simplesmente deliciosos — e florais, inconfundível assinatura da Touriga Nacional, num todo de perfil forte, maduro e vigoroso. Que se confirma na boca, esta de intensidade e estrutura notáveis, com acidez vibrante e taninos ainda um pouco duros, mais notórios no final. . . longo. Não fará mal referir caramelo e especiarias com o tempo de abertura; também curiosas sugestões de pêssego.

Por fim, convém apresentar-se uma conclusão, que deve ser curta e (pelo menos) parecer contundente: o resto pouco interessa — Exemplo: Nota-se um vinho coeso e cheio de qualidade, que desde já dá uma prova de grande nível, embora ainda não esteja no ponto — e, mais importante ainda, o preço (que dá lustro ao cromo) — Custou 25€ — bem como o numerozinho da qualidade, devidamente destacado de tudo o resto, como aliás não poderia deixar de ser, dado que basta olhar para ele para se poder dispensar a leitura do entediante bloco de texto que o antecede: se assim não fosse, porquê o marcado destaque visual relativamente à vizinhança? Para atrair parceiros?

:)

Vamos, vamos. . .

17,5

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Velharias (17)

Eu, conciso (em jeito de autobiografia).

Às vezes tenho a sensação de ter passado toda a minha vida assim. . . cabisbaixo, olhos húmidos, sentado na cama, diante do computador, charro aceso ao canto da boca, a ouvir o Ministry of Sound, à espera de uma mensagem.


25/12/2004

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Teroldego Rotaliano — Riserva '2006

Teroldego Rotaliano (DOC), varietal Teroldego da região de Trentino-Alto Adige, a mais setentrional de Itália. Foi comprado por pouco mais de 4€ numa loja Lidl.

A cor, rubi. Com alguma intensidade.

O nariz, inicialmente vegetal, foi abrindo com o passar das horas para fruta vermelha, pouco doce e associada a notas de amêndoa amarga, aliás típicas da casta. No todo, há que reconhecer que deixou certa impressão de aridez.

Que se viu confirmada na boca. Pobre. Curta e um tanto vazia. Primeiro vegetal, com ligeiríssima agulha; depois um pouco mais frutada, mas sempre repleta de verde acídulo. Leve e fresca, sem dúvida, mas um tanto adstringente, de fundo amargo.

Apesar de, sem paninhos quentes, este vinho se poder resumir em duas palavras, amargura e vacuidade, não sei se consigo considerá-lo incómodo...


Update: Pensando melhor, sim, consigo.

12

domingo, 29 de novembro de 2009

Luna — Slide



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Breakfast in cemetery / Boy tastin' wild cherry / Touch girl, apple blossom / Just a boy playin' possum / We'll come back for Indian Summer / And go our separate ways.

#2, Indian Summer. Não será pena o termo não ter pegado por cá?

O original é destes senhores; esta versão, destes.

sábado, 28 de novembro de 2009

Adega de Pegões — Arinto & Antão Vaz '2008

Lote de Arinto e Antão Vaz em partes iguais, este vinho da Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões estagiou durante três meses em barricas de carvalho francês e americano.

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Acidez tropical — ananás e lima — sobre um todo vagamente melado. Corpo redondo e untuoso, dotado de bom volume e persistência. Apesar do perfil algo doce e pesado, mostrou possuir frescor suficiente para dar uma prova agradável. Não é, de todo, o meu género de branco favorito, mas está muito bem feito.

5€.

15

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Filmes (14)




Cães de palha: o título diz tudo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Herdade Porto da Bouga — Reserva '2008

É de Portalegre que vem esta cosmopolita mistura de Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah, vinificado em lagares e estagiado durante oito meses em barricas de carvalho francês e americano. Trata-se de um alentejano sumarento, de concentração razoável e bom equilíbrio, sem exageros de madurez ou madeira. Muito jovem: mais uns meses na garrafa deverão fazer-lhe bem. Não me parece que se tenha desviado do perfil das colheitas anteriores — para não chover no molhado, aqui ficam os links para as entradas relativas aos das colheitas de 2006 e 2007.

5€.

15,5

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dona Ermelinda — Reserva '2007

Palmela DOC da Casa Ermelinda Freitas, elaborado a partir de Castelão (70%) proveniente de vinhas com mais de 50 anos e Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon de vinhas novas. Estagiou em carvalho francês durante doze meses.

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Quis parecer-me uma versão mais concentrada e amadeirada do «colheita» do mesmo ano. De momento, também mais fechado. Termina bastante persistente, com notas achocolatadas e taninos sólidos, que pedem garrafa.

7€.

15

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fiuza — Três Castas '2008

Outro ribatejano, este da Fiuza & Bright. Lote de Syrah, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, estagiou três meses em barricas novas, seguidos de igual período de tempo em barricas usadas. Herbáceo e especiado, todo ele verde e castanho... Fresco e magro, curto e um pouco adstringente. Depois do bom '2007, uma relativa desilusão.

3€.

14

Conde de Vimioso '2008

Ribatejano produzido pela Falua, uma empresa de João Portugal Ramos. Touriga Nacional, Aragonês e Cabernet Sauvignon, com estágio de seis meses em meias pipas de carvalho. Rubi intenso. Fruta bem madura e alguma especiaria no nariz... um pouco vinoso. Corpo macio, com alguma acidez. Plano de sabor e pouco persistente. Bem feito, mas plebeu até mais não poder. Talvez esteja, contudo, uns furos acima do da colheita de 2007.

3,50€.

14

Frei João — Reserva '2005

Bairradino das Caves São João, foi vinificado a partir de uvas das castas Baga, Camarate e Cabernet Sauvignon. Estagiou durante dez meses em pipas de carvalho francês.

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Das 13658 produzidas, coube-me a garrafa nº 11700.

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Inicialmente fechado. O arejamento levou-o a revelar impressões de bagas maduras e menta, leve almíscar e notas tostadas — tudo como que em surdina.

Na boca mostrou-se intenso, com boa fruta e acidez. E taninos jovens, duros mas finos. Nota-se que está verde; acredito piamente que melhore.

5,50€.

15,5

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Bétula '2008

Foi com este vinho que perdi a virgindade no que toca a receber amostras de produtores.

Trata-se de um lote em partes iguais de Viognier e Sauvignon Blanc. O primeiro fermentado em barricas de carvalho francês, o segundo em inox. O autor, Francisco Montenegro (Aneto). Fizeram-se 3000 garrafas.

Cor de casca de limão.

Cítrico e herbáceo no ataque de nariz, com toque de flores silvestres. Depois surgiram notas de pêra e pêssego, mais a compor que a dominar. Isto sobre um fundo que fazia lembrar algo como banana seca misturada com figo melado: coisa de discrição inquestionável, mas que de certa forma me pareceu "ligar" o conjunto. Simples, um tanto austero, e deveras interessante.

Ainda melhor na boca, intensamente fresco e persistente, de sabor suave, sem ponta de doçura. O álcool apareceu muito bem integrado; a madeira, pelo menos para já, nem tanto.

Resumindo, trata-se de um belo branco... aromático, amigo da mesa (pelo menos das gambas agridoces a que fez companhia) e já bastante coeso, embora ainda se esteja a fazer — dê-se-lhe garrafa. Ainda bem que passei a fazer parte do clube dos vendidos com um vinho assim, fixe, e ainda por cima ao meu gosto...

Segundo o produtor, o PVP deverá andar entre os 12 e os 14€.

17

domingo, 22 de novembro de 2009

Romeira — Colheita Seleccionada (Alentejo) '2008

Alentejano da Enoport, feito à base de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. Estagiou durante seis meses em barricas de carvalho francês. Aroma ligeiro, adocicado, sobretudo fruta compotada com notas vegetais à mistura. E barrica: não muita, mas demasiada. No todo, pareceu-me um tanto leviano... ou pior, artificial, a fazer lembrar uma tentativa de imitação do nariz standard de um alentejano de gama baixa. Redondo na boca, sem grande estrutura. Fruta e madeira, talvez café. Final negligenciável. Ainda assim, melhor na prova que à mesa... mesmo quando emparceirado com um prato ligeiro. Ficam duas perguntas: que uvas? e quanta maquilhagem?

4€.

13

sábado, 21 de novembro de 2009

Grandjó '2004

Produzido pela Real Companhia Velha numa quinta que possuem na região de Alijó. Lote composto por Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Francesa e Touriga Nacional. Não consegui apurar nada sobre a quantidade ou qualidade da madeira por onde terá passado. Posto isto, falta dizer que tal o achei... :) Ora bem, este vinho pode resumir-se a uma mescla de frutos vermelhos acídulos, aguados e vagamente doces em corpo magro e desengonçado. E madeira — tanta! — porventura responsável por alguns alguns taninos secos no final, curto e neutro q.b., que limpa a boca. Medíocre. Uma desilusão.

3,50€.

12

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Moira's — Syrah & Trincadeira «Reserva» '2008

Vinho Regional Alentejano produzido e engarrafado pela Adega das Mouras de Arraiolos. Quanto a como foi feito, nada, nem no rótulo nem na página web do produtor. Pena.

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Aroma muito jovem, vinoso, a fruta negra, doce, com toques vegetais e de pimenta preta. Por aqui, talvez não seja descabido afirmar que o Syrah aparenta impor-se num lote com pouca barrica.

Ligeirinho na boca, um tanto magro na fruta oferecida, mais uma vez com ponta adocicada.

Alguma acidez, taninos com aresta, persistência razoável. Nada de especial... confesso que estava à espera de mais... talvez afine com uns mesitos em garrafa, mas jamais ganhará aquilo que mais falta lhe faz: um pouco mais de concentração.

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Custou à volta de 3€ numa recente promoção do Jumbo. E para tal preço, está bem. Contudo, considerando que costumam pedir mais de 6€ por ele...

14

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vinha do Monte (Branco) '2007

Mais escuro que o outro. Palha, ananás ácido, abacate. Fresco e macio na boca — pêra — muito suave. Pouco doce, mas expressivo na fruta. Persistente q.b.. Bom vinho, este alentejano da Herdade do Peso (Sogrape), feito com Roupeiro, Antão Vaz e Arinto, fermentado e estagiado em inox.

4,50€.

15

Casa da Tapada — Loureiro '2008

Vinho Verde da sub-região do Cávado, varietal Loureiro, fermentado em inox. O produtor tem página web aqui. Cor citrina. Agulha. Loureiro vagamente adamado, intenso q.b., de tropicalidade invulgar. Também algumas notas florais e sugestões lêvedas. Pouco convenceu quando servido a 10ºC; mais quente, apenas conseguiu fazer lembrar (mau) champanhe moribundo. Estará no limiar do aceitável. Sinceramente, não gostei.

4€.

13

domingo, 15 de novembro de 2009

Quinta do Infantado — Reserva Especial

E ainda,

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O do rótulo esverdeado. Também com 19,5% de volume alcoólico. Garrafa nº 82 de 6816.

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Mais suave que o anterior, mas também mais rico, embora apenas marginalmente, tanto no nariz como no palato. Bem estruturado, discretamente untuoso. Ainda um certo «quê» terroso que no outro não consegui detectar.

12€.

15,5

Quinta do Infantado — Reserva Especial "João Lopes Roseira"

Os respectivos rótulos dizem-nos meio-secos — menos doces que o habitual. Opção de estilo que o próprio João Roseira explica muito bem numa entrevista à revista electrónica StarChefs.com:

«This has to do with several reasons. First of all, when my father and my uncle started estate bottling Porto in 1979 a pioneer move from Quinta do Infantado as there was not a single grower bottling Porto in the Douro at that time they wanted to create a family style, different from what was being made by Gaia’s shippers. For me it is really logic to make semi-dry Portos. We think of what we do as Porto wine, and a drier Porto is closer to wine you don’t have a “sugar wall” to block wine’s little things (both in the nose and the mouth) that we love in dry wines. Our Portos are drier because we let fermentation go longer, obviously consuming sugar to produce more alcohol, so we have less residual sugar and more natural alcohol and need to add smaller quantities of wine brandy to stop fermentation and make Porto. As a consequence there is more grape juice and less wine brandy in a bottle of Quinta do Infantado Porto. I think most people don’t realize that in a “normal” bottle of Porto there can be as much as 25% wine brandy! At Infantado we work with 17% or less, which is, in my opinion, much better. It also has to do with pairing our Portos and food. Is it really necessary to have so much sugar? And such heavy Portos? At Infantado we believe in balance as the most important aspect of wine (including Porto) and that’s our bottom line, to make balanced Portos and wines.»

Bonito e fluente, o inglês do Roseira. Posto isto, the booze! —

Ruby. 19,5% v/v de etanol. Garrafa nº 2046... de quantas? Muito depressinha: este é um vinho simples, com aromas de frutos negros e violetas, passas e especiarias. Na boca mostra corpo mediano, macio e previsivelmente pouco doce, de comprimento satisfatório, com algumas notas achocolatadas a surgirem no final.

8,50€.

15

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tudo está na natureza
Encadeado e em movimento —
Cuspe, veneno, tristeza,
Carne, moinho, lamento,
Ódio, dor, cebola e coentro,
Gordura, sangue, frieza,
Isso tudo está no centro
De uma mesma e estranha mesa —
Misture cada elemento
Uma pitada de dor,
Uma colher de fomento,
Uma gota de terror
O suco dos sentimentos,
Raiva, medo ou desamor,
Produz novos condimentos,
Lágrima, pus e suor
Mas, inverta o segmento,
Intensifique a mistura,
Temperódio, lagrimento,
Sangalho com tristezura,
Carnento, venemoinho,
Remexa tudo por dentro,
Passe tudo no moinho,
Moa a carne, sangre o coentro,
Chore e envenene a gordura
Você terá um ungüento,
Uma baba, grossa e escura,
Essência do meu tormento
E molho de uma fritura
De paladar violento
Que, engolindo, a criatura
Repara o meu sofrimento
Co'a morte, lenta e segura.



Chico Buarque & Paulo Pontes — Gota d'Água (1975)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Má Partilha — Merlot '2006

Varietal Merlot, uvas originárias da zona de Azeitão, parcialmente fermentado e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho francês. É um produto da Bacalhôa Vinhos de Portugal.

Macio, suave e equilibrado. A fruta, di-la-ia quase certamente negra, porventura em ligeira compota, vai-se mostrando mais e mais com o tempo de abertura. Sem exageros de doçura ou concentração, sempre acompanhada de boas notas especiadas, cravinho e canela, características da casta. E de barrica, bem medida, que traz ao conjunto um bocadinho de complexidade adicional sem se sobrepor à sua natureza. A boca é surpreendentemente redonda e elegante, tendo em conta que este vinho possui 14,5% de álcool e uma acidez não negligenciável. Ampla, com um lado discretamente terroso e vegetal que não posso deixar de achar muito engraçado, por vezes a fazer lembrar um bom Carmenére. O final é interessante, mas podia perdurar mais.

Custou 14€.

16,5

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vila Santa — Syrah '2007

Um aclamado varietal da autoria do famoso João Portugal Ramos. Syrah alentejano, uvas colhidas em excelente estado de maturação (diz o contra-rótulo) e fermentadas a temperatura controlada, tendo o projecto de vinho resultante sido sujeito a uma longa maceração pós-fermentativa — ideia: extrair das cascas e engaços uma maior quantidade de taninos, dado que estes se solubilizam facilmente em meios alcoólicos. Estagiou durante meio ano em meias pipas de carvalho francês e americano.

Depois de tanto bem ter ouvido dizer dele, resolvi experimentar. Inicialmente verti o vinho directamente para dentro do copo. Decerto a não mais de 18ºC, que nestas coisas costumo ter cuidado. Vi-o escurão, de tom violáceo carregado. Prometia. Logo de seguida, levo-o ao nariz e... Que quente! Que álcool a tudo o mais abafar! Claro que sob o dito detectei fruta doce, apelativa, e talvez um bocadinho de madeira. Mas tudo muito tímido, muito acanhado. Na boca, muita acidez e ainda mais álcool; pouco corpo, pouca fruta para tamanho picor. Terminou razoavelmente longo, mas tal atributo jamais chegaria para me convencer depois do que acabara de presenciar. Meti-o num decantador e levei-o ao frigorífico. Mais ou menos 45 minutos depois, encontrava-se a 14ºC: o álcool um bocado menos ofensivo, mas presente; a fruta, mais visível, fixe mas relativamente plana... e algo amadeirado... ou especiado... indistinto. Na boca, passada boa parte da anestesia alcoólica, deu para notar que os taninos eram curtos e algo farinhentos. Puah. Como o vinho estava jovem, ainda tive esperanças de que melhorasse durante a noite. Enganei-me. Passadas talvez 12 horas, ao almoço do dia seguinte, continuava gulosão e extremamente alcoólico. A fazer lembrar um LBV fracote, quase completamente destituído de doçura. Ainda ligeiros alicorados — já?!

OK, este pode não ter sido o pior vinho que alguma vez provei. Mas, sem paninhos quentes, para os 12€ que custou, achei-o uma merda.

13,5

domingo, 8 de novembro de 2009

Pingo Doce — Palmela Reserva '2007

Outra meia desilusão. Meia porque já o de 2006 não me tinha agradado muito, principalmente por ser tão alcoólico... Enfim. Como esse, trata-se de um monocasta Castelão da Casa Ermelinda Freitas. Algo carregado na cor. Mas de aroma muito mais fiel à casta — o '2006 pareceu-me um bocado atípico. Pena que, na boca, se o outro pecava por excesso, com um álcool que tapava tudo, este peca por certo vazio de sabor: a fruta surge como que esmaecida. Também de equilíbrio podia ser melhor, muito ácido e áspero para a profundidade que tem.

3€.

13,5

.com '2008

Corria o passado mês de Abril quando provei a edição de 2007 deste vinho de Tiago Cabaço. E gostei. Bastante. A fruta era franca, o corpo cheiinho e redondo, o sabor surgia agradavelmente pouco doce: para 3€ ou coisa que o valha, um mimo. Infelizmente, este '2008 não me pareceu tão bom. Não que divirja muito do da colheita anterior em peso ou volume, índole aromática ou sapidez — nada disso. O que mais o diferencia do seu antecessor, tanto quanto percebi, é que as notas vegetais, certamente do Cabernet Sauvignon, que naquele apareciam vincadas (embora bem integradas), neste como que vêm mascaradas, escusas sob flores e compota. E que diferença isso me faz! Para pior.

3€.

14

sábado, 7 de novembro de 2009

Dom Rafael '2007

Este é o vinho de entrada de gama da Herdade do Mouchão, feito a partir de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. Fermentado em lagares e estagiado em tonéis de carvalho, foi engarrafado um ano após a colheita.

Apesar de bastante frutado, com notas maduras de ameixa e bagas negras, barrica discreta e qualquer coisa de vegetal — a dado momento, por exemplo, fez-me lembrar rama de tomateiro; noutro, não muito depois, palha — aquilo que a meu ver mais o marcou na prova de nariz foi a quantidade de "álcool livre" que apresentou.

Na boca, de porte e comprimento medianos, rapidamente lhe percebi uma acidez considerável, tal como, novamente, o álcool um tanto impositivo. De mais, achei-o concentrado q.b., firme e um tanto austero, a amargar um pouco no final.

E, enfim, realmente é uma pena que de momento pareça algo desequilibrado... algo rústico... porque este pequeno Mouchão, apesar de bruto, consegue ser interessante, melhor que o do ano anterior. Dê-se-lhe tempo, que ele promete.

7€.

15,5


Empurrou um prato fácil e saboroso, que se fez assim: aqueceu-se um fundo de óleo numa panela baixa e larga e juntaram-se-lhe duas malaguetas frescas (cortadas em rodelas) e, pouco depois, 350g de alcatra picada, que se deixou dourar um pouco. Adicionou-se então molho de soja, salsa seca, alho em pó e meio caldo Knorr. Quando o dito se dissolveu, acrescentou-se cerca de 1dl de água, 4 tomates enlatados, alguns cogumelos e farinha de arroz, mexendo sempre até engrossar. Comeu-se com noodles.

E o conjunto funcionou, caiu bem, deixou-nos contentes.

Não sei que mais dizer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Adega Cooperativa de Borba — Vinho Licoroso '2003

Este vinho licoroso foi obtido por adição de aguardente vínica ao mosto de uvas das variedades Roupeiro, Arinto, Perrum, Fernão Pires e Chardonnay. Brancas, portanto. Consta que sofreu um breve estágio em barricas de carvalho francês.

Só consigo qualificar como simples o aroma que revelou quando servido a 12ºC, em jeito de aperitivo. Simples, indefinidamente açucarado. Já na boca se mostrou mais expressivo, nítido nas notas de pêssego e alperce em compota. De mais, penso poder dizê-lo muito doce, gordo e macio, pouco ácido e razoavelmente longo, com sugestões de mel no final.

A 20ºC, temperatura recomendada para o seu consumo como vinho de sobremesa, o aroma surgiu mais pesado, mais denso, com o álcool (17,5%) a mostrar-se mais — e a trazer, naturalmente, outra profundidade à fruta. Na boca, em termos de estrutura, pareceu-me tal e qual aquilo que se mostrou a 12ºC. O aquecimento apenas dispersou a ilusão de frescor antes provocada pela baixa temperatura. E assim se revelou um vinho quente, não só na garganta mas também na boca, um tanto abafado, de índole mais melada que frutada.

Se me pareceu correcto e bem feito? Sim, sem dúvida. Se gostei? Nem por sombras.

Custou pouco mais de 5€.

15

domingo, 1 de novembro de 2009

Krohn — (Porto) Senador

Da Wiese & Krohn.

Tawny escuro. Cheiro de intensidade discreta e muito simples, a passas açucaradas, com toques de anis e funcho. E queijo. Bafientas notas de queijo, nada agradáveis. Quase plano na boca, pobrezinho, com sabor a passas pouco doces. Para cúmulo, não consegui deixar de achá-lo de carácter um tanto indistinto, já que se trata de um tawny fraco que podia ser mais diferente de um ruby fraco.

5€.

13

sábado, 31 de outubro de 2009

Tiara '2008 e coisas com camarões

Este vinho consiste numa ampla mistura de uvas de castas típicas do Douro — Códega do Larinho, Rabigato, Donzelinho, Viosinho e Cercial, entre outras — provenientes de vinhas velhas, plantadas a mais de 600m de altitude. Foi vinificado e estagiado em inox.


Servido a 12ºC,

Mostrou típica cor de branco jovem — citrina, com laivos esverdeados (pois).

E claros aromas florais e cítricos — lima e raspa de limão — a envolverem sugestões de frutos de polpa branca, ligeiramente ácidos — maçã verde e abacate.

Corpo delicado, sápido e vagamente untuoso, muito fresco. Agulha mínima, porventura consequência de não se ter realizado a fermentação maloláctica aquando da vinificação. Final seco, um pouco curto. Deixou um retrogosto persistente, a fazer lembrar amendoim torrado.

Com o uso — digo, exposição ao ar mais subida de temperatura — abriu para pêra e palha.

18€.

17

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Ligou bastante bem com uns camarões salteados em manteiga e alho, a que depois juntámos só um bocadinho de whisky.

Ora, acontece que já há algum tempo andávamos a planear fazer caldo de camarão. E foi por isso que salteámos os camarões já sem as cabeças. . .

Cujo peso perfazia à volta de 800g e que posteriormente refogámos em azeite, junto com os seguintes ingredientes: um alho francês, um limão (com casca) partido em quartos, quatro tomates bem maduros, três cebolas picadas, três dentes de alho, cinco cenouras e manjericão, coentros, estragão, salsa, sal e pimenta preta a gosto.

Tendo deixado cozinhar uns cinco minutos, juntámos água ao refogado: numa grande panela de paredes direitas, o triplo do volume necessário para o cobrir. E deixámo-lo cozer mais hora e meia.

Depois filtrámo-lo com um coador de rede, tendo havido o cuidado de prensar bem o entulho. Aproveitou-se o filtrado. . .

E com ele fizemos sopa. Adicionámos-lhe cinco cenouras, três tomates e, por cada litro de caldo, 30g de farinha de trigo. Rectificámos o sal e deixámos cozer até a cenoura ter amolecido: talvez meia hora. Triturámos aquilo a que já se podia chamar sopa e enriquecêmo-la com miolo de camarão. Generosamente. Antes de, por fim, a levarmos ao lume por mais uns breves minutos, antes de a servirmos.

Acompanhada, claro está, de tostinhas e outro branco. Mas esse fica (talvez) para o próximo post.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Velharias (16)

Straightfromhell, mais um bocadinho de quando o blog se centrava mais no puto do que naquilo que ele bebia.

«Não basta dizer lágrimas — não são cantos — uivos, gemidos, gritos (tantos) — no vento lá fora — no vento lá fora só — não basta dizer que o sol é quadrado e a lua, azul — e entre as árvores, na neve, não basta dizer.»

7/2004



Já vos dou mais vinho; com licença.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Poças — Coroa D' Ouro «Reserva» '2004

Mais um post. Mais uma nota de prova. Pouco esforçada. Parca de inspiração. Seca. Trivial. Provavelmente desinteressante.

Este vinho é tinto. Veio do Douro. Foi classificado como DOC. O produtor, a Manuel D. Poças Júnior. O lote, típico da região: Tourigas Nacional e Francesa, Tintas Roriz e Barroca e Tinto Cão. Consta que sofreu um breve estágio em cubas de inox.

A cor, rubi.

O nariz, predominantemente frutado. Ameixa e cereja. Maduras. E reminiscências de mato e resinas. Velhas — doces, pesadas, abafadas.

O sabor, simples. Um tanto curto. Com a concentração que usualmente se associa aos vinhos desta gama. De preços. Boa acidez, taninos firmes. Apenas parcialmente integrados. E 13% de álcool. Que não aquece nem arrefece. No fim, nem robusto nem elegante. Mas gostosinho, fácil de beber.

A meu ver, é o que é, vale o que custa. Tem tudo para ser amado lá para as Américas. Aqui...

4€.

14,5

domingo, 25 de outubro de 2009

René Barbier — Reserva '2001

Aragonês e Cabernet Sauvignon com estágio em madeira.

Cor acobreada. O aroma, achei-o marcadamente vegetal, notando-se perfeitamente a influência do Cabernet Sauvignon no lote. Tanto que acabei por me interrogar se o dito contará, de facto, com apenas 15% de uvas da referida casta, à semelhança do seu maninho de '98, isto segundo informações contidas na página do produtor.

Marcadamente vegetal e quase sem ponta de doçura; a fruta ia surgindo tímida e imprecisa. No mais, ainda lhe encontrei sugestões de pêlo e especiarias. Mas tudo muito indiferenciado, simples, mofino...

A boca, fresca e seca, de persistência algo fraca, mostrou no entanto uma untuosidade agradável. Com o tempo, aparentou ir ganhando doçura e um certo «quê» almiscarado. E em jeito de retrogosto, a partir de dada altura, começou a deixar sugestões de sabor a cona.

Após quatro dias no frigorífico, vedado apenas com a sua rolha voltada ao contrário, estava parcialmente oxidado, repleto de café e alicorados. Oxidado mas perfeitamente bebível. E por incrível que possa parecer, agradável.

Provavelmente, a graça que lhe fui achando terá crescido mais com o tempo de abertura que o vinho em si. Que, de qualquer forma, não compromete.

Custou 6,50€.

14,5

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Chaminé '2008

Regional Alentejano da Casa Agrícola Cortes de Cima, lote de Syrah e Aragonês com uns pozinhos de Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. Ficha técnica, aqui.

Ora bem... deste não tenho muito a dizer. É guloso e macio. Simples e equilibrado, muito redondinho, feito para ser fácil de beber. Porventura para ser bebido sem pensar. Predomina a fruta: negra, bem madura, docinha, com toques compotados. Também se lhe nota algo mais, ainda que indefinido: notas vegetais? Tostadas? Vegetais e tostadas?

O que for.

Posto isto, talvez só reste dizer que é curto e morno — parecidíssimo com o de 2007.

E como esse, não encanta, mas acaba por convencer. E às vezes apetece.

Custou cerca de 5€.

14,5

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Duque de Viseu (Branco) '2007

É o branco «corrente» da Quinta dos Carvalhais, feito a partir de uvas das castas Bical, Encruzado, Cercial e Malvasia Fina, vinificadas em estreme. A maior parte do lote final estagiou durante 4 meses em inox; o remanescente, em barricas de carvalho. Ficha técnica, aqui. Flores, citrinos e frutos de polpa branca. Ligeiro tropical, depois. Corpo entre o delgado e o mediano, a tender para a macieza e dotado de uma acidez apenas suficiente. Correcto, mas...

4€.

14

Private Joke

«A pobre rapariga tinha seis anos: era filha do carcereiro. Era loira, com grandes olhos lúcidos. Desde a madrugada ia pelos pátios, pelas enxovias, pelas gradarias leve como uma seda e sã como o sol.

Levava braçadas de ervas aos presos e clematites.

Na cadeia chamavam-lhe a cotovia. Tinha pombas.

Tinha um riso transparente e bom, e quando os miseráveis sujos e chorosos iam para os degredos — ela cantarolava entre eles, serena e gloriosa. Cresceu. A mãe era lavadeira e morreu no rio, entre os musgos e os canaviais. O pai teve um mal e ficou entrevado.

Vieram os Invernos. Ela lidava. Cuidava dos irmãos pequenos. Lavava ao sol. Costurava à lareira sonolenta.

De madrugada ia atirar grãos e migalhas às pombas: depois vinha dar ao pai engelhado, triste, doloroso, as sopas e o caldo.

Um dia entrou na cadeia um bêbedo, um covarde, um assassino, que tinha espancado o pai. Era um lindo rapaz, branco com um corpo delgado. A rapariga viu-o, e fugiu com ele de noite embrulhada num cobertor.

Todo o dia seguinte, as crianças não comeram. O pai gritou, chorou e arrastou-se até à lareira. Ninguém. As pombas voavam à tarde inquietas, fugitivas e medrosas. O pai ficou toda a noite ao pé da lareira a roer um bocado de pão duro. No outro dia ainda as crianças ficaram sem comer. Todas as pombas fugiram. O pai arrastou-se até ao casebre; e esfomeado, batia de encontro à porta. Por fim vieram. Passados dias. Havia pela vizinhança um cheiro de podridão. As crianças tinham morrido: o pai tinha morrido. Tinha sido a fome, a míngua, a sede, o frio.

A que fugiu é hoje velha. Embebeda-se com aguardente: e quando na taberna as esfarrapadas e os miseráveis lhe falam desta história, ela diz com voz rouca:

— Ai que noite aquela, filhas! Ele tinha um modo de dar beijos!»


J. M. Eça de Queirós — Prosas Bárbaras (1866/1867)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CARM (Branco) '2006

"When I find someone I respect writing about an edgy, nervous wine that dithered in the glass, I cringe. When I hear someone I don't respect talking about an austere, unforgiving wine, I turn a bit austere and unforgiving myself. When I come across stuff like that and remember about the figs and bananas, I want to snigger uneasily. You can call a wine red, and dry, and strong, and pleasant. After that, watch out."

Kingsley Amis — Everyday Drinking: The Distilled Kingsley Amis

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Da CARM (Douro Superior), foi elaborado a partir de uma mescla de castas tradicionais da região, provenientes de vinhas velhas, plantadas em altitude. Sem madeira.

Cor palha. Fresco o suficiente para a fase em que se encontra, com travo mineral. Também macio, com muitas sugestões amanteigadas e de frutos secos a envolverem as notas cítricas que antes predominavam. E que agora parecem estar, cada vez mais, a dar lugar a nuances de maçã e pêra, ameixa branca e marmelo. Nada mau.

7€.

15

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quinta do Mouro '2004

Que me lembre, ainda não tinha aberto nada deste produtor «para» o blogue.

Aragonês (50%), Alicante Bouschet (25%), Touriga Nacional (20%) e Cabernet Sauvignon. Estagiou durante um ano em barricas de carvalho francês e português, metade das quais novas.

Escuro. Jovem; bouquet ainda por formar. Morno no ataque; a sua grande acidez demora um pouco a revelar-se. O que desde logo se nota é a excelente barrica, na conta certa, a complementar pujante ameixa negra, ligeiro balsâmico resinoso e ainda mais discretas notas de vegetal verde, pimenta e anis — (mais que apenas) um pouco a fazer lembrar certa garrafa de Alión '96. Amplo na boca, com os taninos a notarem-se firmes apesar de bem polidos, o álcool a surgir (quase) perfeitamente integrado e o final, longo e saboroso, tão interessante, repleto de notas de café.

Diferente ao terceiro dia de abertura: o profundo fruto negro agora acompanhado de caruma e alicorados, pimenta preta e chocolate. Muito sólido, muito fresco... tão elegante e persistente... grande vinho!

25€.

18,5

sábado, 17 de outubro de 2009

Portalegre '1999

Aragonês, Grand Noir, Castelão e Trincadeira. Garrafa nº 29622 de 42975 produzidas nesta colheita pela Adega Cooperativa de Portalegre.

Granada, escuro. Aroma intenso a frutos negros confeitados. . . também cristalizados (acima de tudo, ainda fruta!) e um bocado grande cheio de fenóis voláteis no princípio — Dekkera are u there? — Depois o futum a estrebaria esbateu-se sem desaparecer — Ok, Brett, sem dúvida. Ainda impressões amendoadas e a ligeiro ranço e queijo azul. Evoluído e complexo — gostei. Corpo cheio e macio, com bom peso e fluidez, sabor e acidez. Muito persistente.

Muito bom ao segundo dia. Este é um vinho cheio de vida, provavelmente ainda com alguns anos pela frente.

15€.

17


Abri esta garrafa meio a medo, depois de dela ter ouvido cobras e lagartos. Agora tudo se me afigura mais claro: na altura, tratava-se apenas de um jovem bruto. . . que o tempo ligou.

Amanhã, um alentejano ainda maior.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Kompassus — Reserva '2005

Produzido pela Kompassus (Vinhos) da Cordinhã, este tinto consiste num lote de Merlot e Touriga Nacional (de vinhas velhas), estagiado durante 18 meses em barricas de carvalho francês.

Rubi escuro, com reflexos violáceos.

Nariz intenso, dominado por frutos negros maduros, sobretudo ameixa, mas também expressivo q.b. nos traços herbáceos e especiados, sugestões de resina e ligeiros matizes florais que ao longo de toda a prova foi mostrando.

Boca ampla e envolvente, de sabor concentrado. Robusta, bastante ácida e taninosa, a levar a um final longo, rico e algo adstringente.

Ainda está um pouco cru, mas o fruto é profundo — promete viver e melhorar nos próximos anos.

Custou 18€.

16,5


* Já repararam até que ponto um blogue «destes», onde um tipo mete o que comprou (ou diz que comprou) para beber (ou dizer que bebeu) se consegue parecer com uma caderneta de cromos?

É triste!

Numa toada mais alegre, constato que um número não desprezável de «colegas» enobloguistas cá do burgo tem andado a consumir, em simultâneo, uma quantidade igualmente notável de vinhos da Quinta do Portal. Ele há coisas... lol.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Doces: de maçã (+ pectina em solução) e marmelada

Há dias ocorreu-nos que podia ser fixe tentar fazer compota de maçã. E aproveitámos ainda para extrair alguma pectina, tão útil para gelificar outros doces. . . e isso pode ser tanto...


Ora bem, sem mais delongas:

1. cortaram-se as maçãs (verdes) em quartos, colocaram-se numa panela e cobriram-se com água;

2. ferveram-se em lume brando até ficarem bem moles — desta vez, terá passado mais ou menos 1h até que tenham atingido o estado desejado;

3. separaram-se da água da sua cozedura: cada fase para dentro de seu recipiente;

4. filtrou-se a dita água — utilizámos para o fim um par de meias de mousse (lol). O filtrado, rico em pectina, reservou-se num frasco esterilizado que, depois de arrefecer, foi colocado no frigorífico;

>>> a qualidade do produto obtido em 4. comprovou-se através de um procedimento simples: cobriu-se o fundo de um prato raso com etanol a 96% e sobre ele deitou-se uma porção — neste caso até acho que foi uma colher de sopa — da solução recém obtida (já fria). . . volvidos dois ou três minutos, constatou-se que a dita tinha gelificado bem. . . tudo nos conformes (vd. foto);




5. deitaram-se as maçãs num coador grande;

6. e esmagaram-se com uma colher... ideia: deixar a polpa passar para dentro de um recipiente, deixando retidos os caroços e cascas;

7. às maçãs cozidas, juntou-se doçura e acidez: a cada porção de maçã, adicionou-se metade do seu peso de açúcar e o volume correspondente a cerca de um décimo do seu peso de sumo de limão;

8. misturou-se tudo muito bem e levou-se ao lume, mexendo, até engrossar;

9. por fim, como sempre, distribuiu-se a compota resultante por uns quantos frascos esterilizados, deixou-se arrefecer e levou-se ao frigorífico.




À esquerda, o doce de maçã; à direita, a marmelada que fizemos. . .

. . . com marmelos ainda verdes e os volumes correspondentes a: a) 2/3 do seu peso, uma vez descaroçados, de açúcar e b) 1/10 do seu peso... de sumo de limão.


1. Sem descascar, cortaram-se os frutos em dezasseis avos — quartos que se cortam em quartos, por assim dizer — e retiraram-se-lhes as sementes. À medida que se iam cortando, foram-se deitando num recipiente com água fria — para atrasar a oxidação.

2. Colocaram-se depois numa panela grande (por causa da espuma que se levanta com a fervura), juntamente com o açúcar. Taparam-se e assim cozeram até terem amolecido.

3. Depois triturou-se tudo, adicionou-se o sumo de limão ao puré e levou-se novamente ao lume, desta feita até engrossar.

4. Colocou-se o doce em recipientes esterilizados e, de forma a adquirir a consistência necessária para depois se poder vir a servir cortada em fatias, deixou-se secar ao ar durante uns dias, coberta apenas por duas folhas de papel absorvente.

Casa de Santar — Reserva '2005

Proveniente da Casa de Santar, este tinto foi elaborado a partir de uvas das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz. Estagiou em barricas novas de carvalho francês durante aproximadamente um ano antes de ser lançado no mercado.

Bagas silvestres vermelhas maduras e belas notas de barrica compõem-lhe o nariz. Tão apetecível. Mas sério, provavelmente por pouca doçura mostrar.

Na boca mostra-se fino e fresco, de entrada macia e porte mediano, os taninos já integrados. De resto, sabe ao que cheira, sempre com uma contenção que cai bem.

Gostei muito.

10€.

16,5


P.S.

(extra-thema)

Muito obrigado AF e MJ, o artigo ficou bem catita!; estranho não ver mais ninguém comentar...

domingo, 11 de outubro de 2009

Lou Barlow — Lou Barlow & His Sentridoh

If security gives way / Is there something I could do or say to bring you back / And when you're numb from working / Will you still open up to me / And talk to me / I love talking to you

All day I think of things to tell you / And I'd do anything to make you smile / It's not of because I know you / Please don't leave

Could we rise above distraction / Or do we live a tragic life / With never enough to go around / And I don't offer much protection / I'm neither strong or tall / But I love you

The storm won't wash that away / Love is forever in an instant / And I don't want to live without it again / I find it easy just to speak my mind / Dare I say / It's gonna be alright

See how easy I surrender / With no fear of being broken again / I'm healed when I hold your hand / I understand.


#5, Forever Instant.

sábado, 10 de outubro de 2009

Marquês de Marialva (Branco) '2008

Bairrada DOC da Adega Cooperativa de Cantanhede. Maria Gomes (80%) e Bical. Para quem quiser saber mais detalhes acerca da sua elaboração (blá blá), a ficha técnica está aqui. Muito clarinho no copo, quase incolor. No aroma, predominam as notas cítricas, mas também se lhe notam toques vegetais, ora a fazerem lembrar palha ora relva cortada de fresco, sugestões de pêssego e ligeiro melado. Boca dotada de bom volume, refrescante sem agredir, com o álcool bem integrado e um final surpreendente. Simples, mas muito agradável! A pouco mais de 2€, apresenta uma RQP imbatível.

15

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Filmes (13)






Sobre a coisa retratada, wikipedia. Sobre a performance, um grande Tony Curtis protagoniza um filme impecavelmente produzido, de perfil intencionalmente próximo daquilo que o realizador melhor sabia fazer.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Altas Quintas «600» '2007

Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet + um bocadinho de tempo e madeira. Mas essas são coisas que os interessados poderão ver com maior detalhe na ficha técnica que o produtor disponibiliza aqui.


Como ando sem paciência, mas já ali tenho uma boa vintena de garrafas publicáveis no saco que serve de antecâmara ao vidrão, vou transcrever a nota de prova deste vinho tal e qual a deixei no caderninho negro do álcool:

Cor rubi . . . intensidade moderada, a deixar adivinhar uma concentração conforme. . . aliás, confirmada. . . de cheiros e sabores a fruta negra bastante doce. . . também alguma compota. . . tem um lado especiado. . . curioso, a fazer lembrar raspa de limão e canela . . . quase límpido . . . mentolado às vezes . . . estrutura mediana . . . alguma leveza . . . ataque acetinado, final mais áspero. . . e algo curto.

Gostei mais dele ao segundo dia. Custou pouco menos de 5€. 15

Pasmados '2007

Diz-nos o produtor que «este vinho é proveniente duma área limitada que é a Quinta dos Pasmados, uma propriedade com 18 ha, situada 5 km a Oeste de Azeitão. Era originalmente conhecido por Tinto Velho J.M. da Fonseca e obteve o seu nome actual nos anos 70 por necessidades de natureza comercial». Fizeram-no a partir de «Touriga Nacional, Syrah e Castelão, provenientes de uma vinha única» e estagiaram-no durante 10 meses em meias pipas (novas) de carvalho francês e americano antes de o lançarem no mercado.

Cor rubi. Frutos vermelhos e violetas sobre fundo que sugere uma amálgama melada de café, tabaco e especiarias. Ou a conexão T-Nac — Castelão a revelar-se. Corpo mediano, equilibrado q.b., calidez confortável, tudo no lugar. Termina mais ou menos longo e, embora goste de acompanhar comida, é daqueles que um gajo pode despejar para dentro de uma caneca e pôr-se simplesmente a beber, ainda que a acompanhar leituras do Apocalipse pela noite dentro, e mesmo assim fazer-se notar, roubar um bocadinho de atenção. Não é nada de extraordinário, mas, acima de tudo, está muito longe de ser o suco hiperfrutado, pesadão e enjoativo que já lhe ouvi chamar.

Custou 8€.

15,5

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vidigal — Syrah «Reserva» '2004

Varietal Syrah da Estremadura, produzido pelas Caves Vidigal. O contra-rótulo é pura e simplesmente delirante; não resisto a reproduzi-lo na íntegra e fielmente.

«O "Vidigal", que tanta fama e prestígio alcançou na Escandinávia vai agora tentar conquistar o consumidor português, tradicionalmente dividido entre o popular e o snobe. O Vidigal não é uma coisa nem outra. É um vinho de qualidade a baixo-preço; barato e bom não só é possível mas desejável. O preço não segue o prestígio nem a qualidade, como o cão segue o cego! Não fazemos isto por bondade nem ingenuidade. É a nossa estratégia, "vender o melhor vinho possível, ao mais baixo preço possível", acreditando que mais tarde ou mais cedo o consumidor atento o descubra sem grande alarido nem despesa promocional da nossa parte. Este Syrah vai surpreende-lo e pode estar descansado que temos muito. Não somos daqueles que fazem boa figura com microvinificações em quantidades ridículas. Beba com moderação. Os 14% de álcool sobem-lhe facilmente à cabeça.

With this Syrah, our well-known Vidigal, betrays its original fidelity to a national multivarietal blend. By taking a step more on its internationalization, Vidigal embraces the globalized Syrah. Many people maintain that Portuguese wine producers should not work with foreign varietals. Well we are of the opinion that there are no such things as foreign varietals; there are no foreigners at all. We are all "nationals", we are all born "Here", in the same Hearth... somewhere in the neighbourhood. We know that it's a very simplistic and vague statement that while lacking accuracy has the virtue of being pacifist and antecipates the future. Invite Vidigal Syrah to your table. It's a good choice. A modest consumption of red wine is supposed to be healthy but drink moderately. Your friends, family and your health thank you. You will only disappoint the undertaker and your possible enemies. Be wise.»

Frutado, mas não doce. Levemente especiado. Saboroso, mas um tanto curto e magro de corpo, com o álcool a fazer-se notar em demasia. Não digo que não seja um vinho aceitável para um consumo quotidiano, mas duvido que venha a incluí-lo no meu. É que gosto de Syrahs gordos e opulentos... e deste, o que melhor retive como referência para memória futura foi que me pareceu, sei lá, aguado. Custou à volta de 3€. 13,5