sábado, 10 de janeiro de 2009

Montes Claros — Reserva '2004

Depois deste, mais um tinto da Adega Cooperativa de Borba. Vinho de lote, constituído por uvas das castas Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Tinta Caiada, provenientes de videiras adultas — a maioria das quais, dizem, com cerca de 30 anos — e estagiado durante 12 meses em barricas de 2º e 3º ano, de carvalho francês e americano.

Já muito foi dito sobre ele na blogosfera vínica (de língua portuguesa). Provei-o novo, pouco depois de ter saído, e não me lembro de ter ficado demasiado impressionado. Agora, passados uns anos...

A cor, de intensidade moderada, rubi na altura — se não me traem a memória e as muitas notas de prova que se encontram espalhadas pela rede — está a virar granada.

O aroma está cheio de fruta compotada e confeitada, ou talvez em calda, com algum vegetal misturado, este a evocar legumes. Tudo bastante doce, daquele doce denso, madurão melado pesado que tão facilmente se encontra nos vinhos do Alentejo. E lá muito no fundo, ligeiro fumado e cabedal.

Na boca, mais do mesmo. Fruta pesada, muito doce. Felizmente, a acidez surge com garra, trazendo consigo uma muito necessária impressão de frescura. (Quão enjoativo seria este vinho se, com o tipo de aromas e sabores que propociona, tivesse uma boca pesadona!) De resto, parece equilibrado, tem corpo para toda aquela acidez e para os 14% de álcool que apresenta, com bons taninos, completamente redondos. O final, mediano.

Resumindo, é um vinho relativamente simples, mas bastante vivo e muito bem estruturado. Parece estar em boa altura para ser bebido. Talvez a ideal. Não acredito que uns anos em garrafa lhe possam trazer algo mais de relevante.

Custou pouco mais de 6€.

15,5