domingo, 4 de janeiro de 2009

Quinta das Tecedeiras — Vintage '2004

Foi o Porto que escolhi para beber na semana do Natal. Vem de um produtor que por estes lados já não é novidade, propriedade da Dão Sul.

Como isto de escrever sobre o que bebo está, cada vez mais, a deixar de ser um exercício de escrita sobre uma coisa, qualquer coisa, só para manter a sanidade... :)

... para se tornar, cada vez mais, numa espécie de trabalho,

ainda que um que faço por e com gosto — perceberam a diferença? A subtil nuance escondida na dualidade «por» / «com»? Huh? Viram a finura? Terei de lhe dar nome? Huh? Huh? Repararam em mim? Em como sou erudito, mas ao mesmo tempo ligeiro e divertido? Huh? Repararam? Então REPAREM!! — Oh, dasse, agora quase polimerizei em Bandeira, aquela que se mostra garbosamente enfunada — cruzando mares de bytes de alegada Filó Sofia, a ninfa — a ninfa loira [kuarenta e tal -ela diz que poucos- anos, um filho dreadalhoco, de calças largas ao fundo do cu e correntes -Cornídeo Asdrúbal de sua graça- engendrado na casa de banho do RazzMatazz -quando este ainda não existia, provavelmente: eles gostam de mexer com o tempo; no sol: assim nascem boas uvas!- e um MBA, claro] que atende na pensão dos piratas e minhoqueiros onde, segundo a canção, já não se serve vinho desde nineteen sixty nine — essa, essa mesmo que, acocada nos cafúndios mais fundos da cova tartárea, lava as patas aos vencedores com água fresquinha do Styx! — Enfim, que me disperso. Perdão.

Isto para vos dizer que não vou reinventar a roda; aí fica, transcrito, o rótulo.

«A Quinta das Tecedeiras situa-se na margem esquerda do rio Douro, 5Km a montante da vila do Pinhão. Quando foram reconvertidas as vinhas da quinta, houve o cuidado de deixar algumas parcelas antigas, com cerca de cem anos, para fazer os vinhos do Porto. As castas são muitas, dominando a Touriga nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Tinta Amarela e as uvas delas provenientes amadurecem bem e com grande concentração de aromas e sabores.» — Aleluia! Por fim, um rótulo que não aparenta [por completo, calma...] querer matar o Português a coice! —

E um elo para a ficha técnica deste vinho, disponibilizada no site do produtor, embora só tenham, para já, a relativa ao da colheita anterior. [Mas há coisas que nunca mudam... e eu acredito que a utilidade de muitas dessas -digo, as coisas, independentemente da sua mutabilidade- é identitária. Ou seja, que só vai dar de comer às minhocas quando as próprias coisas «em si» também forem.] Sim! Sim! Tantos sims! [Já repararam como «muitos sims» soa a expressão estranha e mal feita ao passo que «muitos nãos» não podia parecer mais normal, comum, familiar? Claro que não vivemos na época dos anal-retentivos. Claaaro que não!]

Contentinhos? Oh, adiante.

Do vinho,

é um típico vintage jovem de boa qualidade. Muito escuro, muito concentrado, muito macio, muito encorpado, muito doce

e não muito ácido :P

Está na fase da fruta pura e simples. Fino e vivaço. Se foi um prazer cheirá-lo, prazer e meio foi bebê-lo.

Custou à volta de 30€.

17

P.S. — Não vale a pena tocar outra vez na velha questão do infanticídio, certo? Afinal, daqui a 40 ou 50 anos, onde (ou melhor, como) já não estarei...

P.P.S — Já repararam na quantidade doentia de gente que se leva demasiado a sério neste mundinho dos blogues — Ah! Fossem só os blogues! — de comeres, beberes e dormires — enfim, «servires»? Céus, a náusea!

E depois... são só uns tristes armados em «chicos experts», a tentar roubar o protagonismo para os seus projectos, alegadamente engendrados por amor ao Vinho, aos clientes, ao bem servir, à excelência, à criatividade, ao próprio Amor, ao Crocodilo Dundee ou a outra merda qualquer de que se tenham lembrado quando chegou a hora de se auto-publicitarem,

hm, promoverem,

mas, alto, sempre com fins lucrativos
embora normalmente discretos e -por vezes- patéticos.

OU então, e estes ainda são piores, aqueles que não servem lá muito bem... mas que entendem não poder dar [como se pudessem fazer alguma coisa para além de ainda parecerem mais en - peru - ados, 'taditos] espaço à crítica «que não percebe porque não está no / vive do
ramo», ignorando que somos nós, os 'badiolas do bon any, quem lhes enche os bolsos... ;)

E esses, só mesmo à estalada.