sábado, 17 de janeiro de 2009

Quinta de Cabriz «Superior» '2000

Comprado no morno lugarzinho do costume, onde tanto gosto de ir beber os meus Yauco Selecto AA com água das Pedras, este tinto velho — feitas as contas, deve estar no mercado desde 2001 — vem das frias terras do Dão, mais especificamente da Quinta de Cabriz, propriedade do gigante que é a Dão Sul. Perante o meu cepticismo, garantiram-me ter sido guardado em boas condições, o que verifiquei ser verdade. Só por isto, nota positiva para o produtor — que, neste caso, embora de forma só mais ou menos directa, também foi quem mo vendeu.

Diz o rótulo:

«O designativo "Superior" está previsto na legislação vinícola portuguesa, mas, inexplicavelmente, raramente é utilizado pelos produtores. Entendemos que na colheita de 2000 se justificava para este vinho, que consideramos de acordo com o termo! Tendo por base as castas Alfrocheiro [50%], Touriga Nacional e Tinta Roriz, foi estagiado cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês de segundo ano e outro tanto em garrafa, antes de ir para o mercado. Nós ficámos muito contentes com o resultado e mais ficaremos se merecer a sua preferência.»




A cor pareceu-me algures entre um rosado escuro e o granada, de concentração discreta.

O aroma suave, fresco e delicado, axaropado pela idade, rapidamente lhe denunciou as origens — tivera-me cruzado com ele em prova cega, não teria, contudo, qualquer dúvida acerca de se tratar de um Dão rico em Alfrocheiro. E que mais dizer? Que ofereceu um bouquet limpo e agradável, embora de largura limitada? Ok, seja — para além da fruta axaropada, havia muito cabedal suave e sugestões várias a malte e afins, manteiga (excesso de diacetilo? — mas um excesso na conta certa!), bolos e frutos secos...

Na boca, uma surpresa: estava tenso, com tudo no lugar, com força, nada como esperava encontrá-lo depois daquele nariz. O corpo ainda cheio, com a acidez a notar-se pronunciada; a fruta em xarope com nuances de flores e couro — pobre caricatura do inimitável sabor de um bom vinho velho, a que tento pintar! —, persistente. Os taninos ainda secos. Que estrutura!

Custou 15€.

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