quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Adega de Pegões — Touriga Nacional '2005

Ainda não tinha provado este tinto, monocasta Touriga Nacional da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões.

Cor rubi, intensa, escura.

Nariz denso, ricamente estratificado. Ao primeiro impacto, violetas e cabedal. Com o tempo e o hábito, as primeiras acabaram por perder o protagonismo, quase desaparecendo numa onda de frutos vermelhos de acidez impossível de ignorar, mas doces, perfumados por subtis notas de especiarias. E castanhas, terra molhada, húmus. Já o cabedal se manteve sempre bem presente, do ataque de nariz ao final de boca.

Boca essa que, embora em consonância com o nariz, surgiu contudo menos complexa, menos polida, definitivamente menos interessante. De carácter seco e um pouco duro, com a acidez fortemente marcada — as notas frutadas que se iam mostrando sugeriam morangos pouco maduros e framboesas — e leve amargor a tintura floral. Também muito cabedal, demasiado para o meu gosto, a trazer ao palato certa chochice, prolongando-se a par da fruta ao longo de um final mineral, terroso, de persistência mediana.

Tenho ficado muito contente com os vinhos (varietais ou não) desta cooperativa: não só se têm revelado sempre correctos — ou mais — e francamente apetitosos como, pelo menos às vezes, conseguem provocar, ser originais. Consistentes ao longo dos anos e sempre fiéis ao terroir que os trouxe ao mundo. Contudo, este Touriga — já algo evoluído — pareceu-me menos interessante que os seus maninhos que já por aqui passaram. Enfim, cozido não estava. Reduzido, também não. TCA ou afins (a que se poderia atribuir a relativa mudez da fruta na boca, todo aquele cabedal, eventualmente a terra molhada)? Duvido. De qualquer forma, um dia destes abro outra garrafa para tirar as dúvidas.

Custou 6,50€.

14,5