quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Herdade do Perdigão — Reserva '2004

Oh, a preguiça! Quão mole, seco, desinspirado me encontro! Abri o editor de texto, o meu caderninho de notas, um par de sítios da web e trouxe para aqui a garrafa vazia. E só de apreciar o conjunto reunido à minha frente, só de pensar em começar a escrever estas linhas, a vontade de sair daqui, ir dar uma volta, curtir o resto do sol da tarde; ou então o sono, que todas as desculpas são boas quando não apetece fazer rigorosamente nada! Ah, bambalhão!


Ora, este tinto alentejano, de Monforte, distrito de Portalegre, consiste num lote composto por 80% de Trincadeira, 15% de Aragonês e o resto, Cabernet Sauvignon. Uvas provenientes de vinhas velhas, completamente desengaçadas, cuja fermentação alcoólica ocorreu na presença das películas e grainhas, dentro de grandes balseiros de carvalho francês, tendo depois o mosto sido transferido para barricas de 225 litros onde, de forma espontânea, se deu a fermentação maloláctica «de acabamento». O vinho passou os 18 meses seguintes dentro dessas mesmas barricas, e mais um ano em garrafa, antes de ser lançado no mercado. Não foi filtrado e apresenta uns garbosos 15% de volume alcoólico. Das 26666 garrafas produzidas, coube-me a nº 2553. Isto segundo os dados fornecidos pelo rótulo e contra-rótulo da garrafa, bem como pela ficha técnica presente na página do produtor.

De que tal o achei, cor entre o rubi e o granada, este mais definido na orla do copo, de concentração mediana. Nariz mais balsâmico que frutado, bastante fresco. Bosque, bagas e muito boa barrica. Promissor. Impressões de boca que me confirmaram estar perante muito bom material. Cremoso, quase mastigável, cheiinho de taninos gordos e macios. Muita fruta. Morangos, amoras e framboesas. Tudo madurinho, mas não em excesso. Acidez elevada, quase cítrica. Ainda sugestões de compota. Barrica delicada. Café. Muito caramelo. Tornou-se um pouco enjoativo a partir de certa altura, mas ai já a garrafa ia quase no fim. Não creio que seja problema para quem não a quiser beber toda. Termina longo e redondo, em concordância com a imagem de solidez que desde o princípio transmite.

É um vinho que se nota muito bem trabalhado, que está no ponto para aqueles que apreciam bocas pujantes, espessas e frutadas. Mas, para o meu gosto, falta-lhe limpidez — se é que me faço entender...

Custou 25€.

16,5