terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lavradores de Feitoria — Meruge '2004

Continuando dentro do que tenho bebido, este também me parece digno de nota.

Douro DOC da Lavradores de Feitoria. Deles, já por aqui passaram este e este.

Do rótulo:

«As uvas que fazem este Meruge 2004 cresceram em duas vinhas de características muito distintas, ambas situadas no Cima Corgo. De uma vinha velha e outra nova foram cuidadosamente vindimadas as melhores. Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, maturidade e juventude, estilos que se completam, vinhos que se equilibram.»

Sendo mais específico, é composto por 70% de Aragonês (Tinta Roriz, Tempranillo), 10% de Touriga Nacional e 20% de outras castas — certamente provenientes da vinha velha, de entre as quais deve predominar a Touriga Franca. De notar que apenas metade das uvas constituintes do lote foram desengaçadas. Estagiou durante um ano em barricas novas e usadas de carvalho francês.

Cor entre o rosa escuro e o vermelho rubi; intensidade discreta. Aroma contido e muito marcado pela madeira, embora a fruta predomine — morangos e framboesas, resinas doces, especiarias (cominhos), chá forte e notas de tosta compõem o quadro. Na boca é macio e apresenta corpo entre o delgado e o mediano — parece-me um vinho feito a apostar na elegância, sem aquela concentração que se costuma encontrar no Douro, o que, aliás, se nota logo pela cor —, de taninos maduros, sedosos. Pena o álcool, desenquadrado, despropositado. Final longo, mais uma vez virado para a madeira, mas também dotado de certa presença mineral.

Não duvido que a integração da madeira possa vir a completar-se com o tempo. Mas, a meu ver, um vinho feito para ser elegante tem, forçosamente, de ser fresco e muito equilibrado. E aí ele falha. Completamente. Claro que consegue ser agradável, claro que não deixa de possuir certo interesse. Porém, tanto dentro do género como para o preço, cerca de 17€, tenho visto muito melhor.

16


P.S.

Kim Marcus para a Wine Spectator: 91 pontos em artigo de Dez. '2006.