sexta-feira, 6 de março de 2009

Soberana '2004

Lote de Aragonês (30%), Trincadeira (30%), Alicante Bouschet, (20%) Alfrocheiro (15%) e Tinta Caiada produzido no Monte das Soberanas, perto do Torrão, freguesia alentejana do concelho de Alcácer do Sal, incluída, contudo, na região vinícola das Terras do Sado.

Decantei-o uma hora antes de o servir (a 16ºC). Notei que apresentava bastante depósito. Também a cor, uma espécie de rosado muito escuro e opaco, indicava encontrar-me perante o produto de uma elevada extracção dos compostos das uvas que lhe deram origem. Depois vim a averiguar, sem surpresa, que após a fermentação alcoólica, este vinho passou por uma longa maceração que durou três semanas.

No nariz, mais intenso que complexo, predominava o odor de ameixas negras maduras. Também muita barrica de qualidade (estagiou durante um ano em carvalho francês novo), a oferecer um leque razoável de impressões amadeiradas e de especiarias. E, que curioso, pareceu-me ter-lhe notado algumas (leves) sugestões de cheiro a fumo aromático e enchidos de fumeiro.

Na boca, antes de tudo o mais, impressionou a macieza. Contudo, este vinho denso e concentrado não se revelou pesado, guloso ou madurão. Pelo contrário, fluiu muitíssimo bem, a fruta parecia viva, a frescura resultante da sua acidez surgiu sempre limpa e neutra, quase cristalina ao manifestar-se na boca. (Ah, que amigos, os frescos ventos do Atlântico, a cortar a canícula alentejana.) Foi revelando suculentos caramelos de leite à medida que evoluía no palato, terminando longo e amadeirado.

Pareceu-me no ponto, mas nada indica que haja qualquer impedimento a que ainda possa viver uns anitos em garrafa, se guardado em boas condições.

Custou 15€.

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