quinta-feira, 30 de abril de 2009

Pegos Claros '2004

Castelão — desde cedo me apercebi nutrir certa predilecção por esta casta, sobretudo pelos varietais cheios de especiarias e notas meladas, fruta de contorno único e difícil de definir, que produz nos solos arenosos da Península de Setúbal.

Este espécime, Palmela DOC produto da Quinta de Pegos Claros, parte da Companhia das Quintas, provém de vinhas com mais de 40 anos, tendo as uvas sido pisadas a pé em lagares e o vinho delas resultante estagiado durante um ano em barricas de carvalho francês e nacional.

Sem surpresas, revelou um perfil a todos os níveis típico da casta e denunciador da passagem por madeira. No nariz, embora mais sóbria que o habitual, um pouco sisuda até, aquela fruta melada típica do Castelão de zona quente e seca, juntamente com traços cítricos e notas claras, embora indistintas, de seivas e especiarias. Também caramelo e café. Tudo relativamente apagado, pouco cativante. Na boca, a confirmação do nariz. Fruta pouco doce, quase desengraçada... madeiras correctamente colocadas, mas incapazes de trazer real graça ao conjunto... Alguma frescura... Largura — densidade — profundidade — força correctas «dentro do pouco»... Taninoso, um bocadinho de mais...

Enfim, não ofende. Deixou-me (ainda) a ideia de precisar da companhia de comida, desde que ligeira. Franguito, porque não?!

Custou 4,50€.

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