terça-feira, 2 de junho de 2009

Loios '2005

Lóios (com acento agudo) eram cónegos regrantes — clérigos que viviam em comunidade, tendo feito votos de pobreza, obediência e castidade — pertencentes a uma congregação fundada no primeiro quartel do século XV e extinta em 1834, a dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista. Durante os anos da sua existência, esta gozou de grande prestígio, expandindo-se rapidamente — de tal forma que, tendo a casa-mãe perto de Barcelos, tinha já fundado novos conventos em dioceses tão (relativamente) distantes como as de Lisboa e Évora ainda antes do final do século que a viu nascer.

Baptizado em jeito de homenagem a estes homens bons, Loios (sem acento) é o produto de entrada de gama da João Portugal Ramos — Vinhos, S.A.. Lote de Aragonês, Trincadeira e Castelão, sem passagem por madeira.

Cor ainda rubi, pouco concentrada. Aroma fresco e doce, compostinho, mas a tender para a ligeireza — ameixa e ginja, maduras e em licor, algum cacau, também ligeiras sugestões de areia com travo ferroso. . . e boca redonda, saborosa, com caramelo e compota de fruto negro, sugestões de tâmara e alperce seco, excelente acidez e álcool bem integrado. Mas muito curta e bem mais interessante no ataque que no final.

Esta garrafa estava perdida no fundo de uma prateleira no Pingo Doce. Um mono que acabou por se revelar uma espécie de achado.

2,70€.

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