sábado, 20 de junho de 2009

Marquês de Marialva — Baga: Reserva '2005

Falava há dias com o Tó Zé quando ele se me saiu com esta: Blogs são próprios de gajas que estudam marketing, e se o teu não é popular, é por não ser suficientemente rebelde.

À primeira vista, esta afirmação parece lixo. Porém, certo é que, salvo raras excepções, se bloga apenas quando não há mais que fazer, ou seja, a aioria dos blogs é filha do ócio e, consequentemente, do tédio que dele advém. Surge como uma espécie de vício e existe como tal pois só assim se justifica. Pode ser reconfortante escrever algo mais ou menos nosso num blog, mas é demasiado fácil ficar por aí, uma vez que se trata de um formato nada exigente. Um blog não se faz, nasce, e torna-se uma autêntica manta de retalhos com o passar do tempo. As palavras são cuspidas, não se pondera a forma nem o conteúdo, e o objectivo inicial, se é que na maioria dos casos havia algum, perde-se. Escreve-se para ser igual aos diferentes — ou porque motivo se verão tantos diários tornados listas, listas tornadas diários, diários com listas e uma miríade de cartas de amor? Por ser indie? Que expressão traiçoeira! Independente? Rebelde?!

Divinizo-me pois chacal e rio-me como um filho da puta perante os esforços patéticos de gente normal que quer ser diferente e que se auto-rotula de tantas coisas pela negação do pecado mainstream! Mas quem é que há de querer ser cromo?! Será maneira de encontrar a loucura? Não, não... a loucura encontra-se pela inutilidade. Queres sentir o toque dessa puta? Tranca-te em casa, sem comida, durante três ou quatro dias. Tranca-te para morrer e fica à espera. Faz filmes, e depois, quando saíres, curte a loucura de já teres comida, pessoas, barulho, autocarros amarelos em que pensar! Faz-te ao porteiro de uma discoteca e come o teu amor, ou qualquer amigo, no meio da rua, à chuva. Fode-te todo!

Amargos pensamento, hein? Venha então o vinho, para moralizar. Varietal Baga da Adega Cooperativa de Cantanhede. Foi estagiado durante meio ano em barricas de carvalho francês, americano e português.

Tonalidade granada, escura. Aromas fiéis à casta: flores e frutos silvestres com ponta de acidez; também caramelo, malte, café e ligeira tosta. Boca de ataque ácido, mas frutada o suficiente para manter o conjunto interessante. Taninos um pouco secos. Final curto, ligeiramente amargo, a limpar a boca. Melhor com comida. Não consigo esconder que estava à espera de mais. Talvez pelo rótulo, tão bonito?

5€.

15,5