sábado, 11 de julho de 2009

Herdade Porto da Bouga — Garrafeira '2004

Demasiado fechado nas horas imediatas à abertura, achei-o muito mais interessante após ter pernoitado no frigorífico.

Apresentou um aroma denso, amálgama de madeira tostada e frutos negros com marcas evidentes de sobre-maturação, leves (mas persistentes) notas de fruta podre incluídas, a maior parte das vezes a fazerem lembrar butil-mercaptano, aquilo que se costuma juntar aos gases combustíveis de uso corrente de forma a se lhes transmitir odor.

Fluido, fresco, longo, potente e saboroso quanto baste, não revelou, contudo, grandes sinais de complexidade. Atacou o palato com fruta e firmeza; terminou especiado, algo taninoso e seco.

Continua bom, mas quando me recordo das garrafas que bebia com relativa frequência há dois anos atrás, quando ainda se encontravam com facilidade nas prateleiras dos supermercados, não consigo deixar de pensar que, na altura, me parecia mais viçoso, mais expressivo... melhor. E assim prevalece a dúvida: terá sido só esta garrafa? E se não, tratar-se-á apenas de uma fase burra... ou estará, como aparenta, a extinguir-se?

Custou 10€.

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