quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Quinta do Vale Meão — Vintage '2001

Abri esta garrafa consciente de que ia cometer infanticídio.

Quanto a predicados, este Vintage de Quinta safa-se bem: não só a sua procedência dificilmente poderia ser melhor, como consta ter 2001 sido um ano bem decente no Douro. Oh sim.

Quando o abri, encontrei-o muito caladinho. Melhorou qualquer coisa após ter pernoitado no decantador.

Na prova, isto é, consumo, portou-se de acordo com as expectativas. Escuro, opaco, denso, austero, simples, directo e um tanto curto e unidimensional, mostrou quanto baste de ameixa e uva passa, qualquer coisa a fazer lembrar pez (!?) e ainda algum tostado. Pouco doce, certinho (porreiro) na acidez e pejado de sugestões terrosas na boca, está neste momento tão fechado e taninoso que aparenta vir a precisar de bastante tempo até se encontrar completamente pronto a beber. Confio, contudo, que se venha a mostrar uma verdadeira delícia quando abrir: se tanto eu como a botelha remanescente ainda formos vivos daqui a dez anos, prometo que tiro as teimas e deixo aqui registadas as minhas impressões.

Quanto ao numerozinho, dado que se trata de um vintage em plena «fase burra», encare-se este 17 como uma espécie de profissão de fé. Custou 40€.