terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vila Santa — Syrah '2007

Um aclamado varietal da autoria do famoso João Portugal Ramos. Syrah alentejano, uvas colhidas em excelente estado de maturação (diz o contra-rótulo) e fermentadas a temperatura controlada, tendo o projecto de vinho resultante sido sujeito a uma longa maceração pós-fermentativa — ideia: extrair das cascas e engaços uma maior quantidade de taninos, dado que estes se solubilizam facilmente em meios alcoólicos. Estagiou durante meio ano em meias pipas de carvalho francês e americano.

Depois de tanto bem ter ouvido dizer dele, resolvi experimentar. Inicialmente verti o vinho directamente para dentro do copo. Decerto a não mais de 18ºC, que nestas coisas costumo ter cuidado. Vi-o escurão, de tom violáceo carregado. Prometia. Logo de seguida, levo-o ao nariz e... Que quente! Que álcool a tudo o mais abafar! Claro que sob o dito detectei fruta doce, apelativa, e talvez um bocadinho de madeira. Mas tudo muito tímido, muito acanhado. Na boca, muita acidez e ainda mais álcool; pouco corpo, pouca fruta para tamanho picor. Terminou razoavelmente longo, mas tal atributo jamais chegaria para me convencer depois do que acabara de presenciar. Meti-o num decantador e levei-o ao frigorífico. Mais ou menos 45 minutos depois, encontrava-se a 14ºC: o álcool um bocado menos ofensivo, mas presente; a fruta, mais visível, fixe mas relativamente plana... e algo amadeirado... ou especiado... indistinto. Na boca, passada boa parte da anestesia alcoólica, deu para notar que os taninos eram curtos e algo farinhentos. Puah. Como o vinho estava jovem, ainda tive esperanças de que melhorasse durante a noite. Enganei-me. Passadas talvez 12 horas, ao almoço do dia seguinte, continuava gulosão e extremamente alcoólico. A fazer lembrar um LBV fracote, quase completamente destituído de doçura. Ainda ligeiros alicorados — já?!

OK, este pode não ter sido o pior vinho que alguma vez provei. Mas, sem paninhos quentes, para os 12€ que custou, achei-o uma merda.

13,5