sábado, 19 de dezembro de 2009

Metablogando com nojo. . .

Certa vez alguém perguntou num fórum o que é que os donos dos [eno]blogues poderiam fazer de modo a tornarem os seus espaços mais interessantes. Já na altura a questão de os [eno]blogues portugueses serem ou não uma caca era mais ou menos recorrente, situação que se manteve até hoje e tem acidez e taninos suficientes para perdurar por muitos e bons anos, provavelmente enquanto os visados existirem. De qualquer forma, e porque não é o facto per se de tal discussão existir que me mete nojo, consideremos aquilo que acabei de escrever uma espécie de aparte e avancemos. . . na altura, a minha resposta foi mais ou menos esta:


Falta sempre alguma coisa, mas mais a uns que a outros.

Pessoalmente, e de entre os muitos bons que por aí andam, acho este modelar:

http://oenologic.blogspot.com


Mas

it takes a life to get a life

como a do Sr. Iverson!

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Se estão à cata de ideias para melhorar o vosso, aqui ficam algumas, a bold e tudo:

1. Mais precisão no que dizem: por incrível que pareça, há sempre pessoas que acreditam naquilo que lhes damos a ler e nós não queremos enganá-las, pois não? :)


2. Revisão, revisão, revisão!

A falta de uma revisão cuidada torna mau o que é medíocre e mediocriza o que, de outra forma, seria regular! Por norma, os porreirinhos, quase bons, bonzinhos e daí para cima não se esquecem de rever, tanto quanto necessário, o que escreveram.


3. Atitude mais receptiva; menos peito inchado.

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Mas livrem-se igualmente de falsas humildades, da sofisticação de plástico e, mais importante ainda, nunca se mostrem falsamente blasé! Se forem ou estiverem molengos e indiferentes, escrevam como tal. Se forem moços simples, não tentem parecer da roda da Mrs. Hilton mãe da parizita. Se se sentirem brigões, amargurados, serenos, inseguros, desinteressados, argutos ... o que for, escrevam como tal. Escrevam o que vos vai na alma sem tentarem modelar [modelar, huh? também meti lá em cima, quando falei do blog do sr. Iverson! já viram? heh? a mesma palavra com diferentes funções? que engraçado, huh?] a vossa alma ao meio que querem que vos aceite porque não só não vos vai aceitar como vão fazer uma figurinha do piorio sem sequer terem estado a ser vós próprios e a fazer o que vos deu na real gana terão estado a representar para nada, & that sucks! :)

... nunca se armem deliberadamente em parvos como eu fiz, só para dar o exemplo, ali em cima, entre parêntesis rectos;

... fujam das auto-referências: evitem que os vossos textos/blogue se transformem em cobriços de rabito na boca...

... à medida que vão escrevendo, em caso de dúvida linguística, dicionário. Tentem não inventar demasiadas palavras, também, ou vai sempre haver pessoal mais sisudo a achar que só poderão dizer melda, no matter what...

... não tentem fazer os vossos textos soar analíticos, impessoais e cheios de autoridade, a la jornalista de craveira, antes de saberem escrever muito bem.

E vivam o mais que puderem, vinho e o resto!




Ah, que chorrilho de asneiras! Talvez alguma das dicas dadas possa ter a sua validade, que merda, tenho de acreditar o mínimo naquilo que defendo. . . Mas que valor poderá ter um blogue objectivamente mais interessante se ninguém lhe ligar nenhuma? É que, como a experiência me tem vindo a mostrar, nenhuma destas dicas de aparência saudável tem a menor influência no crescimento de um blogue. Para que um blogue possa crescer (visitas) e o seu autor ganhar influência, a receita é outra — felizmente bem mais simples. . .

Auto-promoção! Auto-promoção! Auto-promoção!

Não importa que um blogue consista num conjunto de alarvidades horríveis de desconhecimento e desatenção, escritas num estilo que aparente tentar emular o discurso de um atrasado mental, desde que o seu dono consiga ser espertalhão e saiba chegar-se à frente. Abrir-se a comentários e, acima de tudo, comentar. Nem que apenas para dizer «olá! gostei muito do teu blogue! olha, também tenho um, vamos trocar links?» . . . ou ainda menos. Aderir a tantos agregadores quanto possível e participar em todas as suas iniciativas. Ter contas no Facebook e no Twitter, também no Youtube, Stickam e Suicidegirls, e mantê-las actualizadas como se não houvesse amanhã — o que não é difícil: a regra de ouro é colocar uma novidade por dia numa das facetas da nossa existência virtual e a partir daí alimentar as outras todas (o poder da hiperligação). Participar em fóruns, engraxando as pessoas certas. Aceitar todos os convites para provas, júris ou festas privadas, mesmo que suspeitemos no-los terem mandado por engano ou sobranceria . . . aparecer, falar com tudo e todos sem qualquer medo de poder estar a ser um chato do piorio e, como nos fóruns, identificar dois ou três elementos-chave e puxar-lhes o lustro, sorriso nos olhos e uma meia mesura. E, claro, aceitar amostras. . . ou melhor, bater-se a amostras. Sempre de coisas fantabulásticas, divinais — vinhos porreiros — ou apenas boas, mas num momento infeliz — chamar a merda por outro nome, com açúcar por cima. Porque na verdade pouco ou nada importa a quem produz ou vende que em vez de crítica se impinja publireportagem aos leitores — um meio promocional é um meio promocional e quase grátis é quase grátis.

Enfim, poderá o segredo fundamental do sucesso ser algo tão simples como pura e simplesmente não ter vergonha? Pode. E pensando bem, surpreendente é que só a meio caminho dos trinta anos eu me tenha apercebido disso. . . :|

As imagens oferecidas, tudo coisinhas muito bonitas, capazes de fazer os sonhos de qualquer enochato(a), foram tiradas sem permissão de outros sítios da web e destinam-se a tentar atenuar o sofrimento dos pobres tolos que se dispuseram a ler este gordo e inútil bloco de texto até ao fim.