terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Quarto Dado (Dado '2004)

O primeiro Dado data de 2000. Como continuo demasiado preguiçoso para me dar ao trabalho de articular um texto que dê conta do essencial acerca das circunstâncias que rodeiam este vinho, vou antes tentar fazer um boneco. Ora bem:


Em 2004, o vinho do Dão — 55% do lote final — proveniente de cepas velhas das Quintas de Saes e Pellada, composto em cerca de metade por Touriga Nacional e no mais por uma mistura de castas tradicionais da região, foi vinificado em lagares e fez a fermentação maloláctica em cascos de carvalho francês, onde viria a estagiar durante 18 meses. O do Douro, composição típica da zona — Tourigas Franca e Nacional, Tintas Roriz e Amarela, etc. — proveniente de vinhas com mais de 60 anos, também fez a fermentação alcoólica em lagares e a maloláctica em carvalho francês, tendo estagiado durante 15 meses. Encheram-se 5600 garrafas.

Das quais comprei uma recentemente, há menos de meio ano. Decantei o vinho aproximadamente 2h antes de o provar e servir a 16ºC.

Rubi, escuro mas não opaco. Mesmo após decantado, começou um tanto tímido: basicamente, fruta e madeira. Mas quando se começou a soltar, revelou-se uma festa para os sentidos. As flores da Touriga Nacional. . . mato, caruma. . . folhas frescas de pinheiro. Especiarias . . . cominhos. . . chá. Tudo tão fresco, tão limpo, tão arrumado. Força e firmeza, uma estrutura magnífica, suavidade e persistência — tudo na medida certa. Ah, então é assim um vinho dito preciso! E apesar da clareza com que se iam deixando adivinhar as mais e mais nuances olfactivas que surgiam, apesar da limpidez da fruta em crescendo com o tempo de exposição — que framboesas! — o binómio suavidade/densidade do conjunto nunca permitiu que este se tornasse óbvio — e a isto chama-se austeridade.

Dizem eles que «a ideia era criar o vinho ideal, associar a elegância e longevidade do Dão à concentração e estrutura do Douro». Perfeitamente materializada, acrescentaria eu.

35€.

18,5