domingo, 17 de janeiro de 2010

Muros de Melgaço '2007

Vinho Verde Alvarinho da sub-região de Monção, produzido e engarrafado por Anselmo Mendes (Melgaço).

«Criado em adega tradicional, fermenta e estagia em barricas de carvalho francês» — do contra-rótulo.

Cor citrina.

No nariz, aromas característicos da casta. Muito cítrico, com casca de limão e lima; também pêssego e alperce, quase sem notas tropicais. Não lhe detectei qualquer traço de madeira. Bom, sem dúvida, mas demora um pouco a soltar-se.

Na boca é amplo e gordo, mas muito fresco. Diz-se que a acidez constitui a espinha dorsal de um vinho porque é ela que desperta o palato para os sabores que consigo fluem (isto soou gay, huh?) e é dela — mais que junto, em equilíbrio com um bom teor alcoólico — que depende directamente o potencial de envelhecimento do conjunto. Ora esta pinga tem uma espinha, uns ossos do caralho, a guiar sabor ao longo de todo o seu considerável comprimento... mas também álcool e extracto, corpo, carne suficiente para que, mesmo em jovem, a dita acidez não assoberbe o resto, não se sobreponha ao equilíbrio do todo. E isto é marca de grande vinho, perfeitamente capaz de proporcionar grande prazer daqui a dez anos — mas neste caso com a benesse de já ser capaz de o fazer agora.

Custou 15€.

17,5