segunda-feira, 29 de março de 2010

Reminiscências da Janela dos Gatos — Neura 2

(Aqui e agora. Os ratos piam.)


A alma deixa-se possuir por sentimentos contraditórios, a razão esbate-se e só fica o vazio. Aquele que lá esteve, naquela noite, não era eu. Nem nas outras que se seguiram.

Recordo a história da árvore eternamente escusa do mundo, derrubada por uma tempestade em algum bosque remoto. Ninguém a viu cair, ninguém a viu caída. Terá mesmo caído? Passa-se o mesmo com estes gatos. Não possuem identidade. Para quem existem eles? E quem vai procurá-los? Sonho... com famílias pobres sustentadas pela doce ilusão de uma vida melhor para os seus filhos, aqueles que fugiram lá para longe, para o desconhecido, as quentes cidades do sul, feitas de terra, pólvora, cascalho e ácido.