sábado, 15 de maio de 2010

Velharias (22)

Mais um sobrevivente do holocausto digital que vitimou o velhinho R7. . .




3:38 A.M.

Reflectir de madrugada: olhar para o tecto durante uma hora, analisar o relógio do Windows por uns minutos, enrolar um cigarro de haxixe e fumá-lo na varanda, olhar novamente para o tecto, reiniciar o ciclo. Apontar os resultados.



4:05 A.M.

O pobre pequeno Jorge ficou sozinho e está muito triste, lol.

Originalmente uma contracção de loughing out loud, lol, a palavra-blend, cresceu. Já não significa, necessariamente, um riso daqueles... que se escrevem LOOOL! — ponto de exclamação incluído. Pode ser qualquer riso ou sorriso. Pode ser uma pausa. Um encolher de ombros, um piscar de olhos. Fácil de utilizar, ainda mais fácil de compreender. Só quem nunca perdeu horas em salas de chat poderá duvidar das tremendas possibilidades expressivas deste vocábulo. Palavra-blend, a porra. Portmanteau de pleno direito, este menino bonito da geração sms.

Naaaaaay... não acredito que isto baste para deixar Carrol às voltas no caixão. O homem deve ter-se resignado há muito. Anda por aí bem mais gente a lolar do que a ler a Alice... :)

O pessoal já não lê contos de fadas, apesar de actualmente se consumirem mais cogumelos do que em qualquer outra altura. Agora, o pessoal reclama o direito de construir o seu próprio maravilhoso — sexo fútil, beijinhos bonitos, cházinhos, esplanadas.

Somos todos uns tolinhos.

Hoje, a bacana que me aturou online nos últimos dias resolveu dormir. É nestas alturas que blogo. Filho de má mãe, este coiso — já viram?!

Estas cenas todas que aqui vêem não passam de repetições de um único lugar-comum, dizem as más línguas. Que no entanto, se recusam a tratá-lo pelo nome.

Sim, sim... alguém me picou, e não foi uma "ela". Salvo raras excepções, os jornalistas ganham mal. Ainda bem. Tivessem os ditos uma bolsa à dimensão dos seus egos... e estava tudo fodido.



5:27 A.M.

Que fastio, ai.

Dizem que a droga nos impede de ver o mundo. Não. A droga não mostra nem esconde nada. Só que para nós, tudo é mentira.

Um filme. Francês. De Balasko. Com Victoria Abril. "Gazon Maudit". "French Twist" para os anglófonos. Para nós, portugueses, não é coisa nenhuma. Fica o desafio para a malta intelectual que organiza ciclos de cinema e afins: incluam este bichinho em alguma das vossas mostras. Qualquer uma: a menina Abril, nua, fica bem em qualquer lado. E chamem-lhe, mesmo, (a) "Rata Maldita".



6:12 A.M.

ICQ Search — What you see is what you get!

Olho para ela — a janela! — e só vejo publicidade. É nisto que a web se está a tornar: um reclame global, cada vez mais lento e cheio de bugs.

É nisto que a web se tem vindo a tornar há anos, e ainda ninguém morreu por isso. Relaxemos, portanto.

De vez em quando, a blogoesfera torna-se campo de batalha. E quando os "grandes" se degladiam, quanto sangue, quantas tripas... No fim, desculpam-se sempre. Nunca ficou por dizer que esta coisa dos blogues é uma "brincadeira"... Será que necessitam de descer assim tão baixo para se convencerem a si próprios de que são respeitáveis? Poblecitos.



7:48 A.M.

Diz o Puto Maluko que "se o jornalista fosse um animal... era uma hiena". Discordo. Seria, isso sim e sem sombra de dúvida, um chacal.

Lucia Joyce nasceu em Trieste, a 26 de Julho de 1907. Era filha de James Joyce, bonita, e também esquizofrénica. Em Outubro de 1934, escrevia ao pai nos seguintes termos:

"Father, if ever I take a fancy to anybody I swear to you on the head of Jesus that it will not be because I am not fond of you. Do not forget that. I don't really know what I am writing Father. At Prangins I saw a number of artists, especially women who seemed to me all very hysterical. Am I to turn out like them? No, it would be better to sell shoes if that can be done with simplicity and truth. And besides, I don't know whether all this I am writing means anything to you."

A fragilidade merece uma flor: qual a sua razão de ser, se não pudermos acariciá-la?

Beauty can only be kissed (reprise)

Porra para as gajas, e mais não digo. Vou dormir. Bom dia!


9/Jun/2004