domingo, 18 de julho de 2010

Fiuza — Três Castas '2008 (Branco)

Ter bebido recentemente uma quantidade apreciável de vinhos despretenciosos pode levar um indivíduo a dilemas inesperados.

Como, por exemplo, publicá-los. Não pelo falso problema de poder ou não estar a rechear o meu cantinho na net com material menor. Acredito, aliás, que sejam estas as notas mais interessantes para a maior parte dos visitantes que aqui caem em busca de opinião, pelo simples motivo de que tratam daquilo que tencionam consumir. O problema de que falo é outro, e apenas meu.

Quando um gajo chega ao ponto em que começa a questionar se não andará a escrever como quem coça uma camada de chatos, é possível que algo esteja mal. Em última análise, porquê? Para quê? Para ficar a sentir que me estou a falhar?

Claro que, enquanto me decido, se é que há alguma coisa a decidir, a inércia vai prevalecendo. E enfim, é neste espírito que vos trago outro "hit" das prateleiras dos supermercados; neste caso, da penúltima colheita disponível no mercado. Penúltima, não para me armar em diferente, mas porque era o que havia quando o comprei. Porque não? Por um lado, é sabido que 2008 foi uma colheita que deu bons brancos; por outro, de nenhum vinho que mereça ser chamado de tal se pode esperar um declínio relevante ao fim de apenas um ano em garrafa, mais coisa menos coisa.

Sobre o líquido, Arinto, Chardonnay e Vital, sem barrica. Vivinho da silva (olhem, um nome porreiro para este blog, merda só me ter ocorrido agora), com notas indistintas de flores e citrinos, mais o tropicalzinho da ordem, tudo encaixado com relativa precisão num corpo fresco, redondo e untuoso qb. Quando o bebi, gatafunhei ainda "alguma sapidez mineral", e juro que não estava ébrio. Mais uma observação que vale o que vale. Em suma, o branquela é simples, mas consegue agradar.

3€.

14,5