sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O inominável, o irreal, carece de barreiras léxicas que retenham a sua essência. Não necessita de tempo nem de lugar, dispensa circunstância. O que se salva da linguagem é imortal.

Cada conceito é uma prisão. Quando damos nome a algo, junto com a data do seu nascimento, fixamos também a da sua morte — ou então o seu estatismo. E cada nova coisa nomeada desde logo fica condicionada pelas palavras de uma linguagem que muito raramente, se é que alguma vez, sequer, terá conseguido aproximar-se do que procura definir.

Talvez seja por isso que nos dou poucos nomes. Porque quando estamos juntos não há linguagem capaz de definir o inominável sentido, tantas vezes mais fielmente retratado pelo simples brilho de um olhar. E basta que não estejas para que a ausência diga o resto. Para quê comprar rosas, então, se aqui há flores mais bonitas?

Inspirou-me a invisibilidade a dizer que te amo nestas breves linhas — nenhuma palavra é visível. Quanto a estas, estão infinitamente longe da coisa em si, e só posso alegrar-me por isso.