31/12/2003, 2h15
The fact that I'll never fit in makes me want to die.
31/12, 4h56
Levantei-me em sobressalto, acordado por uma gaja de cabelo vermelho, um familiar, um crime, uma fuga, uma voz que me gritava dentro da cabeça: "Salpicos de fogo! São as lágrimas de Moloch! São as lágrimas de Moloch!"
31/12, 5h23
Desordem. Que palavra bela! Tratemo-la bem.
31/12, 5h25
E para lá de todas as aspirações, o vazio. E depois do vazio, vem a paz — uma festa de contornos sentidos. Uma não-busca; o que é talvez não necessite assim tanto de uma razão de ser.
31/12, 5h38
Deuses! Proto-essências que necessitam de um sentido para existir. Não se procuram, encontram-se. Nada fazem para se revelar; descobrem-se quando a necessidade de um sentido se vê por quaisquer outros meios insatisfeita; quando, para lá de todas as trivialidades, sobra aquele elemento comum a todas as coisas que todos sentimos de vez em quando, mas cujo nome pertence a uma língua há muito perdida. As manifestações de deus podem ter todo e qualquer nome: quando nada é verdadeiro, tudo é permitido. Ensinaram-nos a adorar ídolos, pastores de pedra que prendem ao invés de libertar, supostos todo-poderosos mais ou menos livres de corpo. Castraram-nos com a terrível objectividade da única realidade possível; tudo o resto foi condenado à irrelevância. Concepções, realidades, necessidades — escapes. Não matámos deus nenhum, por mais desnecessário que fosse. Só os homens vivem e morrem, e com eles os seus mundos.
The fact that I'll never fit in makes me want to die.
31/12, 4h56
Levantei-me em sobressalto, acordado por uma gaja de cabelo vermelho, um familiar, um crime, uma fuga, uma voz que me gritava dentro da cabeça: "Salpicos de fogo! São as lágrimas de Moloch! São as lágrimas de Moloch!"
31/12, 5h23
Desordem. Que palavra bela! Tratemo-la bem.
31/12, 5h25
E para lá de todas as aspirações, o vazio. E depois do vazio, vem a paz — uma festa de contornos sentidos. Uma não-busca; o que é talvez não necessite assim tanto de uma razão de ser.
31/12, 5h38
Deuses! Proto-essências que necessitam de um sentido para existir. Não se procuram, encontram-se. Nada fazem para se revelar; descobrem-se quando a necessidade de um sentido se vê por quaisquer outros meios insatisfeita; quando, para lá de todas as trivialidades, sobra aquele elemento comum a todas as coisas que todos sentimos de vez em quando, mas cujo nome pertence a uma língua há muito perdida. As manifestações de deus podem ter todo e qualquer nome: quando nada é verdadeiro, tudo é permitido. Ensinaram-nos a adorar ídolos, pastores de pedra que prendem ao invés de libertar, supostos todo-poderosos mais ou menos livres de corpo. Castraram-nos com a terrível objectividade da única realidade possível; tudo o resto foi condenado à irrelevância. Concepções, realidades, necessidades — escapes. Não matámos deus nenhum, por mais desnecessário que fosse. Só os homens vivem e morrem, e com eles os seus mundos.

