domingo, 19 de dezembro de 2010

Quinta da Costa das Aguaneiras — LBV '2004

Epílogo: Luz pálida, tons esbranquiçados que se diluem no negrume do féretro. Silêncio quase absoluto, apenas cortado por alguns grunhidos quase imperceptíveis. E meus, o que torna tudo mais estranho.

Ajoelho-me no chão do quarto — acabei de jantar; apanho agora os restos de comida que deixei cair fora do tabuleiro. Imagino a tristeza da migalha pequenina, abandonada no chão, ao ver a sua irmã maior ser devorada, o que me enche de pena, pelo que apanho e como todos os restos que sou capaz de recolher.

Após uma breve pausa, debruço-me debaixo da cama.

Tenho andado sem tempo para publicar aqui. Ainda por cima, tenho-me sentido oco q.b., e não me lembro de que o vazio criativo alguma vez me tenha transportado para algures onde valesse a pena estar. E, sinceramente, já nem me importo. No entanto, como tenho medo de deixar isto morrer se me habituar a não vir cá, aqui fica mais do mesmo, mais um de uma já razoavelmente longa lista de bons vinhos que poderei vir a publicar. Foi engarrafado em Dezembro de 2008.

Tem o perfil do do post anterior, apenas um pouco mais circunspecto. No nariz, a fruta característica do género: ameixa e outros frutos negros, maduros, um pouco pesados, álcool, flores, framboesa e cacau. Na boca é agradavelmente austero, firme, tenso e denso, algo taninoso, com um amargor residual que cai bem.

Gostei mais dele com Brie que com chocolate.

15,5