terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mouchão '2002

Depois deste e deste, outro da Herdade do Mouchão. 70% Alicante Bouschet, 30% Trincadeira. Fermentou em lagares, tendo posteriormente sido estagiado em tonéis e, uma pequena parte, diz-se que em jeito de tempero, em barricas de carvalho francês.

Granada. Muito denso, muito escuro. A princípio, e por muito tempo, cheira a vinho, a sumo de uva fermentado, algo abafado, temperado com mais certo quê que não se deixa perceber. Só após mais de uma hora de arejamento a fruta ganha uma cara: ameixa negra madura, um pouco pesada, permeada por sugestões de bagas e passas de uva e figo — que bonito. Na boca, o sabor característico dos vinhos da casa, envolvente, sempre com alguma evolução. Longo e carnudo, com traços de frutos secos em pano de fundo e no final.

Segundo dia: o retrato da madeira é notável: cheirosa, só muito levemente tostada. A fruta negra, carregada, madura, aromática, faz-se acompanhar de especiarias e azeitona parda. As sugestões de frutos secos foram-se. O sabor mostra-se firme e fresco, como que a transpirar ligeiro amargor. Os taninos são espessos, grandes, aconchegantes. O final, longo e poderoso, de quentura aprazível. Neste vinho, nada se tenta impor e, simultaneamente, nada aparenta ter nascido reduzido à mera condição de adorno. Tudo coexiste com a maior tranquilidade e tudo indica que tal continuará a acontecer por muitos anos — louvado seja.

40€.

18,5