quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Filmes (25)

Valerie a Týden Divů (Valerie and Her Week of Wonders)



Fez-me lembrar, vagamente, aquela história da pequena Blondine que se perde na Floresta dos Lilases e encontra um gatinho branquinho, falante e muito bonito, que a leva para um spa cheio de lebres dóceis e coisas de ouro, onde cresce imaculada, uma espécie de pita de cristal que, certo dia, tentada por um papagaio mau que a espicaça com o apelo do desconhecido, deixa o seu quotidiano cheio de bem e acaba por libertar um terrível feiticeiro que estava preso há colhões dentro da mais bela rosa, ansioso por vingança. Então a floresta vira merda, o gatinho morre, a mãe dele, que se a memória não me falha era uma lebre, também, e para onde quer que Blondine olhe só vê horrores, animaizinhos peludinhos com os pescocinhos partidos e as tripas de fora, cardos e urtigas e niggas bué de ordinários a cravar trocos nas esquinas, decerto para o crack, oh, a monstruosidade!, e chora, chora perante a imagem do paraíso perdido por sua culpa, mas, quando realmente parece que está tudo mais que fodido, aparece a consciência de que o arrependimento pode remediar muitas faltas, e assim, montada numa sábia tartaruga que, já não me lembro bem, acho que também era a própria consciência, trilha o longo caminho até à redenção, não de dor ou alguma coisa, assim, inapropriada para uma pita de cristal que também é princesa, mas de tédio e abnegação, um pouco como se a tivessem mandado ir trabalhar, e no fim chega algures, onde, apenas pela provação da viagem em que, essencialmente, não fez nada, reverte completamente o estado das coisas, manda o feiticeiro para o caralho sem qualquer tipo de luta, que nem a alma se lhe aproveitou e, já não sei bem como, acaba casada com um príncipe todo bom, que afinal era o gatinho bonito da sua infância, todo desenfeitiçado, para viver feliz e, claro, para sempre, no meio do arco-íris, onde, como é do conhecimento comum, as princesas e príncipes encantados passam o tempo a ser felizes, a fazer meninos sem sexo, em bosques de flores e borboletas. Livros da minha infância, muito pré-Google. . . perfeitos para ler na companhia de uma boa garrafa! Oh, coisas que é como se nunca tivessem existido. (Foda-se, por aqui até parece que vi Maladolescenza aos 12 anos e sob o efeito de LSD, mas juro-vos que não). Sobre o filme, este, wiki aqui. Para mais informações, porque não vê-lo? A janelinha *.avi é um acto de partilha, um teaser para algo de que gostei e que, presumo, alguém que aqui caia e se deixe levar pela curiosidade também possa vir a apreciar — e já vai na parte 25. Aproveitem?