quinta-feira, 19 de maio de 2011

Diego de Almagro — Gran Reserva '1993

Mais uma curiosidade de aparência fodida, este D.O. Valdepeñas, produzido pela Felix Solís. Varietal Tempranillo, envelheceu por tempo não inferior a dois anos (da ficha técnica) em barricas de carvalho americano antes de continuar a afinação em garrafa, acabando por ir para o mercado cinco ou seis anos depois da data de colheita — facto praticamente irrelevante neste caso, dado a bebida em causa ir a caminho dos dezoito anos.

Cor atijolada. Bastante volátil a princípio, nota-se ter vindo a perder corpo, retendo ainda alguma presença. Muito fino, muito macio, mas também persistente, e saboroso, sem acridez, com sugestões de erva doce e canela no fim de boca. Quanto a cheiros, o conjunto habitual num tinto de média estirpe, bem envelhecido: fruta extremamente transformada, a fazer lembrar aguardente de ginja e outras coisas para as quais me faltam as palavras, ranço, chá, tabaco, vinagrinho. . .

Segundo dia: completamente seco, morto, e ainda bem. Eu explico porquê: quando o abri, tive dúvidas sobre se ainda estaria vivo, por momentos, até o volátil levantar, até o levar à boca e notar que ainda existia ali alguma acidez, tanino e sabor. Ora, se hoje, voltando a ele, o encontrasse nas mesmas condições, isso apenas poderia significar que ontem tinha apreciado um cadáver, e ainda por cima escrito sobre isso, com todas as implicações que daí pudessem vir a derivar.

Revelou curiosas semelhanças com este.

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