quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Após o enomarasmo que tem pautado os últimos tempos por estas bandas, foi com prazer que descobri na caixa de correio uma nova mensagem, ainda que a tentar ser francamente desagradável, quase desafiadora.

A história por detrás disto é simples: há muito, muito tempo, no princípio do puto que bebe, comprei uma garrafa bonita na esperança de dentro dela encontrar algo a condizer, o que não aconteceu. Como calhou na altura já ter um blogue onde ia colocando as coisas bebidas com umas notitas sobre que tal me iam parecendo, não me criaram para lamber botas nem nunca quis ver nisto oportunidade de carreira, escrevi sobre ele a verdade.

A minha verdade, única nos detalhes e mais ainda na interpretação que deles fiz, mas não tanto assim na "big picture", certamente transversal a quem tenha tido o azar de levar à boca o néctar de que estamos a falar. É que, mesmo nisto de provar vinhos, também há coisas simples, e pior, evidentes. :)

E então parece que, quase três anos depois, o produtor ou alguém relacionado com o produtor não gostou dos comentários e resolveu dizer-me das giras e bonitas. Mas falhou. Falhou porque transmitiu a mensagem de que, no seu entender, quem compra os seus vinhos é um burro cujo dever é pagar e achar sempre, necessariamente, muito bom. Ou, tendo constatado que aquilo que comprou não presta, pensar este vinho de dez euros está a saber-me pior que o do garrafão do tio Zé, mas eu não sou o Robert Parker e o senhor que escreveu o contra-rótulo é enólogo ou pelo menos escreve contra-rótulos para casas de vinhos e diz que é muito bom, e a ele deixam escrever contra-rótulos e a mim não, logo ele deve saber o que é bom para mim e eu não (etc.) —

E assim, por timidez, insegurança ou pura e simples condescendência, calar. Pois bem, meus caros, já fui assim. Antes de ter criado um blogue sobre os vinhos que ia bebendo, não tinha nenhum. Gostava e calava, não gostava e calava. Pelo menos na net. Depois criei um blogue, quando se calhar ainda nem sabia que vocês existiam, e fui provando, provando, até que um belo dia me cruzei convosco. Não ia abrir regime de excepção, certo? Para terminar, fica a indicação de que aquele vinho garantiu que não iam ter de voltar a preocupar-se com o que quer que fosse que eu pudesse voltar a achar de qualquer outro produto vosso, pelo que por aí podem ficar descansados.

Fica pois a nota de agradecimento pelo feedback enviado e o inevitável conselho: passem mais tempo a fazer melhor vinho e menos a enviar hate mail que não tardarão a ver as coisas melhorar.