terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fala sobre Paris. Agora que está de partida acha que eu também me devia ir embora. Nova Iorque, Berlim, talvez. Um dos fenómenos deste lugar é que induz todos aqueles que se vão embora a acreditar que os que ficam estão simplesmente a malbaratar a sua alma e a sua substância.

A ideia geral parece ser a de que se pode ser bem sucedido em Paris, mas que se tem de ir para qualquer outro lugar para receber os dividendos respectivos.

Toots ainda está a tentar convencer-me a deixar Paris quando chegamos ao meu buraco. Mas uma vez lá dentro com a porta fechada atrás de nós e a cama pronta a receber-nos, esquece a cantilena.

Veio comigo até aqui acima para ser comida, e isso não tem nada de absurdo.

Ainda mal acabei de fechar a porta e já ela se atirou para os meus braços, esfregando-se no meu corpo e procurando aos apalpões o John Thursday. Ali mesmo, só dois passos dentro do quarto, começo a despi-la.

Não traz cuecas... É a primeira descoberta que faço.

Digam lá o que fariam por prazeres secretos; eu gosto mais das coisas às claras, pôr as mãos em tudo o que puder, onde puder e quando tiver vontade, sem rendas nem alças nem laços.

Enquanto a vou apalpando, levanto-lhe o vestido até surgir o seu rabo nu e igualmente a interessantíssima paisagem da frente.

Então, e apesar de ela me estar a enfiar os dedos na braguilha, recuo para a ver na totalidade.

Mantém-se recta e imóvel, com o vestido erguido, mostrando de que é que as meninas são feitas. «Hairy and pink, and a sweet little stink», dizia-se quando eu era miúdo...

Os olhos são a única coisa que nela mexe. Olha para baixo, para a vagina e depois para o esconderijo do John T. Por fim livra-se do vestido e passeia afectadamente pelo quarto, exibindo-se em pose para trás e para a frente como uma dessas cabras dos concursos de beleza que só se vêem nos documentários noticiosos e em mais parte nenhuma.

Cu à mostra, cona à mostra, barriga à mostra... que espectáculo, e ela sabe-o. É uma dessas coisas que torna Toots especial... o ela saber a tipa fora de série que é, e no entanto não se fazer difícil a respeito da armadilha que tem entre as pernas...

Não admira que Carol tenha dado em chalupa. Qualquer pessoa daria, tendo uma gaja daquelas à sua disposição e não lhe podendo ir para cima. Para ele é melhor que ela se vá... se bem que não creia que ele, ou qualquer outro aceitasse este argumento. Eu não aceitava, de certeza.

Enquanto a admiro no número de passagem de modelos, subitamente apercebo-me de quão terrível deve ser ter, em simultâneo, um esquentamento e uma bela amante.

Terrível? É horrível... gela-me a espinha pensar nisso, tê-la a despir-se e a exibir, quando se voltasse, aquele cu com cabelo entre as nádegas, inclinando-se para apanhar qualquer coisa do chão, deixando as mamas, de uma consistência elástica, baloiçarem um pouco, afagando o ventre com as mãos, arranhando-se ao de leve... e um tipo para ali sentado com o instrumento enrolado numa ligadura... Tomo o firme propósito de, para o futuro, ser duplamente cuidadoso.

Henry Miller, Opus Pistorum, 1941 (pub. 1983).