terça-feira, 27 de setembro de 2011

João Pires '2010 (Branco)

Falar do que se bebe pode ser engraçado, mas também acaba por se tornar cansativo. Então quando se tenta manter um registo exaustivo daquilo que se vai consumindo! Então quando o que se consome nem sempre tem muito a dizer! Oh amores, e para quê? É esta a pergunta que se impõe: para quê? Abençoada S- que viu a luz. Julgam que a gaja deixou de cozinhar? Que me deixou? Deixou foi de ter paciência para as belinhas e luisinhas deste e doutros mundos, lol. E eu, que raio ainda aqui ando a fazer? Muito pouco, fofinhos, muito pouco.

Querem coisas de mim? Ora tomem: ando a tentar emagrecer. Abater a pança. E hoje dormi mal. Mas dormi mal de propósito, planos alternativos, à preto velho que quer ganhar dinheiro para levar vida honesta na terra dos brancos, preto velho a tentar levar vida honesta e não tem sorte, tché! :P

Anteontem vi o belíssimo Teorema, um Pasolini, coisa usualmente entendida pelo imaginário popular como um peso com potencial nutritivo, algo como pães de queijo para o pensamento, mas a que encontrei uma enorme capacidade de entreter. Que coisa sexy, caralho. Acompanhou na perfeição um humilde Cruz "Colheita" que trouxe da Figueira e mais um ou dois canequitos de Havana Club . . . as respectivas postas acabarão, eventualmente, por passar por aqui, garante-mo esta vidinha saudavelmente pouco preenchida :)

Dizia, adorei o filme. Lavou-me a alma. Melhor, só se estivesse sentado por trás da Mi a mexer-lhe nas mamas, em vez de deitado mais ou menos ao lado dela, mole e cheio de gases, enquanto o via. Então se tivesse haxe do fixe! Ah, por falar nisso, meu deus, como me apetece fazer uma valente temporada de ganza, andar por aí todo senil, a fazer asneiras, cambalear pelas ruas às sete da manhã, velhinhas que passam a caminho do mercado a chamarem-me desgraçado! E a vizinhança, na terra natal, a comentar entre dentes. . . coitadinha, ela não era assim, enlouqueceu porque tinha um filho que se meteu na droga . . .

Ui, o pavor! :P Hum, olhem, tenho andado a gostar da deliciosa menina Dahl. A princípio tomava-a como apenas mais uma representante do chamado food porn, isto é, basicamente, um entretém para panisgas, enfim, vós, leitores, gente educada, sabeis a que me refiro. Mas não, a gaja é porreira, só que é necessária alguma abertura de espírito para se lhe chegar. É daquelas gajas muito girly, coisa que frequentemente traz mal entendidos. No outro dia falou sobre playlists e deu-me vontade de fazer uma. Vocês iam curtir milhões se publicasse! Pelo menos aqueles que de entre vós não forem completamente estúpidos — nisto das internets, um gajo nunca sabe ao certo quem o visita.

Beeem! Depois blá blá blá o hate mail, não me poderei queixar. Mas porque raio isto tudo antes de falar de um vinho? O post ia ser só sobre o vinho, aliás, já tinha o texto preparado no CryptEdit, só que depois colei-o aqui e, de súbito, o resto apeteceu-me. Quanto a vinho, enfim, têm apetecido brancos! Talvez seja de saber que vem aí a chuva.

E há dias comprei este, que é um varietal Moscatel produzido e engarrafado por José Mª da Fonseca — já agora, porque é que não o mencionam no respectivo sítio web? Adiante! Moscatel, nota-se assim que se leva ao nariz, pelas flores! É ligeiro, fresco, seco e sem sinais de barrica. Muito simples, muito simples. . . Louro, maracujá, um corpito vagamente untuoso, nem de desportista nem voluptuoso, talvez como eu, médio/médio, com uma panceta. Um magro gordo. Como diriam as velhinhas amigas, compostinho. A acidez pareceu-me cítrica, não objectivamente refrescante, e apesar de bem casada com os restantes elementos do conjunto, face a apenas 11,5% de álcool, podia ter feito outra figura. O final, curto. No global? Simples, correcto e em todo o caso, eficaz quanto baste. Sou bem capaz de voltar a comprar.

Bebemo-lo com carapaus grelhados.

4€.

14,5